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AUTÁRQUICAS/21 - A “VITÓRIA DE PIRRO” DO PS

08-10-2021 - Francisco Garcia dos Santos

O grego Rei Pirro de Epiro e Macedónia (318 a. C. - 272 a.C.) venceu os exércitos da República Romana nas Batalhas de Heracleia (280 a. C.) ede Ásculo (279 a. C.), perdendo nesta última grande parte do seu exército e respectivos comandantes, o que somado às baixas sofridas na primeira fez com que ficasse sem condições para defrontar novamente com êxito as hostes de Roma. Devido a este facto, atribui-se a Pirro a seguinte frase: “Mais uma vitória como esta, e estou perdido”. Assim surgiu a famosaexpressão “vitória de Pirro” usada na gíria militar e política quando as vitórias são conseguidas com tão elevados “custos” que tornam o vencedor num muito provávelderrotado em eventual refrega futura.

Ora, não obstante o PS ter vencido as últimas eleições autárquicas, afiguram-se-me que, contas feitas, conseguiu uma “vitória de Pirro”.

Com efeito, se olharmos ao número de cidades ex-capitais de distrito onde o PSD, sozinho ou coligado, venceu, e aquelas em que o PS saiu vitorioso, temos:

PSD e suas coligações: Braga, Bragança, Aveiro, Viseu, Coimbra, Portalegre, Santarém, Faro, Ponta Delgada, Funchal e Lisboa (menciona-se esta em último lugar por ser a capital do País e a sua conquista a “joia da coroa” de qualquer partido em eleições autárquicas.

PS: Viana do Castelo, Vila Real, Guarda, Castelo Branco, Leiria e Beja.

PCP: Évora e Setúbal.

Independente: Porto (Rui Moreira).

Temos assim que das 20 ex-capitais de distrito, o PSD, e suas coligações, venceram 11 (com realce para as grandes cidades do litoral -ou quase-, como Braga, Aveiro, Coimbra, Santarém, Faro, as capitais das Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, e, por fim, a tão cobiçada Lisboa); o PS ganhou 7 (com realce, segundo o mesmo critério, para Viana do Castelo e Leiria); PCP 2 (com realce para Setúbal); o independente Rui Moreira manteve a 2ª cidade do País, o Porto.

Contudo, o PS pode “cantar vitória” em, pelo menos, 3 grandes concelhos do litoral urbano, como Vila Nova de Gaia, Loures (que recuperou do PCP) e Sintra; já o PSD ganhou Maia, Cascais e Albufeira.

Certo é que as eleições autárquicas têm a particularidade de os eleitores votarem mais em pessoas do que em partidos, mas se nos concelhos de menor população, e onde quase toda a gente se conhece, o voto personalizado é mais frequente, já nos que são grandes centros urbanos, como os da faixa mais ou menos litoral do território do continente português, os eleitores tendem a votar de forma partidária -e é nestes quese ganham ou perdem outro tipo de eleições, como as legislativas, cujas próximas serão em 2023.

Ignoro o que foi a campanha eleitoral em Coimbra por parte do derrotado Manuel Machado do PSe do vitorioso José Manuel Silva do PSD, escolha pessoal de Rui Rio contra, ao que consta, a opinião das Concelhia e Distrital do Partido, mas a verdade é que o seu candidato venceu.

Já no que concerne a Lisboa, onde concorri à Assembleia Municipal pelo Partido da Terra (MPT) integrado na Coligação “Novos Tempos Lisboa” liderada por Carlos Moedas, que, não obstante este ter sido uma escolha de Rui Rio, muito habilmente e com êxito estratégico a campanha eleitoral foi “centrada” na sua pessoa enquanto “challenger” do “incumbente” Fernando Medina, sendo que este último sempre surgiu “colado” ao PS e a António Costa.

As sondagens, “encomendadas” ou não, valem o que valem, sendo que até à última e último momento sempre deram uma vitória confortável a Medina, ainda que as mais recentes atribuíssem a este uma vitória sem maioria absoluta. Assim, Medina e Costa nem fizeram campanha eleitoral, limitando-se a fazer distribuir pelos Ctt centenas de milhar de panfletos pelas caixas de correio e às Juntas de Freguesia socialistas colocarem nas ruas da capital inúmeros mega-outdoors propagandeando obras prometidas há 4 anos mas nunca feitas (algumas absurdas), com a mensagem de que “agora é que é”.

Já Carlos Moedas, no mínimo, visitou 4 vezes todas as Freguesias de Lisboa apresentando-se como candidato a Presidente da Câmara, falando com, e ouvindo os, fregueses e munícipes, comerciantes locais e vendedores dos mercados municipais, bem como associações culturais, desportivas e recreativas de bairro e corporações de bombeiros, mobilizando os seus apoiantes e potenciais votantes.

Fernando Medina ficou na sua “torre de marfim” de forma altiva, arrogante e desprezível face aos seus concidadãos/munícipes, sendo que António Costa, para além de talvez uma vez, ter feito na Capital, o discurso retórico de que quem votasse no candidato do PS receberia milhares de milhões de Euros da “bazuca europeia”, nada mais ligou a Lisboa.

Face a esta postura displicente e ultrajante de Medina para com os Lisbonenses, que não só não fez campanha, como não mobilizou o seu potencial eleitorado para por elefazerem campanha e irem votar, ficou quieto na certeza de que ganharia as eleições. De igual modo os eleitores socialistas, fiados nas sondagens que davam a Medina a vitória em Lisboa como “favas contadas”, achando que não era preciso votar por a vitória estar garantida, ou dele não gostarem, abstiveram-se e ficaram em casa.

Assim, no essencial, fica explicada a derrota de Fernando Medina/António Costa/PS em Lisboa, de quem a respectiva população já estava farta devido ao nepotismo, corrupção, obras absurdas como as ciclovias onde não se vê uma bicicleta (algum “amigo” lucrou muito com isso), a extorsão da EMEL aos automobilistas residentes em Lisboa, etc..

Que Costa/PS continuem a encomendar sondagens ou a fiar-se nelas quanto a intenções de voto nas eleições para a Assembleia da República em 2023, e depois, com ou sem Rui Rio na liderança do PSD, não se admirem de ter uma nova surpresa como a que agora tiveram em Lisboa.

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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