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CONGRESSO DO PCP EM LOURES - FAZ SENTIDO?

27-11-2020 - Francisco Garcia dos Santos

A 20-11-2020 foi publicada no Correio da Manhã e Jornal de Negócios uma sondagem da Intercampus elaborada para estes periódicos. E os resultados da mesma, para bem e para mal, são eloquentes para vários partidos:

Sondagem Resultados % e mandatos – legislativas 2019

 

PS: 37,1% 36,34% 108

PSD: 24,2% 27,76% 79

BE: 7,7% 9,52% 19

CHEGA: 7,3% 1,29% 1

PAN: 5,3% 3,32% 4

PCP-CDU: 4,9% 6,33% 12

CDS: 4,1% 4,22% 5

IL: 3,3% 1,29% 1

LIVRE: 1,8% 1,09% 1

De notar que o somatório das percentagens supra referidas relativamente à sondagem é de 95,7%, restando assim 4,3% que se desconhece ser atribuída a “outros partidos, indecisos e a quem não respondeu”, ou se à abstenção, o que neste último caso é muito pouco provável, pois esta tem vindo a crescer desde há muitos anos, tendo sido de 51,43% nas eleições legislativas de 2019.

Face a esta projecção e ressalvas pode concluir-se que existem 4 níveis de partidos em termos percentuais: 1º - constituído por PS e PSD, com 2 dígitos; 2º - constituído por BE, CHEGA e PAN num intervalo de 1 dígito imediatamente abaixo dos 2 mas acima de 5%;- 3º, onde se encontram o PCP-CDU, CDS, IL e LIVRE - este quase residual abaixo de 2%- com 1 dígito, mas abaixo dos 5%.

Com estes resultados, se as eleições legislativas fossem hoje, e os mesmos comprovados nas urnas, todos estes partidos elegeriam deputados, porém uns ganhando muito, outros perdendo e alguns mantendo mais ou menos o mesmo número de parlamentares, dependendo, como é óbvio, da maior ou menor abstenção, de votos brancos e nulos, e bem assim da distribuição e concentração do eleitorado de cada partido ou coligação por círculos eleitorais, sobretudo nos dos grandes centros urbanos do litoral, que são os que contam com maior número de mandatos.

Assim, embora eventualmente ganhando e perdendo em termos percentuais face a 2019, PS, CDS e LIVRE manteriam mais ou menos o número atual de deputados; PSD, BE e PCP-CDU perderiam mandatos; CHEGA, PAN e IL seriam os grandes vencedores -o primeiro com um notável aumento de 5,4%, o PAN 1,98% e o IL 2,01%, mais o correspondente número de parlamentares.

Em termos de perdas, o PSD seria o mais prejudicado, com menos 3,56%, seguido do BE com menos 1,82% e PCP-CDU com menos 1,43%.

Contudo, estes ganhos e perdas em percentagens “brutas” são enganadores quanto aos respectivos partidos, pois o “método de Hondt” usado em Portugal para a eleição de candidatos beneficia os partidos que elegem os primeiros em cada círculo eleitoral, benefício esse que se traduz no facto de o número de votos necessário para um segundo partido eleger o seu primeiro candidato pelo mesmo círculo eleitoral ser maior do que o que carece o primeiro partido para eleger o seu segundo candidato, e assim sucessivamente

Portanto, se para o PSD perder 3,56% não é muito significativo (mantendo-se no intervalo de 20% e 30%), já para o BE a perda real é de cerca de 1,2 vezes o seu eleitorado, e para o PCP-CDU de cerca de 1,43 do mesmo; mas já o CHEGA aumentariaem5,65 vezes os seus eleitores, o PAN 1,58 e o IL 2,55, já o LIVRE teria um ganho irrelevante de 0,71.

Depois, temos a manutenção da tendência decrescente do PCP-CDU nas últimas 2 eleições para a Assembleia da República: 2015 8,25%, 2019 6,33% e nesta sondagem 4,9%. Ou seja, os comunistas e seus aliados, no espaço de 5 anos, perderiam 3,35 vezes do seu eleitorado, ou então, se se quiser, cerca de mais de 1/3 do mesmo.

Há ainda a considerar a curiosidade de as perdas sofridas pelo PSD, BE e PCP-CDU não se reflectirem num efectivo aumento do PS nem do LIVRE, mas sim num substantivo aumento do centro-esquerdista PAN, centro-direitista IL e direitista CHEGA. Portanto, se algo há a retirar desta análise, é uma estagnação e perda dos partidos tradicionais com assento parlamentar, favorecendoos novos partidos, como o CHEGA, PAN, IL e, ainda que em muito menor escala,o LIVRE.

Por fim, não me admiraria que em próximas sondagens o PCP-CDU continue em perdas sucessivas. É que o comum dos cidadãos portugueses, independentemente de serem de direita, de esquerda ou de “coisa nenhuma”, não entende por que motivo, em plena pandemia de Covid-19, com todas as restrições (algumas delas muito duras) que lhes têm sido impostas, mormente de proibição de reunião e de deslocação (até para visitas a familiares), o PCP/CGTP-In tenham realizado comemorações do 1º de Maio com milhares de pessoas nas ruas em Lisboa, Porto e outras localidades, atravessando e circulando por múltiplos Concelhos, quando tal era proibido aos demais portugueses, a Festa do Avante e agora o Congresso do Partido em Loures, por sinal um dos Concelhos do País com maior risco de contágio por SARS-Cov2 e contração de Covid-19 -e nos primeiro e terceiro casos em plenos estados de emergência “reforçados”, hoje até com recolher obrigatório.

O PSD teve a sensatez de adiar o respectivo Congresso previsto para este período do ano, mas o PCP, não obstante todas as críticas públicas, na sua esmagadora maioria nem sequer provindas de adversários políticos, mas tão só de profissionais e técnicos de saúde avalisados, obstinadamente persiste na realização do seu neste fim-de-semana.

Poder-se-á perguntar: por quê tal obstinação dos comunista de usar e abusar do privilégio que a lei confere aos partidos, organizações sindicais e profissionais, e assim, a coberto do mesmo, poderem fazer o que aos seus concidadãos é proibido.

Correndo o risco de me enganar, quase apostaria 1 contra 100 de que com tais actividades o PCP quer auto-convencer-se que ainda é o tal “partido de massas”, o “partido dos trabalhadores”, com influência e força decisivas na vida sócio-política nacional, o que definitivamente há muito deixou de ser -se é que alguma vez o foi, ressalvando o período do PREC-Processo Revolucionário em Curso entre 29 de Setembro de 1974 e 25 de Novembro de 1975, e mais alguns anos da década de 1970, iniciando-se o seu declínio no início da década de 1980. Com efeito, o máximo de deputados eleitos pelo PCP foi de 44 em 1979, e a partir de então, sempre deslizante até aos atuais 10 deputados. De facto o número de deputados obtidos nos sufrágios de 1980 e seguintes foram 39 nesse ano, 41 em 1983, 35 em 1985, 29 em 1987, 15 em 1991, 13 em 1995, 15 em 1999, 10 em 2002, 12 em 2005, 13 em 2009, 14 em 2011, 15 em 2015 e 10 em 2019. Portanto, hoje, passados 40 anos sobre ter atingido o seu climax em 1979,o PCP perdeu 3/4 do número máximo de deputados que alguma vez teve.

Face a esta progressiva e acentuada perda de eleitorado, traduzido numa larga diminuição do número de deputados,mas também em mandatos autárquicos(as eleições europeias pouco contam, embora tenha 2 deputados no Parlamento Europeu), com transferências de voto para o PS, BE e eventualmente LIVRE, mais a humilhação de desde 2015 ter perdido o lugar de 3ª força política na Assembleia da República para o partido de Catarina Martins, agora, perante as sondagens que o apontam como 6º partido com expressão nacional (tendo sido por muitos anos o 3º),ultrapassado pelo CHEGA e pelo PAN, e também eventualmente, 6º em próximo acto eleitoral legislativo, o PCP encontra-se em profundo “estado de negação” -expressão usada na Psicologia e na Psiquiatria para quem se recusa a admitir uma realidade evidente, mas que lhe é negativa.

Heis pois a única explicação que encontro para a teimosia do PCP, desde 1 de Maio deste ano, se “marimbar” para a pandemia de SARS-Cov2 e consequente Covid-19 que desde Março passado assola Portugal e “castiga” os portugueses, que à hora em que esta edição estiver disponível para o leitor, já “ceifou” 4.209 votos.

Nas eleições presidenciais e autárquicas de 2021 logo veremos.

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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