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OS DEBATES

21-01-2022 - Francisco Pereira

debate

1. Discussão em que os discutidores procuram trazer os assistentes à sua opinião.

2. Disputa, contenda.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/debate [consultado em 19-01-2022].

Assisti durante estes dias que passaram, aos diversos debates promovidos pelos órgãos de comunicação social, entre os candidatos dos principais partidos concorrentes às legislativas de dia 30 do corrente, debates que findaram televisivamente com um debate final que juntou os partidos mais pequenos, ontem que foi Quinta-feira ainda houve um debate na rádio a que faltaram o senhor Rio e o senhor Ventura, debate esse que também nada de novo trouxe.

Temos então à nossa disposição e para satisfazer a nossa gula eleitoral, um banquete com treze (13) partidos que concorrem a todos círculos nacionais mais oito (8) que concorrem apenas a círculos específicos, ou seja temos enquanto eleitores uma ampla escolha que nos permite fugir ao rotativismo PS/PSD, aqui e além pontuado com intromissões do CDS, triunvirato que tem estado no poleiro nestes últimos quarenta anos (40), sendo responsáveis por tudo o que de bom e de mau que exista neste país.

Dizia eu que assisti e ouvi estes debates, a uns mais que a outros confesso, de mente aberta, sem partir inicialmente eivado de preconceitos que pudessem por em causa o que os contendores pudessem querer comunicar às audiências, que temo tenham sido poucas, ainda que segundo ouvi as audiências foram boas, muito me espantou esse dado, isto porque creio que a rapaziada está um pouco cansada destes tipos e das suas arengas maviosas que nunca são consequentes.

Fui ouvindo a esquerda, a direita, as extremas de cada um desses lados mais o centro que se esforça por querer existir, sabendo nós que isso do centro é cada vez mais uma patranhice que contam para tentar encaixotar na algibeira o maior número possível da indecisos, foi no entanto um muito penoso exercício ouvir as vozerias desta rapaziada partidária.

Ver crescer erva debaixo de um chaparro num dia de Verão é uma actividade bem mais intelectualmente desafiante do que foi assistir a estes debates, que se pautaram por uma verdadeiramente atroz indigência intelectual, aquelas criaturas patéticas andaram ali a arrastar-se uma semana, sem que se ouvisse uma só ideia, boa e ou má, que fosse, nada, no que tocou a ideias foi uma desoladora esterilidade, um deserto, um qualquer, deve ter mais vida do que os debates a que assisti, os seres patéticos que ali vociferaram mais não fizeram que umas vezes anuir em concordâncias salobras, outras vezes entrarem em dissonante vozearia, por vezes a roçar a típica “peixeirada”, acusando-se mutuamente de tudo e do seu contrário, perderam-se em idiotarias sem nexo e questiúnculas patéticas num exercício de pura estultíce que nada acrescentou, quem dúvidas houvesse, com elas e mais umas quantas ficou.

Digno de nota no que aos tais debates concerne, foram porém as prestações dos “comentadeiros”, os ditos “politólogos” e outros “sabólogos” em geral, daqueles que descobrem significados subliminares e ou ocultos nas entrelinhas das entrelinhas nas frases que os candidatos dizem, significados que mesmo depois de revermos as declarações duas e três vezes permanecem para nós, pobres ignorantes analfabetos, intelectualmente incapazes, intangíveis, as incandescentes opiniões desses preclaros e sobredotados “sabões” fazem com que todos nós simples primatas, nos sintamos uns obtusos, esmagados com tanta e tão poderosa sapiência, daqui resulta que quem não tenha visto os debates, quem tenha apenas visto os tais “sabólogos” fique com a mais bem vincada sensação de estar completamente desnorteado, correndo o risco de ficar ainda mais confundido isto sequer se chegar a entender metade do que esses seres iluminados dizem. Estes programas de comentários são, um espectáculo adicional ao circo que são os debates.

Se me pedissem para eleger um debate favorito, com é óbvio eu iria escolher o que opôs as extremas direitas do senhor Ventura e do senhor Santos, foi absolutamente delicioso, muito eu me ri, parecia estar a ver um episódio daquela série de humor "Lições do Tonecas" que passou na televisão nos anos 90 do século passado.

Dizer que aquilo que se viu naquele faz de conta que foi um debate entre o senhor Santos e o senhor Ventura, foi absolutamente ridículo, fica curto, a realidade de quão mau, de quão absolutamente patético e intelectualmente miserável aquilo foi só se pode plenamente absorver visionando o dito evento. O miserabilismo ali visto leva-nos a questionar se os presidentes daqueles partidos apresentam aquele tão parca qualidade, como é que não será a qualidade média dos militantes desses partidos, abrenúncio…

Resumindo, bem fizeram todos aqueles que se abstiveram de ver aquelas luminárias nos seus eternos exercícios de arejar a cavidade bucal, deram por bem empregue o seu tempo todos os que se furtaram a assistir quer aos debates quer aos “bitaites” dos “sabólogos” comentadeiros que abundam nas televisões. Infelizmente para esta pobre Democracia, os debates foram miseráveis, sem ideias, sem brilho, sem nada que nos pudesse encantar, fazer sonhar e ou sequer ter esperança, louvasse o debate entre o senhor Ventura e o senhor Santos, que ao menos fez rir a malta e distraiu o pagode com as barbaridades ali propagandeadas.

Para finalizar, queria deixar uma última nota sobre a necessidade de evitar maiorias absolutas, as duas que tivemos ultimamente nos consulados de Cavaco e de Sócrates, são excelentes exemplos da podridão, da corrupção, do nepotismo, do autoritarismo a roçar a ditadurezeca de opereta mais o absoluto miserabilismo em que estas maiorias absolutas lançaram este pobre país, por isso não fique em casa vá votar e não vote em branco, não contribua para a bandalheira.

Francisco Pereira

 

 

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