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Como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras?

19-11-2021 - Francisco Pereira

Há cerca de um ano, ou coisa que o valha, um acidente rodoviário, do qual resultou a morte de uma pessoa por atropelamento em cima de uma passadeira, fez-me começar a cogitar porque morre tanta gente em Portugal, atropelada nas passadeiras, que supostamente são os locais seguros para os peões efectuarem o atravessamento de vias rodoviárias.

Comecei então a observar com mais acuidade os comportamentos quer de condutores quer de peões, no que concerne à abordagem da passadeira, mas também fui observando a qualidade das passadeiras, que as há para todos os gostos e feitios, feitas dos variados mais materiais, verifiquei a sinalização vertical, a iluminação, bem como a colocação das ditas passadeiras, na tentativa de responder à questão inicial, sobre como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras.

Tentei fazer a coisa o mais objectivamente possível, ciente que nada disto é científico e carece como é óbvio de verificação por gente qualificada, sendo que eu sou um mero e quiça pouco capaz leigo preocupado, espanta-me pois que tal questão não tenha ainda preocupado as doutas e sapientes mentes que se ocupam destas questões, mas andando que melhores dias virão.

Ora do ponto de vista da localização, construção, materiais, iluminação e sinalização, o que observei neste último ano, sugere-me o seguinte, para não variar, temos de tudo mais um par de botas, passadeiras gastas, pouca visibilidade, deficiente iluminação, passeios elevados que podem provocar quedas e dificultam a locomoção de pessoas com deficiência motora, com dificuldades motoras temporárias e ou carrinhos de bebé, passadeiras colocadas de forma questionável que propiciam o acidente, tintas que com chuva propiciam as quedas, veículos estacionados em cima das passadeiras e ou dificultando o seu pleno acesso, sarjetas colocadas junto ao passeio nas passadeiras propiciando quedas, postes de iluminação ou de sinalização plantados nos passeios junto às passadeiras, materiais de igualmente questionável aplicação para esse fim como seja por exemplo a pedra de calçada, materiais esses que dificultam o atravessamento, enfim, sem ser nem poder ser exaustiva a observação que fiz, sugere-me que isto das passadeiras para atravessamento de peões dava para uma tese de doutoramento, tal é a diversidade de situações que propiciam e até elevam a possibilidade de acidente.

Se ao atrás mencionado juntarmos o comportamento animal, começamos gradualmente a desenhar um quadro de hipóteses que confirmadas podem permitir uma resposta à pergunta inicial sobre como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras.

Para condensar vou resumir a descrição da observação comportamental a quatro tipos essenciais de utilizadores das passadeiras, começo pelos ciclistas.

Quanto à rapaziada do pedal, confesso que fiquei desiludido, tinha-os por mais civilizados, mas não, passo a explicar, ao que sei, a legislação vigente estipula que o ciclista só possa cruzar a passadeira a pé com a bicicleta pela mão sendo então equiparado a um peão, nunca vi nenhum fazer tal coisa, pior, vi gente a circular de bicicleta por cima de passeios, coisa que não podem fazer, subitamente chegados a uma passadeira cruzarem-na como se nada fosse.

Alguma rapaziada dos motociclos deixa também muito a desejar, mais uma vez observei coisas degradantes, que ainda mais me tiram a confiança, cada vez menor, que ainda deposito na Humanidade, falo de circularem a velocidades estratosféricas, de ultrapassarem pela esquerda, de pura e simplesmente arrepiarem caminho por entre os veículos cruzando as passadeiras sem mais aquela.

No que aos peões concerne, a coisa também não melhora, a grande maioria atira-se para a passadeira, quando o que diz o número 1 do Artigo 101 do Código da estrada é, e cito “Os peões não podem atravessar a faixa de rodagem sem previamente se certificarem de que, tendo em conta a distância que os separa dos veículos que nela transitam e a respectiva velocidade, o podem fazer sem perigo de acidente.” Infelizmente o que se vê maioritariamente não é nada disto, vêem-se pessoas com auriculares a consultar telemoveis, pessoas que atravessam sem olhar para o trânsito, pessoas que circulando pelo passeio repentinamente se atiram para a passadeira, tudo gente que parece querer morrer.

Por último os condutores de veículos automóveis, começaria por afirmar perentoriamente que isto de “tirar a carta” está tudo errado, é tudo uma farsa, gentinha há que nunca deveria conduzir veículos automóveis, seguindo em frente, mais uma vez observei uma enormidade de comportamentos desprezíveis, comportamentos homicidas que denotam sobretudo graves distúrbios comportamentais quiça ao nível da psicopatia e ou da sociopatia, por outras palavras, se uma vasta percentagem dos peões são uns imbecis, uma outra vasta percentagem dos condutores são umas rematadas bestas. Saúdem-se os edificantes exemplos de comportamentos civilizados, infelizmente poucos por comparação com as bizarrias quase homicidas a que assisti.

No fim disto tudo, depois de consultar as notas que fui tirando, cheguei a uma questionável claro está, conclusão que serve de resposta à questão “ como é possível morrer tanta gente atropelada nas passadeiras?”

A causa maior para esses nefastos eventos é em 90% dos casos a pura e dura estupidez, o egotismo narcisico que leva as gentes a não ter o mínimo sentido de devoção à vida do outro, que em última análise podia ser a do próprio, os 10% restantes são efectivamente acidentes, resultantes dos imponderáveis da vida, infelizes ocorrência imprevisíveis, logo inevitáveis.

É pois a estupidez que mata nas passadeiras, o excesso de velocidade, a falta de cuidado, o facilitismo a mais atroz falta de sensibilidade para a protecção da vida a par do mais pavoroso desrespeito pelas regras de civismo existentes, a tal barbaridade, responde o Estado com legislação medíocre, fiscalização praticamente inexistente, molduras penais miseráveis e processos de indemnização que são verdadeiras anedotas.

Deixo-vos um conselho simples, quer se encontrem como peões ou como condutores, diz um velho adágio popular que “cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém”.

Francisco Pereira

 

 

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