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QUANDO UM PRESIDENTE DE CÂMARA MANDA “Pró C…” UM VEREADOR DA OPOSIÇÂO

19-09-2014 - Eduardo Costa

À luz do direito constitucional à Liberdade de Expressão e de Informação de matéria política de inequívoco interesse público, não posso deixar de assumir indignado, o imperativo cívico de escrever este apontamento de notícia.

Todos sabemos que a democracia portuguesa está podre, por ser constituída por muitos actores políticos sem a adequada categoria.

Também nos lembramos de um ministro da economia, que em plena sessão da Assembleia da República, fez um gesto obsceno com a mão dirigido a um deputado da oposição, mas que teve a dignidade de pedir desculpa e se demitir.

Julgamos ainda que o país político já bateu no fundo e que, nada pior do que o já conhecido, nos poderá acontecer. Mas é mentira, como vos vou provar nas próximas linhas.

Na reunião de câmara de Alpiarça de 10Set2014, quando decorria o período dedicado ao público, em que o presidente respondia a uma pergunta difícil colocada por um munícipe, foi interrompido por um vereador da oposição, alertando-o que estava a faltar à verdade na resposta, exortando-o a dizer a verdade.

Na sequência deste comportamento incisivo, mas perfeitamente normal no calor do debate democrático – O DIREITO AO CONTRADITÓRIO – o presidente perdeu o controlo emocional, por largos momentos, de que sobressai a sua afirmação “Vai pró c…”, dirigido a esse vereador.

Em circunstâncias normais de dignidade política, este comportamento reprovável, teria como consequência um pedido de desculpas, seguido da sua voluntária demissão, à semelhança do comportamento que o ex-ministro Manuel Pinho tomou em idêntica situação pública.

Mas nada disso aconteceu. Apesar da sessão camarária ser pública e gravada com divulgação no Youtube e em vários sites e blogs, incluindo o da CMA, em vez de um imediato pedido de desculpas público, optou por cortar parte significativa, da resposta que dava a esse munícipe e a totalidade da resposta a outro, que coincidiram com os largos momentos do seu descontrolo emocional, tendo ficado apenas gravado (presume-se que por lapso), quando já se lia o draft-rascunho da acta dessa reunião, a afirmação dirigida ao vice-presidente “Este gajo sabe que me passo quando me chamam mentiroso”.

Não deixa de ser curioso que este acto de censura (admitindo que não tenha sido falha técnica), teve origem no presidente que no início do mandato, promoveu a gravação das sessões camarárias, com compromisso de honra de que nunca haveria qualquer acto de “produção” de imagem ou som.

Assim vai a crise de valores na democracia portuguesa, onde parece que tudo vale.

EDUARDO COSTA

 

 

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