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COISAS CÁ DA TERRRA…

24-09-2021 - Francisco Pereira

Infelizmente, por incúria, por laxismo e principalmente pela muito baixa qualidade dos governos e autarcas, as nossas localidades não estão preparadas para que nelas se viva com a qualidade e dignidade que deveríamos ter. Aos presidentes de câmara, em particular cabe a honra de terem alienado o espaço público à gulosa barrigana dos interesses por vezes escuros e muitas vezes a roçarem a coisa mafiosa. Assim irmanados, destruíram, demasiadas vezes por completo as vilas e cidades deste país, esboroaram a matriz cultural desses locais arruinaram as memórias e fizeram dessas cidades e vilas, coisas insalubres, feias e agora cada vez mais vazias, em especial no Interior cada vez mais parco em população, não apenas por uma dinâmica natural que sempre existiu à qual essas gentes políticas nunca conseguiram, nem quiseram, fazer frente, optaram pelo mais fácil, fechar e deixar desertificar, mas hoje é ouvi-los a clamar aos ventos ai Jesus que não há povo.

Almeirim, não sendo terra do interior profundo, infelizmente também não escapou, em certa medida, a essa onda terrível da desertificação demográfica, primeiramente foi sendo gradualmente descaracterizada na sua matriz cultural e de memória, deixou de ser uma vilória do infeliz Ribatejo, nestes últimos quarenta anos transformaram a localidade numa coisa feia, uma cidade que mais não é que um subúrbio patético, onde faltam espaços verdes, uma manta de retalhos, mal organizada, terrivelmente amorfa, sub dimensionada nas infraestruturas críticas para a presunção de crescimento que acalentam os seus gestores e onde ademais circular é difícil por contingências várias, sendo a má gestão, ordenamento e planeamento a face mais visível do caos.

Tomemos por exemplo o típico bairro da Tróia, começado a construir há um centenar de anos, pouco evoluiu em termos de disposição, as ruas de terra batida, que quando eu era miúdo ainda existiam algumas, foram sendo empedradas, nos anos 30 do século passado, com seixo rolado, material barato, disponível em farta quantidade que cumpria bem a função de aguentar o peso das carroças, hoje porém já não cumpre essa função, o advento da utilização de viaturas automóveis, destruiu o pavimento, as ruas encontram-se abauladas, cheias de altos e baixos, um pavor para quem lá mora e ou tem de circular.

No entanto o bairro tem uma realidade difusa no que aos arruamentos concerne, sendo certo que a maioria é de calhaus, umas ruas, poucas, foram alcatroadas, especialmente onde viva gente “importante”, há uns anos foram feitos uns passeios acimentados e avermelhados, acto que se saudou infelizmente em algumas ruas esses passeios são por demais exíguos, de tal modo que dois gatos não se conseguem cruzar, ornamentados muitas vezes com postes plantados no meio desses passeios já de si miseravelmente pequenos, tendo também a atrapalhar contentores do lixo ou caixas de telecomunicações.

Num bairro extremamente envelhecido, como podem então as muitas pessoas com mobilidade reduzida sair de casa quando se confrontam com tais condições miseráveis. Não podem, ou se o fazem é com dificuldade extrema, que utilizar muletas, andarilhos e ou cadeiras de rodas, mesmo eléctricas têm a vida num inferno e a mais pequena das deslocações é de facto um ordálio digno dos trabalhos de Hércules.

Para grande infelicidade dos habitantes do bairro da Tróia quem esteve à frente dos destinos desta terra, gente em que muitos dos habitantes desse bairro votaram e ajudaram a eleger, nunca revelou a sensibilidade nem a competência necessárias para perceber que qualidade de vida também passa por arruamentos em condições que são primordiais para a qualidade de vida das pessoas que vivem nesses locais. infelizmente a insensibilidade e a pífia competência são maleitas que vão continuar.

Um local acessível implica que estejam acauteladas todas as eventuais necessidades de locomoção e meios de o fazer que os cidadãos desejem para puderem efectivamente circular, hoje em dia falamos aqui de coisas tão díspares como a deficiência motora crónica ou temporária, invisuais, mães com carrinhos de bebé ou idosos com mobilidade reduzida, falamos de carros, motos, bicicletas, patins skates e trotinetas, sendo que por exemplo, os últimos três exemplos que apontámos são de impossível utilização no bairro da Tróia, este bairro é uma espécie de gueto para os velhos, que mal podendo mover-se ainda tem as pedras como inimigas, um “gulag” bem ao estilo das ditaduras das esquerdas.

Outro facto importante que influencia grandemente a mobilidade e as acessibilidades é o civismo, ou antes a falta dele. Mas quanto a isso, em Almeirim, estamos conversados, basta ver o estacionamento selvagem por cima dos passeios, as bicicletas a circularem por cima dos passeios, os passeios ocupados com toda a tralha imaginável, e a mais absoluta anarquia e bandalheira, em que poucos se respeitam enquanto cidadãos.

Com esta sociedade de babuínos boçais, será muito difícil que estas questões se decidam favoravelmente, o laxismo e a incúria de quem manda estará sempre firmemente respaldada no desinteresse e na mediocridade da populaça analfabeta, é deveras interessante verificar que aqueles a quem mais interessam estas questões, não parecem ter na sua defesa nenhum interesse, encarando as coisas com uma resignação que faz o mais seráfico dos santos espumar de raiva com a mansidão castrada destas gentes, é bem verdade aquilo que uma vez escreveu Camões “ o fraco Rei faz fraca a fera gente”

Francisco Pereira

 

 

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