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COERÊNCIA, PLANEAMENTO E ORGANIZAÇÃO

05-02-2021 - Henrique Pratas

Bem que vos gostaria de vos escrever sobre coisas agradáveis, mas os tempos que vivemos não me possibilitam que o faça.

Também não os quero maçar com números sobre a pandemia ou tecer qualquer outro tipo de consideração mais técnica, quero sim escrever-lhes três elementos chaves que considero essenciais e que a meu ver não têm sido seguidos à risca, ou em algumas situações nem sequer são cumpridos.

Coerência na ação no combate há pandemia, pura e simplesmente não existe, porque cada uma das entidades sejam elas pessoais ou coletivas tocam o seu instrumento para o lado que mais jeito lhe dá, e a questão coloca-se e o interesse da população onde é que fica? Ah, isso não interessa nada, o que importa é bradar aos sete ventos as comissões que já se constituíram, as reuniões que fazem que são em meu entender perfeitamente inconclusivas ou em muitos casos divergentes porque os técnicos de saúde querem seguir um caminho e os políticos outro e o que prevalece é este último e por isso estamos no estado em que estamos, mas como já ouvi, não podemos fazer mais do que o que estamos a fazer. Eu fico espantado quando oiço isto, porque aqui há uns tempos um responsável político afirmou que estavam a acompanhar o que se passava na Austrália, que devido ao seu fuso horário e a diferença de estações do ano nos podia servir de indicador e poderíamos seguir o que estava a fazer para antecipar o que se previa que viesse a acontecer neste pequeno País. Pois é na Austrália a situação está perfeitamente controlada e nós aqui andamos no triste estado em que todos sabemos, com os media a “vomitar” números atrás de números diariamente quando o que seria importante era dar importância às PESSOAS. Uma vez mais não soubemos ou não quisemos copiar o que de bom se fez na Austrália, e uma conclusão podemos inferir é que nem copiar sabemos, se é que tínhamos dúvidas disso. Nós somos francamente maus em tudo, não somos coerentes, não sabemos planear e em termos de organização nem é bom falar.

Quanto ao planeamento, andamos a ziguezaguear, um dia os políticos e as entidades públicas que se rodearam para o combate há pandemia, um dia dizem uma coisa, logo a seguir fazem o seu contrário e os cidadãos o que é perfeitamente natural ficam confusos, descrentes e começam a não acreditar em nada e entregam o seu destino à sorte.

Exemplo disto foi o fecho tardio dos estabelecimentos escolares, que apenas por teimosia não foram fechados mais cedo. Eu estou perfeitamente à vontade para lhes escrever isto porque quando participei na preparação da abertura do ano letivo 2020/2021, ouvi muitas vozes ligadas a este Governo dizerem que as Escolas não se podiam fechar porque, e pasme-se, como iriamos assumir a Presidência da União Europeia no 1.º semestre de 2021, teríamos que ser melhor que os nossos antecessores, Alemanha, eu ri-me interiormente na altura e pensei que estavam completamente doidos, lamentavelmente não me enganei. Mas como ninguém gosta de ficar mal na fotografia, vão ver que ainda se vão arranjar uns feitos para que sejamos elogiados, quando a meu ver não existem nenhuns motivos para isso, aliás vamos receber ajuda dos alemães em termos de equipamento hospitalar e de pessoal de saúde, para fazerem o favor de nos ajudarem, não é que nós não necessitemos, porque somos uma economia forte e com uma estrutura forte para aguentar o que ainda está para vir. O que nós estamos a fazer é dar a possibilidade aos alemães e austríacos de poderem ser solidários connosco, mas não era necessário, porque nós por cá estamos perfeitamente “organizados” e capacitados para podermos enfrentar o combate ao COVID-19.

Relativamente há organização, nós estamos a improvisar muito bem, o que nos vale são alguns médicos, enfermeiros, administrativos e auxiliares hospitalares e dos Centros/Unidades de Saúde que têm feito das tripas coração e que gostam do que fazem porque, não fora esta responsabilidade intrínseca a cada um deles e o sistema já teria colapsado.

Existe um “rapaz”, muito bem-falante e bem-apessoado, afeto ao PSD e que tirou 24 horas por semana para exercer as suas funções de médico no Hospital de Cascais, nem poderia ser noutro Hospital, que na televisão afirmou um dia destes que passou que no período em que tinha estado a prestar serviço nos cuidados intensivos tinham falecido 8 doentes e ele produziu esta afirmação com ar pesaroso, com aquela carinha de bebé chorão e muito aborrecido com a situação pela qual tinha passado, afirmando mesmo que estava exausto e extremamente cansado. Um dia depois veio-se a saber que apenas tinha falecido uma pessoa e que o discurso do político/médico estava inquinado de falsas informações. Das duas uma nesta altura, ou o “rapaz” é médico ou é politico as duas ao mesmo tempo é que no meu entender não é possível, porque não é bom nem numa coisa nem na outra e esta de estar a fazer politica há custa da desgraça alheia não lhe fica bem nem a ele nem a outro que tenha o mesmo propósito.

Para terminar faço apenas uma breve alusão ao plano de vacinação que já teve não seu quantas versões e acho que não vai ficar por aqui e não queria deixar passar em claro os “chicos-espertos”, que sendo titulares de cargos públicos, mas que não se enquadravam dentro do referido plano arranjaram esquemas para se poderem vacinar a eles, há família e aos amigos quando muito bem lhes deu na real gana e que estão relacionados com a Segurança Social e com as várias Santas Casas da Misericórdia espalhadas por este País. Na minha opinião deveriam ser imediatamente demitidos, julgados e punidos exemplarmente porque não passa pela cabeça de ninguém cometer um ato contra os princípios porque se devia pautar a gestão da coisa pública e depois ir para as redes sociais fazer a publicitação do ato que praticaram.

Estas pessoas não reúnem o mínimo de condições para exercerem os cargos que exercem.

Por outro lado tenho conhecimento que em algumas Unidades ou Centros de Saúde, são os funcionários que levam resmas de papel A4 para o serviço para que os mesmos possam funcionar, porque do organismo central de aprovisionamento lhes dizem que papel só lá para fevereiro, só que não dizem nem o dia e o ano.

Existem muito mais coisas que estão a funcionar nas Unidades/Centros de Saúde porque os profissionais que lá trabalham, não querem deixar cair a “toalha no chão”, porque senão a situação seria muito pior, aliás existem profissionais que apenas fizeram a primeira toma da vacina, quando nos órgãos de comunicação social se diz há boca cheia que todos os profissionais de saúde já estão vacinados.

Termino desejando SAÚDE para todos, cuidem-se e protejam-se.

Henrique Pratas

 

 

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