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CRITÉROS DE VACINAÇÃO

26-02-2021 - Henrique Pratas

No passado dia 20 de fevereiro do corrente ano, fui com a minha sogra para se vacinar contra o COVID-19, aminha curiosidade era muita para ver como as coisas estavam organizadas. Ela foi chamada porque tem 87 anos e a minha mulher deu o “empurrão” necessário para que se agilizasse o processo e lá fomos nós em dia de chuva torrencial, que não dava vontade nenhuma, mas como o medo está generalizado na maior parte das pessoas a afluência era muita.

Chegados ao local de vacinação comecei a reparar em tudo, nomeadamente nas condições de acesso, como é que as pessoas se faziam transportar e comecei a notar que, bombeiros não existiam e que as pessoas ou iam pelo seu próprio pé, aquelas que conseguiam ou se faziam acompanhar por filhos ou outos familiares que se disponibilizaram em acompanhar os familiares.

As pessoas que só se conseguiam movimentar com cadeira de rodas eram os familiares que o faziam, aí a minha atenção redobrou e comecei a ver muita coisa que não gostei, em particular a falta de ajuda por parte dos bombeiros, forças de segurança ou das forças militares, nas situações em que se justificasse, mas nada disso acontecia, o que vi foi os familiares a tirarem as cadeiras de rodas das viaturas e com a utilização dos chapéu-de-chuva e com toda a atrapalhação inerente a colocarem alguém que já não se consegue movimentar sozinho a atrapalhação era muita e posso-vos escrever que o chapéu-de-chuva não serviu de nada porque as pessoas ficavam completamente encharcadas com a quantidade de chuva que caía.

Quem acompanhou a minha sogra, foi a minha mulher porque como ela trabalha na Saúde e oficial do mesmo ofício ia com a intenção de ver como estavam a decorrer e então deparou-se com uma situação que não tinha ocorrido com ela quando esteve em Loures a participar neste processo de vacinação. Em Loures o Município criou as condições mínimas e necessárias para que os profissionais que lá permaneceram durante as horas em que estiveram a fazer a vacinação estivessem confortáveis, como também se dignaram a providenciar refeições ligeiras quer para os profissionais de saúde que lá estavam, como para os utentes que lá se deslocaram para fazer a vacina, no local onde a minha sogra se deslocou, noutro Município da área de Lisboa e Vale do Tejo, já não fizeram a mesma coisa, isto é não criaram as melhores condições de acesso, retirando os pins que se encontravam em frente do Pavilhão, apesar da Direção-Geral de Saúde o ter solicitado, não criaram as condições para que os profissionais da saúde, que ali estavam tivessem as mínimas condições de trabalho e não se dignaram a providenciar qualquer tipo de refeição, nem para os utentes nem para os profissionais de saúde.

Muitos dos utentes, deslocaram-se em táxi, tanto para se deslocaram ao posto de vacinação como para regressar a casa, porque tinham dinheiro para o fazer e aqueles que não tinham como é que fizeram, provavelmente não puseram lá os pés e um destes dias estamos a ouvir da boca da senhora ministra da saúde que os utentes não compareceram há chamada para a vacinação.

Desde já lhe escrevo antes de fazer esta anunciação analise as causas e depois fale.

As tão afamadas e proclamadas distâncias de segurança não estavam asseguradas, provavelmente ninguém se lembrou que estamos no Inverno e que por vezes, chove copiosamente como aconteceu no passado sábado, mas isto são coisas de somenos importância para os senhores que têm poder de decisão na condução de todo este processo.

Estes Municípios não distam muito pouco um do outro, as cores políticas é que são diferentes, onde a minha sogra se deslocou pertence ao PS e no outro o Presidente é da CDU.

Dado que esta vacina pode causar algumas reações, obviamente que a mina sogra não foi para a sua casa mas sim para a nossa residência onde passou o fim de semana, não fosse ter alguma reação não esperada e aqui questiono-me quantas pessoas por este País inteiro são tratados desta forma e o que é que o Estado faz para promover estas atitudes de solidariedade?

A forma de atuar não deveria ser diferente de Município para Município, mas lamentavelmente são e eu não sei o que se passa pelo País inteiro mas bastou-me conhecer estas duas situações e pensei, o Costa anda a gastar na farinha e a poupar no farelo como é hábito.

Para terminar dou-vos conhecimento que neste dia muitas vacinas tiveram que ir para o lixo porque não apareceram todos os utentes que foram supostamente convocados e escrevo supostamente porque não sei como é que este processo está a decorrer apesar de ser público a maior parte de nós não sabe como é que o mesmo está delineado e como é que as pessoas são convocadas.

Eu que tinha alguma “fé” que com um militar a coordenar este programa de vacinação, tenho que chegar há conclusão que o mesmo não está a decorrer como eu acho que devia decorrer, a falta de organização e planeamento é muito grande e reflete com a maior clareza o estado a que nós chegámos de “bandalheira total”, em qualquer processo que seja necessário unir esforços, nunca aprendemos a viver em sociedade e nunca seremos capazes de o fazer, porque abandalharam isto tudo e agora não há nada a fazer a não ser tentar passar entre os pingos da chuva.

Tudo o que assisti foi perfeitamente lamentável e escusado, porque se as coisas fossem minimamente planeadas, organizadas e fossem envolvidos todas as pessoas que estão a operacionalizar esta promoção da vacinação rápida e segura estas coisas não aconteciam, mas não, nós cá criamos quintas e não partilhamos a informação que deve ser conhecimento de todos.

É legítimo que um processo público de vacinação não seja conhecido pelos cidadãos deste País? Claro que não é, aliás no dia de vacinação da minha sogra que tem a idade que vos indiquei, não deixei de reparar que existiam pessoas mais novas, já a ser vacinadas e daqui decorre mais uma questão, sobre que tipo de critério é que está a ser utilizado, eu já ouvi muitos critérios uns em função das idades, outros em função do exercício de cargos políticos, outros juntando uns e outros e finalmente a mistura dos dois e depois assistimos todos os dias a detentores de cargos públicos a “furarem” o esquema que se encontra delineado, mas que NÓS DESCONHECEMOS, sendo um ato público, na minha opinião deveria ser do conhecimento geral, mas como não o é dá origem às maiores especulações possíveis e imaginárias.

Se algum dia neste País se tratar de qualquer tipo de processo de forma transparente vamos todos ficar mais tranquilos e sabedores de como atuam os gestores da rege pública, isto é da coisa pública que é de todos nós, contribuintes.

Henrique Pratas

 

 

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