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EUTANASIA? EU CONCORDO!

26-05-2023 - José Janeiro

Deixemos por esta semana a problemática da política rasteira e ignóbil que vamos assistindo e falemos desta vez sobre a EUTANASIA.

Por imposição Constitucional o PR, teve que promulgar a lei que regula a Morte medicamente assistida.

Ouvi, li e cheguei mesmo a participar num dos fóruns da TSF sobre este tema, e fiquei muitas vezes surpreendido com a barbaridade dos argumentos contra. Na verdade, toda a baixeza serve dos que são contra, tentarem fazer valer a sua opinião, sem uma discussão séria, apenas o argumentario básico, gasto e idiota servindo para eles apenas como base de discussão.

Na verdade, os que argumentam contra fazem-no basicamente por questões de índole religiosa e nada mais. Outros há, que temem o livre arbítrio dos médicos e dos familiares argumentando que seria uma forma de eliminação de pessoas em contextos fantasiosos e daí às fake news foi um passo.

Aos primeiros, respondo com premissas lapidares:

  • Não passei nenhuma procuração a um qualquer fanático religioso para decidir sobre mim, nem a qualquer divindade mitológica que eles dizem representar;
  • Não admito que meçam o meu eventual sofrimento físico ou psicológico tendo por base uma qualquer referência aos tais mitos, que não se conseguem explicar ou provar a que chamam deus e que, pelos vistos, só a esses representantes se terá manifestado;
  • Não entendo, como esse tal deus, em que dizem acreditar e que ninguém viu, possa ser tão sádico que tenha um prazer diabólico, com o sofrimento de um ser humano, que dizem, eles, foi criado á sua imagem e semelhança;
  • Tenho toda a liberdade e dever, em decidir sobre a minha vida e sobretudo sobre o meu fim se tal assim o desejar, por condições estruturais em que eu entenda que tal seja melhor para mim;

Aos segundos, respondo:

  • Quem assim decidir, de livre vontade, terminar com o seu sofrimento, tem o direto de morrer com dignidade e sem dor, ou outra forma de suicídio que ele próprio opte;
  • A eutanásia não é obviamente obrigatória, mas se a pessoa o entender por razões, que só a ele dizem respeito e depois de devidamente avaliado, deve poder faze-lo;
  • Só o próprio pode medir o seu grau de sofrimento e por tal deve ser devidamente acompanhado e totalmente esclarecido sobre as opções que tem;
  • Cabe única e exclusivamente ao próprio tomar a sua decisão e não um qualquer suposto representante de uma qualquer divindade;
  • Tenho sempre a hipótese de dizer: Não! seja porque razão seja;
  • O individuo, deve encontrar formas de previamente clarificar, se em caso de total ausência de possibilidade de recuperação se pretende terminar dignamente a sua vida;

A morte digna, seja natural ou na forma de eutanásia, é um direito do ser humano, tal e qual como qualquer outro.

Os que estão contra, baseiam também os seus argumentos apontando outras soluções possíveis como: a recusa de cuidados médicos, a chamada distanásia, ou dos cuidados paliativos. Estes argumentos têm tanto de desumano como de estúpidos, porque afinal continuam a ser olhados sempre num contexto religioso, em que só, segundo eles, esse tal mito tem o poder de decisão sobre a vida e a morte. Paradoxalmente, o próprio suicídio nas diversas religiões é considerado um pecado, donde não se entende o argumento da distanásia, pois é na prática uma forma de suicídio, com a gravidade de o ser em sofrimento, menos se entende quando se olha parcelarmente para o sofrimento como exclusivamente físico, quando o psicológico tem muitas vezes maiores implicações no íntimo de quem sofre que qualquer outra opção.

Não, consigo entender aqueles que defendem perversamente o sofrimento por razões apenas de crença religiosa, ou com entendimentos redutores do que é a decisão do próprio sobre si, e que poder esse tem sobre uma decisão que tudo transcende: a sua vida.

Ninguém, melhor que o próprio individuo, pode avaliar e decidir sobre si, tudo o resto são balelas e desumanidades vis e pouco consistentes.

Eutanásia? Eu concordo. E se um dia o meu sofrimento for insuportável, quero ter a opção de escolha sobre o que eu entender que deve ser o melhor para mim, sem que tal facto constitua crime para quem me auxilie nesse desígnio.

Até á próxima

José Janeiro

 

 

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