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Segunda-feira 6 de Fevereiro de 2023  
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Nem os animais…

04-03-2022 - Francisco Pereira

Era madrugada quando chegaram, em matilha, como gostam de agir, chegaram como sempre fazem aos berros a ulular com as fêmeas à frente a berrar impropérios, injúrias e ameaças, já todos vimos isto, as fêmeas roncando como desalmadas abrem quase sempre este tipo de triste procissão, como é seu costume e modo de agir, são seguidas pelos machos mais atrás a rosnar, uns e outros latem e urram como bestas selvagens, lançam o caos, agridem selvaticamente sem pudor de espécie alguma, pudor que não possuem, pouco mais são que animais irracionais, alias nem os animais assim agem.

As pessoas ali perto, que na modorra da espera que por norma se instala neste tipo de locais, com os minutos por vezes perdidos ou suspensos, são três da manhã, a madrugada está fria, mas nem esse frio detêm essas bestas selvagens nem protege os indefesos dos seus ferozes intentos, não estão habituados a esperar, não estão habituados a respeitar, no seu léxico não constam palavras como respeito e dignidade, conceitos que desconhecem, isto apesar de nos últimos cinquenta anos lhes terem enchido as entranhas de dinheiro, de casas à borla, de subsídios, de rendimentos, de escola à borla, de tudo à borla, que temos nós para mostrar de relevante como resultante destes cinquenta anos de atirar dinheiro para cima do problema, como tanto gostam de fazer os nossos politiqueiros medíocres, nada, ou antes para sermos honestos, muito pouco.

Temos felizmente alguns bons exemplos, infelizmente demasiado poucos, ainda que esse pouco nos dê esperança e alento de que um dia este tipo de animais possa finalmente perceber que precisa de respeitar para ser respeitado, tornando-se finalmente dignos seres humanos.

Não há segurança em sítio nenhum, este país não passa de uma anedota, uma anedota trágica, a realidade é a impunidade geral, é assim que o cidadão comum olha para isto tudo, uma anedota, onde por exemplo um tipo que alega sofrer de Alzheimer se furta a comparecer no tribunal invocando a maleita,porém dias mais tarde declara que está a escrever um livro de memórias, nem o melhor criativo de comédia conseguia escrever esta anedota, a Justiça em Portugal é uma anedota, a impunidade é a regra, a prova-lo está esta situação em que um bando de animais, surge ululante das trevas nocturnas para atacar selvaticamente profissionais de um serviço de urgência de um hospital, fosse esta uma situação pontual, apesar de péssimo evento, ser-nos-ia ainda suportável racionalizar a ocorrência, o problema é que este tipo de animais tem atrás de si um demasiado longo historial deste tipo de violência, estejasse onde se estiver neste país os relatos são sempre iguais, restaurantes, serviços públicos, quartéis de bombeiros ou pobres cidadãos, todos sofreram com os ataques destas matilhas deste tipo de bestas que surgem de forma tonitruante rugindo como animais enraivecidos.

Não, que não existam outros mais episódios de agressão ou de violência contra pessoal médico, bombeiros, pessoal docente e não docente, polícias ou outros funcionários do sector público e ou privado, infelizmente também existem, infelizmente agredir funcionários públicos quando estão em funções não é crime público, por aí logo se vê a anedota que é este Estado, infelizmente o mesmo tratamento de impunidade existe, mas como diz a canção “nada se compara” ao método de ataque em matilha daquele grupo específico de animais, até as matilhas de hienas ficariam envergonhadas com a ferocidade e selvajaria que essas outras bestas demonstram.

Chegaram na fria madrugada para agredir, para violentar, demonstraram como sempre o fazem, respeito nenhum pelos seres humanos que os servem, pelos locais, instituições, instalações e bens públicos, são animais que se sabem impunes, são arrogantes, racistas extremos e sabem bem que a tal Justiça anedota, nada lhes fará, sabem bem que a Polícia medrosa tem um método conhecido, quando se tratam de desacatos com esse tipo de criaturas, procrastinam o mais possível, só aparecem muito depois da ocorrência, no caso que motiva este artigo, alegadamente a Polícia demorou 45 longos minutos, quase uma hora a responder aos desacatos, podem sempre, como o fazem vezes demais invocar a falta de meios humanos e materiais, que sabemos ser verdade, mas que também serve de cobertura para muita coisa, afinal os polícias também são mulheres e homens, também têm famílias, e medos, ansiedades, além de bem saberem que a Justiça anedota nada fará, se acaso der para o torto eles ficam como os pobres cidadãos, sós e abandonados, sem ninguém que lhes valha, completamente à mercê das matilhas das bestas selvagens que adoram vinganças.

Chamem-me os nomes que quiserem, lancem-me todos os opróbrios do Mundo, achincalhem-me, colem-me a extremas ou a alucinados extremistas, arranjem-me rótulos da moda, mas antes de me lançarem essas acusações, desmintam as palavras que aqui escrevi, provem que são mentira, provem que não é assim, que não somos um Estado anedota com uma Justiça anedota onde uns podem tudo, impunes, enquanto aos outros, a maioria, toca pagar isto tudo, podendo nada, vá desmintam.

Francisco Pereira

P.S. - Tal como na agressão russa à Ucrânia é preciso dizer que há gente que não presta, gente cuja maldade os transforma em monstros malévolos, os que atacaram os enfermeiros nas urgências do hospital são disso exemplo tal como o energúmeno que ordenou o ataque à Ucrânia.

 

 

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