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VACINAÇÃO

14-05-2021 - Henrique Pratas

Ontem dia 10 de maio de 2021, calhou-me a mim levar a 1ª dose da vacina para prevenir o COVID19, mas recebi um SMS às 8h24m do mesmo dia para me dirigir ao pavilhão onde estava a ocorrer a vacinação, com a hora marcada para as 14h04m.

Estão a var como é que o funcionamento desta organização desorganizada, senti-me como no dia em que fui à inspeção militar obrigatória.

Bem, mas lá me despachei e às 10 horas estava lá, chegado ao local pelo qual optei ser vacinado foi confrontado com a maior desorganização possível e imaginária. Eu por mim como não me calo resolvi a minha situação rapidamente, mas vi muita coisa com a qual não concordo, nomeadamente o facto de não existir uma fila prioritária para quem estava de cadeira de rodas ou possuía mobilidade reduzida.

Por mim ainda deixei passar 2 ou 3 pessoas há minha frente mas, quando vi tanta desorganização, resolvi as coisas há minha maneira.

Como não tinha a certeza se o meu nome constava das listas, dado que tinha sido convocado em cima do acontecimento, tentei falar com a coordenadora daquele ponto de vacinação. Dirigi-me ao segurança e disse-lhe que queria falar com a responsável por aquele dia de vacinação, o segurança foi e quando regressou disse-me, porque a senhora não se dignou vir falar comigo, se tem o SMS entre se faz favor, o segurança foi muito educado comigo, pois não podia ser doutra maneira porque eu não fui mal-educado com ele.

Faço o que ele me diz. Sem deixar de ouvir que uns têm padrinhos e o que os deles já tinham falecido há muito tempo, não liguei porque não ligo a provocações, ideias gosto de as debater, provocações já lá vai o tempo.

Bem lá fui para mais uma fila de espera, para confirmarem se o meu nome constava das listas ou não as 11h30m aproximavam-se e eu começava a dizer mal da minha vida porque estava a ver que não saía de lá antes das 12 horas.

Neste compasso do anda e não anda ainda deixei passar várias pessoas há minha frente porque umas estavam de cadeiras de rodas e outras estavam com dificuldades de locomoção e como tenho olhos na cara e ainda penso nos outros, decidi de modo próprio dar prioridade àquelas pessoas, não precisam o que me digam o que devo ou não fazer, mas entendo que a “organização” deveria ter criado um corredor prioritário para as pessoas que se encontravam na situação em que descrevi, mas como não o fizeram eu próprio decidi em função do que entendia ser correto a minha tomada de posição.

Mas para poderem verificar que as pessoas são humildes quando são bem tratadas, muitas delas não queriam aceitar, mas eu insisti e muito a custo elas lá fizeram o que lhes disse.

Feito o check-in, dirigi-me para uma ala do pavilhão onde nos mandavam sentar para preenchermos um formulário muito simples e aí dei-me conta do País real uma folha A4, para preencher com o nome das pessoas, a Unidade de Saúde a que pertenciam, data de nascimento e um questionário onde se pretendia saber se tinham ocorrido algumas situações que pudesse impedir as pessoas de levar a vacina fui confrontado com a situação de a maior parte das pessoas não saberem preencher o documento, simples para mim, porque a maior parte delas só sabiam escrever o seu nome e alguns números. Este sim é o País real e não aquele que querem fazer que pensemos que é outro, ou mal ou bem temos que saber lidar com estas situações e como imaginam esta incapacidade atrasa muito um processo que se quer que seja célere, mas acho que ninguém pensou nisto. Para resolver esta situação andavam por lá algumas auxiliares a ajudar as pessoas, umas delicadas outras nem tanto.

Eu não levei caneta pois pensei que lá chegado me davam o material que fosse necessário para o preenchimento do referido formulário. Quando vi que nem ninguém me dava uma caneta dirigi-me a uma auxiliar e pedi-lhe que me facultasse uma caneta para poder preencher o documento, tive como resposta um “Vai já”, dito de uma forma tipo sargento, não gostei, mas como precisava de preencher o documento, passados uns instantes dirigi-me de novo há referida auxiliar, existiam outras mas para ver até onde é que ia a má educação da dita, voltei a insistir junta dela o acesso a uma caneta, a resposta foi igual, “Já vai”, aqui já fiquei a poucos passos de pedir o livro de reclamações, porque entendo que isto não são maneiras de falar com as pessoas, entretanto uma outra pessoa que estava para ser vacinada, esta já na fase da segunda dose, pessoa que eu tinha deixado passar à minha frente questiona-me o senhor precisa de uma caneta,” respondi-lhe de imediato sim minha senhora se faz favor”, entretanto a referida auxiliar tem o azar de passar perto de mim e eu não perdi a oportunidade de lhe agradecer o empréstimo da caneta, ela baixou a cabeça e nem ai nem ui, foi a sorte dela porque senão de facto o livro de reclamações vinha para a minha mão e escreveria o que entendesse. E porque é que eu tomava esta medida, porque sei que eles não gostam de ter reclamações porque eu inscrevi-me através do portal do cidadão que chega diretamente ao Coordenador da vacinação e de certeza que iria fazer mossa, mas adiante eu não desejo mal a ninguém só que não gosto que as pessoas sejam mal-educadas.

Entretanto fui vacinado e fui para outro local agora para esperar 30 minutos para ver se tinha alguma reação adversa. Enquanto esperava e como presto atenção a tudo na sala de espera estavam dois plasmas a passar publicidade sobre a obra realizada pelo Município nos anos anteriores e com a obra programada para 2021, aí senti de novo a vontade de reclamar, já não bastava ter levado uma injeção como depois ter que levar injeções sobre o que se passava ou iria passar no Município, até que me lembrei que vão ocorrer eleições autárquicas e nada melhor que utilizar aquele espaço para inicio de campanha, porque as pessoas tinham que esperar pelo menos 30 minutos e este período de tempo poderia ser muito bem utilizado para “injetarem” mais umas promessas que nunca irão ser cumpridas, mas que dão ao titular do cargo de Presidente do Município mais protagonismo. E eu, a pensar só me faltava esta agora, o que vale é que eu não dei muita atenção ao que faziam passar nos plasmas, dediquei-me mais a falar com as pessoas para poder avaliar o que lhes ia na alma e todas com que eu falei me diziam há boca pequena que todo aquele processo estava mal organizado, mas tomar outra atitude não o faziam porque tinham medo de represálias.

A liberdade de expressão ainda não chegou a todos e muitos têm medo de dizer o que pensam e o que acham porque têm medo das consequências, recordo-lhes que estamos a 11 de maio de 2021 e ainda existem pessoas que estão condicionadas, presas a preconceitos e práticas muito pouco recomendáveis.

Esta sim é a realidade do País e não aquilo que os órgãos de comunicação e quem escreve neles nos querem fazer passar para que acreditemos naquilo que não é verdadeiro, existe muita desinformação e a título de exemplo dou-lhes nota de uma última notícia que correu em todos os canais de televisão e que se referia à possibilidade de um satélite colocado em órbita lunar pelos chineses, pudesse vir a cair em território nacional.

Esta não notícia só pode ter sido dada por desconhecimento, porque todos nós sabemos que todo este tipo de nave não tripulada assim que entra na órbita terrestre se desintegra em pedacinhos não cansando quaisquer tipo de danos onde caia.

Henrique Pratas

 

 

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