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ELEIÇÕES LEGISLATIVAS/22
(UMA PERSPECTIVA)

10-12-2021 - Francisco Garcia dos Santos

Por mais hipóteses que tenha considerado sobre o que levou António Costa a “encostar à parede” PCP e BE no sentido de aprovarem ou reprovarem o Orçamento de Estado para 2022, ainda não consegui descortinar o objectivo do Primeiro-Ministro e líder do PS.

Em 2015, não obstante PS e Costa terem perdido as eleições legislativas para o PSD de Passos Coelho, o primeiro, num “passe de mágica” até então jamais visto nesta III República, aliando-se ao PCP e BE, conseguiu chegar ao poder. Deste modo, “fez passar” o programa de governo e 4 Orçamentos de Estado.

Após as eleições de 2019, vencendo as mesmas e elegendo mais uns quantos deputados, Costa iniciou um processo de afastamento do PCP e, sobretudo, do BE, que continuaram a viabilizar-lhe Orçamentos, sendo certo que passou a governar à la carte, ora com apoio daqueles partidos, ou fazendo acordos pontuais com o PSD de Rui Rio, embora excluindo sempre de forma categórica e pública quaisquer negociações com este e demais partidos à sua direita para efeitos orçamentais. Penso que tal opção de Costa foi meramente táctica e tomada de forma arrogante e prepotente convicto de que os partidos à esquerda do PS nunca inviabilizariam a sua governação, fosse de que formafosse, mais não seja por eventualmente temerem ser responsabilizados e penalizados eleitoralmente no caso de queda do Governo por “chumbo” do Orçamento do Estado para 2022 e consequente dissolução da Assembleia da República seguida de convocação de eleições legislativas antecipadas, conforme reiteradamente afirmou o Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa que o faria, tudo enquanto foi tempo de negociaçãode tal Orçamento.

Mas voltando um pouco atrás, paciente ou temorozamente, PCP e BE foram aprovando os Orçamentos de 2019 e de 2020, mas, a partir deste ano foi notório o afastamento, e até animosidade de Costa e PS para com o BE, privilegiando os comunistas enquanto parceiros para a sustentação do Governo.

Contudo, sondagens após sondagens, o PS/Costa nunca apareceu como tendo intenções de voto suficientes para obter uma maioria absoluta em eleições legislativas, não obstante uma aparente confortável vantagem sobre o PSD e, em todas elas, em termos de conjunto, os resultados darem sempre uma maioria de esquerda na Assembleia da República.

Mas a partir de 2019 “apareceram” no Parlamento 2 deputados de partidos na direita, Iniciativa Liberal (IL) e Chega (CH), partidos estes que têm vindo a aumentar e consolidar posições de relevo quanto a intenções de voto em todas as sondagens, o que veiobaralhar as contas de todos os partidos tradicionais, disputando o primeiro o 4º lugar com o PCP-CDU e o segundo o 3º lugar com o BE, situando-se o CDS numa média de 1,5% a 2%, o que, a manter-se, relegará este partido para a insignificância parlamentar,e o mesmo sucedendo com o PAN que, muito duvido, consiga manter o número de deputados que hoje tem, sendo certo que o Livre, sozinho, quase certamente, não conseguirá eleger qualquer parlamentar para a “cadeira” até agora ocupada pela sua desertora e/ou expulsa Joacine Katar Moreira.

Ora, de duas uma: ou António Costa se fiou de que chantageando PCP e BE conseguiria aguentar-se no poder até 2023, ou então, procurando retirar dividendos do aparente êxito no combate à pandemia de Covid, pura e simplesmente “ignorou” aqueles partidos para a aprovação do Orçamento para 2022, “forçando-os” a votarem contra o mesmo,com vista a vitimização perante o eleitorado de esquerda, jogando com o facto de PSD e CDS atravessarem crises de liderança e os mesmos nada quererem com o CH, e assim, ardilosamente, provocar por interpostos partidos (da direita e da esquerda) uma crise política conducente a eleições antecipadas, na expectativa de obter uma vitória com maioria absoluta.

Porém, o PSD, ou melhor, Rui Rio, fazendo-se reeleger líder dos social-democratas contra Paulo Rangel, não só resolveu os seus problemas internos, como se apresenta interna e externamente relegitimado e reforçado para mobilizar as suas bases e simpatizantes para a campanha eleitoral que se avizinha para as eleições legislativas de30 de Janeiro de 2022, não deixando assim António Costa e PS a fazerem campanha sozinhos, sobretudo após a demissão forçada do seu fiel amigo e ministroEduardo Cabrita que, com debilidades e impopularidades de outros governantes, mais o aumentodos casos de Covid, não obstante a vacinação, pode aumentar o cansaço dos eleitores relativamente a este governo socialista a benefício do 2º maior partido portuguêse àsua direita.

Já o CDS continua indefinido, embora não se me afigure que a resolução das suas disputas internas chegue a tempo de reverter a débil situação em que se encontra perante o eleitorado, antes provocando uma reacção geral de “voto útil” no PSD e perdendo votos mais “ideológicos” para o IL e CH, partidos estes que auguro venham a obter muito bons resultados, podendo muito bem vir a ter grupos parlamentares significativos.

Quanto aos partidos à esquerda do PS, o “escândalo” de a atual líder do PAN Inês Sousa Real ter sido proprietária directa duma empresa agrícola de cultura intensiva, com uso de estufas e embalagens de plástico, o que é contra todo o “ecologismo” propalado pelo seu partido, e hoje, continuando a sê-lo por interposta pessoa -o seu marido-, para alémde ter vindo a ser cada vez mais “subserviente” a Costa e falta de carisma, prevejo que venha a obter um mau resultado eleitoral, vendo o seu grupo parlamentar reduzido a metade ou nem isso; no que respeita ao BE, afigura-se-me já ter esgotado todas as “causas fracturantes” que ao longo dos tempos lhe foram dando fôlego, já para não mencionar o facto de a sua líder Catarina Martins e o seu ex-vereador na Câmara Municipal de Lisboa Ricardo Robles, que sempre se manifestaram contra o “alojamento local”, terem visto ser posta a nu a sua hipocrisia, pois ambos eram (ou são) proprietários e exploradores de tal actividade turística, mormente o segundo, que se descobriu ser um dos maiores titulares deste tipo de alojamento na Capital -portantonão me parece que beneficie com a atual situação em termos globalmente considerada,antes perdendo votos para a abstenção e para o PS;o PCP, proverbialmente incapaz dese renovar em termos de discurso político e de dirigentes, como de costume, salvo um “milagre”, continuará na senda do definhamento e a ver transferências de voto para a abstenção e/ou outros partidos -até mesmo directas para o CH, que ora se apresenta como o único partido de protesto com enraizamento popular a nível nacional.

Assim, ou muito me engano, ou o resultado das eleições de 30 de Janeiro próximo será uma “baralhada”, com uma recomposição drástica da Assembleia da República, mas que, se não houver nenhuma “surpresa”, tornará o País quase ingovernável, o que mediante não aprovação do Programa de Governo, de “chumbo” de mais um Orçamento ou de moções de confiança ou de censura por parte do Executivo ou daOposição, levará a que a nova legislatura não chegue ao fim devido a mais umas eleições antecipadas no curto-médio prazo.

Na noite de 30 de Janeiro de 2022 logo veremos!

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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