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Nós os energúmenos, saudamos-vos

03-09-2021 - Francisco Pereira

Nós queixamos-nos amiúde da tropa fandanga politiqueira que nos tocou em sorte, queixamos-nos da polícia, dos funcionários públicos, da Educação mais da Justiça, olhamos para a Saúde e dizemos mal, é infernal. No entanto estou em crer que temos muitas dificuldades em perceber, que se isso tudo for realmente assim, o problema radica em cada um de nós e num todo enquanto sociedade, mas essa questão parece arredada da discussão é sempre mais fácil apontar o dedo ao vizinho, isto sem prejuízo de termos efectivamente vizinhos que são uma porcaria, como por exemplo uma destas noites, em que foi preciso chamarem a polícia três vezes para que um bando de energúmenos étnicos, finalmente desligasse a música, que até ali tocara em altos berros durante boa parte da noite, este tipo de gentalha medíocre e imbecil, continua sem perceber que não pode fazer gato-sapato da Lei, do respeito pelas outras pessoas que precisam de descansar para lhes poderem continuara pagar as prebendas e tenças de que vivem sem fazer grande esforço, isto parece conversa de uma extrema qualquer, mas não é, cinjo-me apenas a fornecer uma descrição real de uma situação em particular.

O anterior exemplo de mediocridade citado, concorre com outros que no nosso quotidiano nos entram qual onda desenfreada pelo desprotegido areal, aqui na localidade onde habito, existe uma rua que já é motivo de vídeos e de comentários nas redes sociais, chamei-lhe jocosamente a “Avenida do cagalhão”, porque os passeios estão a abarrotar de troçulhos dos inúmeros canídeos que ali vão ser passeados para “arrear o calhau”, sendo que os seus porcinos donos deixam os ditos engulhos a enfeitar os passeios, e aquilo é de tal maneira que me atrevo a propor que façam dessa “avenida” um local de interesse turístico, ou melhor um monumento, coisa por aqui quase inexistente, seria inovador, além disso seria um excelente monumento à mediocridade, à boçalidade e à suma porcalhice dos habitantes dessa localidade cujos hábitos de higiene se aproximam dos hábitos terceiro mundistas mais repugnantes.

Foram apenas dois exemplos, milhares de outros haveriam, que ilustram o quão medíocres e boçais somos enquanto sociedade, ainda ontem li um “post” numa rede social onde um cidadão irado vociferava contra a polícia que estava a multar os camiões e tractores que circulam com excesso de peso e com as cargas destapadas, uma e outra ocorrência são perigosas, mas o cidadão lá se queixava, dizendo que “multam os agricultores que lhes põem comida na mesa”, como se um facto servisse de justificação intelectualmente capaz para o outro, mentalidade difícil a desta gente, exemplo clássico da mediocridade, da boçalidade e desta maneira muito “tuga” de ver o mundo sempre da perspetiva pequenina e redutora do umbigo.

Com todos estes exemplos, e mais que existem, farto-me de rir quando os vejo a exigir prestações de excelência, exigem os ministros, que deveriam ser os primeiros a estarem cientes da mediocridade geral, eles que são expoentes máximos dessa mediocridade, exige depois o povito que lhes segue os exemplo.

Exigem alunos de excelência, em escolas miseráveis sem condições onde os miúdos vegetam enterrados até às orelhas em programas cretinos, enquadrados por professores velhos, gastos assoberbados por burocracias e papeladas estúpidas dimanadas de ministérios geridos por cretinos, é a esta gente que se exige excelência, um país que gasta mais dinheiro em “politiqueirices”, em “estudos” e em “senhas de presença” do que com Educação ou Cultura, exige excelência. Que medíocres somos.

Mais, fartei-me de rir recentemente, quando exigiam medalhas aos atletas olímpicos, um país que tem zero política desportiva, um país que quase não investe no desporto, excepto no caso do futebol onde miraculosamente chovem recursos. Mas o mais terrível desta enorme tragédia radica no facto que muitos destes episódios anedóticos e mirabolantes que autor algum da melhor ficção conseguiria engendrar, são tidos por absolutamente normais, os habitantes deste país convivem com estas, muitas, aberrações com a maior das normalidades, nada os faz esboçar o mínimo esforço de atingir e ou exigir que o país atinja um patamar mais elevado de civilidade, para a gentalha medíocre que compõem este país, todas as aberrações são tidas por normais.

É portanto este género de país que exige excelência quando a não tem enquanto sociedade, bem antes pelo contrário, o que mais temos é mediocridade e boçalidade disso podemos exportar, tendo sucesso garantido nessa ventura. Que medíocres somos.

Francisco Pereira

 

 

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