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Ensinar Hoje – que vantagens!

03-10-2014 - Eurico Henriques

A questão do ensino é uma prioridade que se tem vindo a desenvolver, trazendo vantagens que são verificáveis num tempo mais dilatado. O que quer dizer enriquecimento depois de se conseguir implementar as mais-valias que se conseguiram.

É costume, ou talvez hábito, dizer-se que a escola não ensina ou que não ajuda. As reações à realidade desenvolvida nos espaços de aprendizagem demonstram, pelo contrário, a validade dessa mesma aprendizagem e do poder que dá.

No passado dia 26 de setembro, no Cine Teatro, fez-se a entrega dos prémios atribuídos aos alunos das escolas EB23 e Secundária do concelho.

Tivemos a oportunidade de assistir à chamada dos alunos e sua apresentação. Esta cerimónia merece uma reflexão. Não basta falarmos ou fazermos a apologia da aprendizagem e do seu ensino só porque faz falta. O que é necessário, no meu entender, será encontrar a justificação prática desse ato.

A escola em Almeirim aparece com as medidas de pombal para o ensino. Nos finais do século XVIII já existia uma aula. Assim parece-me de estabelecer uma relação entre a oferta escolar e a procura dessa mesma escolarização – há quem fale em alfabetização mas considerando que esse termo identifica os que são portadores do conhecimento da utilização dos fonemas e grafemas, o que não significa ignorância para os outros, prefiro falar de escolarização, na nossa região.

Essa aula que começa por existir não comportaria mais do que 30 alunos. Há época a população de Almeirim não excedia os 1200 habitantes. Normalmente, em termos de percentagem, podemos considerar que cerca de 20% seriam jovens em idade escolar. Isto dará cerca de 240 crianças para a escola quando a oferta seria de 12%.

No ano de 1840 o professor de Almeirim pede à Câmara a gratificação de 10$000 reis, de acordo com a lei, pois já tinha mais de 30 alunos.

O advento da república marca uma transformação. As câmaras reclamam mais professores. O que acontece no concelho. Então existia uma sala de aula em Almeirim para o sexo masculino e outra para o sexo feminino, uma classe mista nas Fazendas e outra em Benfica.

Não quero fazer o historial do ensino, tarefa a que me propus há tempos, mas pode-se acrescentar que em 1913 indicava-se que em Almeirim havia 594 crianças do sexo masculino e 600 para o feminino (já inclui os das Fazendas) e para Benfica 165 e 146, respetivamente.A criação de mais um lugar para Almeirim, para o sexo masculino vai permitir avançar com a construção de um novo espaço escolar, junto à Igreja do Divino Espírito Santo que já funcionava como escola.

Será no início dos anos 30 que abre a Escola da Raposa. Em 1933 a Câmara delibera pedir a criação de dois lugares para o sexo feminino. Para isso fez-se a transformação do 1º piso da dita Igreja – que estava transformada em moradia de um professor – criando as duas salas, que entram em funcionamento em 1934. Depois das Escolas de Paço dos Negros, Marianos e Cortiçóis, só em 1960 se pede a construção de mais espaços escolares: 8 salas para as Fazendas, 1 para o Arneiro da Volta e uma para os Foros de Benfica.

Atendendo à população escolar do concelho, podemos afirmar que a oferta escolar não correspondia às necessidades. A escola chegou tarde a toda a população. Facto praticamente consumado com o 25 de abril.

Assim, quando falamos nos nossos jovens e na sua necessidade de aprendizagem, é de se ter em consideração que a riqueza de conhecimento que se perdeu, durante um tempo demasiado longo, constitui um incentivo para a melhoria do ensino e para o justo reconhecimento devido a quem progride.

Nessa noite da atribuição dos Prémios do Melhor Aluno, estive algum tempo em conversa com uma senhora, já da minha idade: Eu era boa aluna na escola primária. Tinha sempre muito bom. Quando acabei a 4.ª classe a professora chamou o meu pai para lhe dizer que eu devia continuar. Eu queria. Mas o meu pai disse que estudar era para os ricos. Fiquei em casa e deram-me uma máquina de costura.

Eurico Henriques – Mestre em Ciências da Educação.

 

 

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