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O Grande Almirante da Sucata

31-03-2023 - Francisco Pereira

Muitas vezes quando, em conversa, digo que Portugal é um país esquizofrénico, por norma os meus interlocutores tem a tendência de torcer o nariz, posteriormente, passados uns tempos, lá aparecem para me uma palmadinha nas costas e dizer...

- Tens razão ó Chico, isto é mesmo uma terra de cromos…

Pois é, isto é verdadeiramente uma terra de cromos, uma gaiola de malucas, cheia de tontos, cromos, patetas e retardados mentais, nada que não estejamos habituados, a realidade diária trata de provar que esta minha afirnação é inteiramente verdade.

Vejam esta questão da Marinha. Mas antes vamos lá a números só para nos situarmos enquadrando a coisa. Portugal continental mais as ilhas possuem uma extensão costeira de pouco menos de 2000 quilómetros, é muita areia para palmilhar, para ajudar a Zona económica exclusiva de Portugal tem 1.727,408 km 2, além disso Portugal é ainda responsável por assegurar o serviço de segurança marítima o que incluiu operações de busca e salvamento num espaço geográfico com cerca de 5.754.848 km 2 . Posto de outra forma, Portugal tem sete milhões de quilómetros quadrados de extensão marítima para gerir, vigiar e assegurar os salvamentos quando necessários. Uma loucura.

Para desempenhar toda essa complicada tarefa, Portugal possui a Marinha de Guerra, nome pomposo eu sei, mas por cá gostámos sempre destas coisas pomposas, ora a tal Marinha possui, 27 navios, se fizermos uma daquelas contas típicas que o politiquedo tanto gosta, verificamos que a cada um desses navios cabem 260 mil Km 2, acaso todos esses navios tivessem a capacidade e autonomia para tal, seria uma tarefa hercúlea, quiçá quase louca, no entanto apenas 17 desses navios possuem autonomias para fazer algum desse trabalho, desses 17, apenas 6 têm menos de 30 anos, apenas 6 não são, por enquanto, sucata flutuante, uma das duas corvetas ao serviço, por exemplo, tem 53 anos.

E esse é o grande problema dessa coisa pomposamente chamada “Marinha de Guerra”, não temos navios em condições, e para agudizar aquilo que já é mau, a Marinha, como sói dizer-se não tem dinheiro nem para mandar “cantar um cego”, é portanto uma Marinha falcata e indigente de um país de falcatos mentais e indigentes intelectuais, é uma Marinha de faz-de-conta, num país do faz-de-conta, e isso meus caros está à vista de todos.

Mais, com toda esta extensão de costa e extensão de mar, não temos sequer um corpo de nadadores salvadores decente e profissional, vivemos da carolice, e porque dá jeito atiramos os custos de ter esse importantíssimo serviço para os desgraçados dos apoios de praia, para aliviar a coisa inventámos a “Época Balnear”, como se por acaso o mar e os rios mais as praias, fechassem durante o inverno, não temos também uma Guarda Costeira, aquilo que temos é uma Polícia Marítima, que mete dó, ora se isto tudo não é esquizofrénico, não sei o que será.

A Marinha e os restantes serviços ligados ao mar, é mais uma coisa que sobrevive essencialmente, como muitas outras instituições deste pardieiro a que chamam Portugal, à custa da carolice, abnegação e excelente profissionalismo das mulheres e homens que lá desempenham funções, que vão obrando maravilhas, no caso da Marinha, com a sucata flutuante que por ali abunda.

Entretanto, uns quantos marinheiros, ao todo 13 de uma guarnição de 26, ou seja metade, insurgem-se contra o alegado estado miserável de um navio, o NRP Mondego *, embarcação com 31 anos, que deveria ter desempenhado uma missão de escolta de um navio russo a norte do Porto Santo. Um caso claro de insubordinação, que infelizmente se transformou num caso mediático. E por muita razão que os marinheiros tenham, e tem muita, além de coragem, não é assim que a coisa funciona, o RDM está lá para prevenir isso, e o grande Almirante da sucata vai agarrar-se a essa legislação.

Num acto continuo, da opereta bufa que o caso do NRP Mondego despertou, o Chefe do Estado Maior da Armada (CEMA), vai até à Madeira, rezar o responso, à marinhagem, fá-lo à vista desarmada e com acompanhamento mediático, esteve mal o senhor Almirante, esteve mesmo muito mal, um Almirante com coragem, aproveitaria esta situação para informar a nação, que infelizmente comanda uma Armada de sucata, não deixaria de sancionar a insubordinação, falo-ia dentro de portas sem espetáculo mediático, mas o senhor Almirante habituou-se aos holofotes, um chefe verdadeiro aproveitaria esse facto para colocar sob os holofotes do mediatismo, ao invés da sua actuação que dispensa lantejoulas, o miserabilismo que reina nas Forças Armadas, defendendo também as guarnições, desmontando as patranhas com que há décadas, os vários governantes dos vários governos, tem intrujado a malta. Mas tendo em conta o modo com o senhor Almirante chegou a CEMA, bem como as aspirações políticas que o senhor Almirante parece ter, esses valores parecem ter falado mais alto, às malvas o resto.

Concluindo, esta Armada é uma triste sombra, se estivéssemos no Século XV, creio que nem a Ilha do Pessegueiro teríamos descoberto, quanto mais o caminho para a Índia. Infelizmente, este miserabilismo é endémico deste nosso país, não é nada de novo, é mais do mesmo, de há centenas e centenas de anos, em que os senhores do poder, conta com a excelência, com o voluntarismo, com o patriotismo e com a abnegação das pessoas, no entanto parece que as pessoas estão no seu limite, fartos do miserabilismo, fartos dos sabujos do Poder, e no caso dos marinheiros insubordinados fartos da Armada de sucata.

* Já depois de ter escrito esta croniqueta chegou-nos a notícia de que o NRP Mondego dera novamente barraca, provando que tenho razão, e que o grande Almirante da sucata não, ao que parece, surgiram mais avarias, dando razão aos homens que protestaram, podem consultar a notícia aqui:

https://zap.aeiou.pt/navio-mondego-avariou-528446

Francisco Pereira

 

 

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