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AUTÁRQUICAS, UMA PROCISSÃO DE HORRORES…

13-08-2021 - Francisco Pereira

E de novo estamos em período eleitoral, desta feita, eleições autárquicas, de novo seremos importunados, pelas caravanas, arruadas, chinfrineiras e demais cretinices próprias deste tipo de eventos medíocres.

De novo, se encherão os passeios com engulhos metálicos com as carantonhas, bizarras dessa tropa fandanga autárquica, cartazes gigantescos com dichotes mais ou menos parvos encherão as nossas estradas e ruas, as nossas caixas de correio ver-se-ão invadidas de lixo politiqueiro, verdadeiros tratados de patranhice que nos entopem a caixa do correio, as trapaças são mais que muitas, mas passadas as eleições depressa os promitentes as esquecem, retomam o circo anterior e as suas agendas que se cingem as mais das vezes apenas ao quadriénio seguinte, que lhes vai permitir encher os bolsos um pouco mais.

Os autarcas são a epítome da bandalheira nacional, e digo isto bem sabendo que ao generalizar estou a ser injusto para com os bons autarcas, os honestos, os capazes, os competentes, mas esses, são infelizmente demasiadamente escassos, o mais é gentalha torpe, acolitada por uma chusma ainda pior, os vereadores, um verdadeiro lodaçal composto de gentalha medíocre, mal formada, inepta e incompetente que muitas das vezes ainda piora o que já é mau, com os seus egos desmedidos e inexistentes qualidades pessoais, excepto claro está o facto de possuírem os cartões partidários das várias cores que lhes abrem as portas para os seus pequenos feudos onde criam as redes tentaculares de clientelismo pútrido e corrupto que corrói o âmago deste pobre e cada vez mais miserável país. Mais um vez generalizo, pedindo desculpa aos bons elementos que compõem as vereações dos municipios nacionais, que não se podem rever nesta caricatura que faço, infelizmente são de menos, esses, os capazes, esses os competentes, os moralmente saudáveis, os que fazem da ética e da decência os paradigmas da excepção que são num mar oceano imenso de lixo partidário que conspurca a gestão local deste pais com negociatas, putarias, rebaldarias e todo o tipo de atropelos.

Se eu pedisse a cada um dos leitores do Notícias que me relatassem um caso envolvendo gentalha desta lá das suas terras, estou seguro que encheríamos rapidamente centenas de páginas, claro que poucos desses casos poderiam ser provados dado que nessas casas da mentira que são os tribunais, o que menos interessa são a verdade, a Justiça ou o sofrimento das vítimas, por conseguinte não conseguiríamos provar nada, mesmo aquilo que se provasse seria facilmente destruído pelo polvo malévolo que mina as nossas instituições.

E toda esta ridícula pandemia de imbecilidade, se passa sob o seráfico e manso beneplácito de um poveco murcho, um povaréu mole, sem tutano, desprovido de coluna vertical, ele próprio avesso à decência, mesmo quando por ela clama, preferem as bebedeiras, as santinhas e as velas acessas em altares igualmente podres de indecência, continuamos a ser um povinho sonso, que não reclama, que não exige, que deixa a defesa dos seus direitos sempre nas mãos dos outros, ainda assim tenho esperança que isto um dia mude, infelizmente por agora é isto, este marasmo, onde a chusma autárquica e as máfias partidárias que os sustentam e dos quais se alimentam, continuam qual gado tresmalhado a correr pelos campos figurados das imensas charnecas da corrupção, do nepotismo e das oligarquias caciqueiras que há centenas de anos moldam, mal, este pobre país.

Ainda um destes dias no mural público de um destes medíocres politiqueiros podíamos ler que o homem fora convidado para ir à inauguração de um espaço comercial, com a respectiva fotografia do local, será que esta gente não sabe o que significa a palavra “ética” ou “deontologia”, acaso o caro leitor ache que este tipo de comportamento é adequado e normal, se quer um conselho vá tratar-se porque os seus conceitos morais estão seriamente afectados.

Infelizmente é em lixo desta igualha que lá para vinte e tantos de Setembro, os eleitores se afadigarão a votar, pior, é ter de gramar com as arruadas, com a chinfrineira dos alto-falantes, as musiquetas enjoativas, mais as procissões de sabujos de bandeirinha ao ombro, percorrendo as ruas de cidades, vilas e aldeias aos aos magotes, caninamente seguindo o chefe, distribuindo o lixo eleitoral pelas portas, importunando as gentes, nem um café podemos tomar em condições sem que nos apareçam estas avantesmas, aos quais posteriormente serão concedidas benesses, como paga do apoio claro está, numa das mais pulhas e miseráveis manifestações da escroqueria a céu aberto a que este país chegou. Pior ainda são os eleitores, que acham tudo isto normal, racional e aceitável.

Francisco Pereira

 

 

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