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Subsídios para o entendimento da progressão nas carreiras públicas no Reino de Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Pantaleão

08-01-2021 - Francisco Pereira

Neste nosso Reino, os servidores públicos, quer da corte central, quer das edilidades, progridem nas suas carreiras através de um sistema, parvo, de pontos, sujeitos a quotas, ou seja não ascendem todos por igual, os escalões cimeiros estarão, quiçá, apenas ao alcance de alguns poucos, alguns desses, dos eleitos, uma elite entre os escolhidos, apenas lá chega socorrendo-se de um método, que a seguir descreveremos para conhecimento dos ilustres leitores, sendo que a realidade dos servidores públicos não é toda igual como muita gentinha tonta pensa.

O conhecido método do lambe-botismo ou do cu-lambismo é o mais importante factor de progressão nas carreiras, fazendo avançar as mais das vezes gentalha medíocre e incapaz em detrimento de gente honesta e capaz, confesso que nunca assisti a um tão grande desbaratar de recursos humanos como este.

Este é o método mais conhecido e mais utilizado, existem outros, mas este é um método de larga utilização, um método que cria uma legião de apaniguados, de acólitos que diariamente pratica o cu-lambismo por todo o lado, em defesa do seu dono a quem venderam a alma.

O lambe cus é desinibido, diligente e muito cioso da sua coutada. É vê-los a dar encómios ao chefe, por tudo e por nada, “ oh que bela bufa, senhor Presidente, muito bem, que bem que o senhor se peida” dirá um lambe cus profissional, para o qual o seu dono, nunca erra, nunca tem uma má atitude, por esse motivo, os lambe cus até disputam entre si a primazia dos comentários elogiosos, por exemplo quando um qualquer autarca de uma qualquer terreola coloca numa rede social um qualquer “post” normalmente uma cretinice dispensável, é ver a longa listas de lambe cus que primem o “like” ou deixam comentários sempre elogiosos.

E no tempo em que os actos eleitorais obrigam a que essa gentalha do politiqueiredo requentado, ande de rua em rua, é ver os lambe cus de bandeirinha na mão, de autocolante com a carantonha do candidato na lapela e correndo as ruas com entusiasmo digno de um maratonista. Um cu lambista profissional jamais deixa os seus créditos por mãos alheias, seja naqueles jantares comício, verdadeiras pepineiras onde os politiqueiros vão desfilar os seus costumeiros chorrilhos de patranhas, seja em lugares públicos onde o seu dono esteja, lá estão eles, sempre prontos na primeira fila, a receber uma pequena atenção do dono, à laia das festas que se fazem aos cães mais fiéis.

Com isto tudo e o mais que se queira, os lambe cus, são o grupo de elite, que acede aos lugares, que pede descaradamente para ganhar mais e lho concedem, esqueçam coisas como o mérito, a formação ou do profissionalismo, isso não interessa nada, nem serve para nada, se um autarca estiver confrontado com a escolha entre um dos seus lambe cus, medíocre e patético, e um outro funcionário capaz e com formação, a escolha recai sempre sobre o lambe cus, e mais recai se o lambe cus for da mesma cor política desse autarca e se militar no mesmo partido ainda melhor.

E o que acontece aqueles que não praticam o cu-lambismo, esses estão tramados, não faltam disso exemplos, tenho um amigo com licenciatura, que a não vê reconhecida pelo serviço, logo não sendo enquadrado na categoria profissional correcta, apenas porque não faz vénias ao cacique autárquico, apesar da sua competência e formação é um mero subalterno, comandado por um falcato medíocre que a única vantagem que tem é ser subserviente e amigo de um dos politiqueiros lá da zona.

Outro exemplo o de um conhecido, pessoa competentíssima, inteligente e dedicado, tem sido preterido e achincalhado, apenas porque não adere ao cu-lambismo para agradar à excelsa presidenta da edilidade lá do sitio, um outro conhecido, detentor de muita formação académica e profissional, apenas porque não lambe as botas ao tiranete autárquico da sua terra, se vê relegado para uma categoria profissional medíocre e funções igualmente menores como castigo.

O lambe-botismo ou cu-lambismo é o grande método de seleccionar os funcionários que são promovidos, o grande método para separar o trigo do joio, separando os dóceis carneiros dos potenciais desordeiros que, pasmem-se, até pensam pela própria cabeça, coisa que os “chefes” detestam. É até vulgar um cu-lambista, perdendo a vergonha, se é que a tem, chegar à fala com o dono e pedir descaradamente “Quero ganhar mais” ou “Quero subir de categoria”, coisa que lhe é prontamente concedida, em detrimento de gente bem mais capaz e competente, como diz a canção, lá fora, eles nem sabem nem sonham, o que lá dentro se passa.

Francisco Pereira

 

 

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