Edição online semanal
 
Terça-feira 27 de Outubro de 2020  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

SILÊNCIO

25-09-2020 - Henrique Pratas

Eu tenho andado muito silencioso mas não deixei de estar atento ao que se passa, mas muito sinceramente já me cansa tanta mentira, desinformação, acompanhada de uma série de medidas de política mal decididas ou pensadas em cima do joelho e julgo que este sistema politica se encontra completamente esgotado por aqueles que até ao último segundo vão querer tirar vantagens sobre o mesmo.

Como lhes escrevi anteriormente este sistema politico, está esgotado, não temos alternativas basta ver o que acontece na Saúde, na Justiça, na Educação e no Trabalho e Segurança Social, ninguém, penso que nem os próprios que “desenham” as medidas de politica a implementar acreditam naquilo que dizem ou decretam. Não existe uma medida que seja decretada que bata certo, com o que pretendem alcançar, para colmatar esta situação surgem as decisões avulsas para tapar os buracos que foram abertos, mas como são tantas já ninguém se entende com o que se encontra em vigor.

Se lerem algum preâmbulo da legislação que vai saindo avulsa, vão reparar que se faz menção sempre ao COVID-19, se não fosse este vírus fariam menção a quê? O COVID-19 tem servido para fundamentar muitas das medidas que são tomadas e dá sustentação a muita negociata que vai ocorrendo pelo “burgo”.

Eu, estive dois meses, julho e agosto, no Instituto de Gestão Financeira da Educação em regime de mobilidade, porque fui aliciado, tendo sido aliciado por várias propostas que me fizeram, eu não conhecia de todo o organismo, mas tenho as minhas ideias sobre o que deveria ser a Educação em Portugal e vá de expor o que pensava e com a situação que estamos a viver sugeri logo em julho, na preparação do ano letivo 2020/2021, que fossem contratados cerca de 1.500 assistentes operacionais, que como devem saber são os que auferem um salário mais baixa na tabela de remunerações da função pública, mas que em meu entender seriam “atores” primordiais no arranque do ano letivo, pois são estes que estão mais próximos dos discentes e que no meu entender poderiam ter uma ação mais próximo dos jovens/crianças que estiveram confinados desde março do corrente ano. Esta minha sugestão surgiu por entender que seria necessário que fosse realizado um acompanhamento mais próximo dos alunos, pois o que lhes foi pedido na minha opinião, foi muito e tanto tempo sem estarem com os seus companheiros ou interagirem uns com os outros foi tempo demasiado para as idades em causa, logo na abertura do ano letivo 2020/2021, corria-se o risco de ocorrerem situações não desejáveis ou recomendáveis pela Direção-Geral de Saúde (DGS), muitas das situações que ocorreram no inicio seriam perfeitamente evitáveis, mas como não querem gastar dinheiro em vencimentos gastam-no e mais na recuperação de certas situações que ocorreram, mas quiseram assim e foi assim que começou, face aos acontecimentos que são públicos o senhor primeiro-ministro, anunciou na passada sexta-feira a contratação dos 1.500 assistentes operacionais para as Escolas. Não meus caros eu não falei com ela a realidade é que lhe demonstrou que era necessário tomar esta decisão que já deveria ter sido tomada antes que algumas ocorrências tivessem acontecido, mas como nós não queremos, não somos capazes, ou não podemos pensar de forma a evitar que as situação aconteçam, tomamo-las depois de elas aconteceram, é este e será o nosso destino com a classe politica que temos.

Durante os dois meses que lá estive, trabalhei das 7h30m até às 19h30m, pensava eu que conseguia mudar alguma coisa, uma vez mais enganei-me, não se consegue mudar nada porque não há interesse que isso aconteça os interesses instalados são muitos. Preparei o arranque do ano letivo de 2020/2021, a todos os níveis umas coisas a meu gosto outras nem tanto e uma delas já foi mencionada, outra foi que quando me propus analisar os dinheiros gastos com a Ação Social Escolar (ASE), desde 2010 a 2020 para poder entender a quem é que estavam a atribuir, o leite escolar, as refeições, o transporte, os subsídios, bolsas e o seguro escolar, tudo isto porque queria estabelecer uma causa de correlação da atribuição destas tipologias entre nas diferentes regiões, Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo, Alentejo e Algarve, fui quase que “impedido” de o fazer, porque provavelmente iria destapar muitas incongruências e diferenças de critérios na atribuição deste apoio escolar, para além dos vouchers que são atribuídos para que os pais possam ir às livrarias levantar os livros necessários para os seus filhos. Os “esquemas” que podem ocorrer nesta matéria são mais do que muitos, para vos poder contar todos eles, seria necessárias algumas páginas, mas para vos aguçar o apetite, escrevo-vos que os pais tentam levantar os livros com os vouchers, que lhes são dados pelas escolas em diferentes livrarias. Admiram-se então o processo passa-se da seguinte forma os pais inscrevem os alunos em várias escolas como não sabem se entram na primeira opção inscrevem mais três ou quatro opções e quando saem as colocações se o aluno é colocado na primeira opção os pais apressam-se a ir à escola levantar os vouchers para os livros dos filhos, mas também não deixam de ir às outras escolas onde se inscreveram e também foram aceites solicitar os referidos vouchers. Quando isto não é feito rapidamente o sistema só permite levantar os vouchers numa das escolas, mas quem é “profissional” nesta matéria faz tudo no mesmo dia vai a diferentes escolas e emitem-lhes os vouchers, porque os alunos foram lá colocados. Cá está a prova de que o nosso País é para os expertos e não para os inteligentes e como estas existem muitos mais expedientes, como lhes escrevi.

Foram dois meses, onde aprendi mais um bocadinho e só não fiquei lá porque me fizeram promessas que não foram cumpri elido muito mal quando me prometem coisas que não cumprem e isto é detetei logo nos primeiros 15 dias de julho, porque eu fiquei cheio de trabalho com os Relatórios de Execução desde 2010 até 2019, para proceder à recuperação da muita informação que é necessário para gerir aquela casa, mas como gosto de trabalhar, não disse nada e vá de por mãos à obra e fazer o que me pediram, mas não deixei de olhar para os lados e comecei a ver que umas pessoas vinham uma semana, não vinham na outra e os comentários da segurança, quando entrava e lhes dava os bons-dias e quando saía as boas-tardes, eram elucidativos do que eu pensava, os comentários eram: “O Dr., é sempre o primeiro a chegar e o último a sair”, ora isto para bom entendedor basta passou-se o mês de julho e eu consolidei as minhas certezas, nesse mês realizei mais 28 horas de trabalho, do que o estabelecido, mas quando quero fazer alguma coisa não olho para as horas, ou seja mais 4 dias de trabalho do que o necessário e os outros numa regime de trabalho semanal e outros nem isso só lá iam quando haviam reuniões. Ainda pensei que em agosto me dessem pelo menos a oportunidade de gozar um dia, mas não ninguém me disse nada, só que em conversas de “corredor” vi a saber que existia essa prática, no dia 5 de agosto saltou-me a tampa e falei para os recursos humanos, porque eu só sou parvo até uma certa altura e no dia 5 de agosto questionei-os de forma exaltado, esta foi a forma como eles a classificaram da minha interlocução. Eles que estão no 3.º andar e eu que estava no 5.º, deram-se ao “trabalho” de subir para falarem comigo.

Este comportamento só ajudou a sedimentar a decisão que já tinha tomado e que era a de pedir a minha cessação de mobilidade, que eles queriam que fosse por 18 meses, com promessas de aumento salarial e de lugar estacionamento, coisas que nunca se concretizaram e eu vi que foram apenas promessas, esperei ainda até ao dia 17 de agosto e nesse mesmo dia apresentei ao Presidente a minha carta de cessação de mobilidade, sem que desse conhecimento da mesma à pessoa que supostamente era a coordenadora do núcleo onde estava, pois ela também me pregou a partida de ir 15 dias de férias, sem me dizer nada e eu ter lá ficado sozinho a “aguentar” o barco. Para mim já tinha visto filme todo, caramba há mais de 40 anos que trabalho e já vi muitos filmes destes, fui aliciado, convenceram-me bem, venderam-me a ideia de um projeto que queria abraçar e trabalhar nele com seriedade como faço tudo na vida, mas quando chegámos aos factos não era aquilo que me prometeram e eu não gosto deste tipo de tratamento e saio imediatamente fora, mesmo que hipoteticamente no futuro possam vir a fazer tudo o que falaram, comigo as coisas tomam logo o seu rumo ou então não contam mais comigo e esta minha maneira de ser não é de agora já é dá muito tempo, acho que sou assim desde que nasci, não me vendo por nada deste Mundo, mas não me prometam nada que depois não possam cumprir, porque aí eu saio imediatamente.

A este propósito posso-lhes contar uma outra história que aconteceu comigo por volta dos 15 anos, acabadinho de tirar o Curso Comercial, arranjei um emprego aqui por Lisboa para ganhar mais uns cobres, mas disseram que era uma coisa e depois de me apanharem era outra. O que se passou foi o seguinte existia uma empresa na Avenida Almirante Reis, que ao tempo enviava para as pessoas que saiam nas colunas sociais os recortes de jornais e revistas onde essas personagens apareciam, esses pedaços de papel eram recortados por alguém que eu não nunca soube quem era e depois o que havia que fazer era colá-los em postais de correio, escrever o nome do destinatário e colocar os postais nos marcos do correio, que estão em vias de extinção, quando me apercebi do que estava a fazer e que não era nada do que me tinham dito que ia fazer comecei a colar noticias que não eram para o destinatário cujo nome era aposto no postal de correio e a enganar-me de propósito nas colagens que me pediam para fazer tendo-se algumas delas inadvertidamente rasgado em conjunto com os postais, em suma causei algum prejuízo, mas a intenção era mesmo essa para ver se me mandavam embora pois ao tempo não necessitava daquilo para nada e não queria estar no mesmo espaço onde estava um censor da PIDE, que só me apercebi depois, a verificar o que vinha para a rua e assim foi fui dispensado, não me pagaram nada, mas ainda bem, nunca gostei de dinheiro sujo, o meu pai ao tempo ainda foi bater há porta dos donos da empresa para me pagarem o que deviam, eles recusaram-se, o meu pai ficou também a saber que o seu filho tinha razão aquela gente não prestava.

Para terminar como comecei eu ando muito calado e cada vez mais afastado do que se está a passar no País, não estou alheado, mas acho que já percebi tudo e nada me admira, o sistema politico em Portugal está falido, quiseram trilhar este caminho foram e têm sido avisados, não querem mudar, amanhem-se como se costuma dizer.

Não perdi nenhum dos episódios que passou na RTP 1 da “ Alta Fidelidade” das “ 3 Mulheres” e por fim da “ SNU” e escrevo-vos que nunca esperava ver, tão bem retratados em vida, episódios que eu vivi ao vivo e cores, como é moda agora dizer-se, na “ Alta Fidelidade” os músicos vivos que fizeram crescer este País e escreveram algumas letras de canções que apenas passaram pelo crivo da censura, devido à ignorância de quem as lia e depois a gente nova que aparece a cantar à sua maneira músicas dos mais “velhos”, desconstruindo a forma como eles a cantaram e “vestindo-as” de uma roupinha mais recente sem lhe retirarem o conteúdo. No que se refere às “ 3 Mulheres” a descrição dos factos foi mesmo a que viram, naqueles tempos nada dividia as pessoas o objetivo comum era derrubar o regime, na altura já decadente. Atrevo-me mesmo a comparar a situação da altura ao momento porque estamos a chegar, ou ao que chegámos, para mim não existe diferença nenhuma a não ser a de não existir uma Guerra-Colonial, os atos, as atitudes, as decisões judiciais, a postura das forças de segurança, no que concerne ao abuso do poder são rigorosamente iguais, com uma grande diferença para pior, ao tempo as pessoas tinham um objetivo comum, derrubar um regime, agora, na minha opinião, não têm objetivos, a não ser o de sobreviver, porque para os militares está tudo bem ganham bem não têm Guerra, compram-lhes uns “brinquedos” que lhes dão pouco uso, para não estragarem e estamos nisto, agora falamos do caso Lex, mas dos outros casos de justiça já ninguém ouve falar, Sócrates, Novo Banco, Arlindo Cunha, João Rendeiro, Ricardo Salgado, EDP, estão “guardados” na minha opinião para um momento mais adequado que serão as eleições ou então estão esquecidos para sempre.

Henrique Pratas

 

 

 Voltar

Subscreva a nossa News Letter
CONTACTOS
COLABORADORES
 
Eduardo Milheiro
Cordenador
Marta Milheiro
   
© O Notícias de Almeirim : All rights reserved - Site optimizado para 1024x768 e Internet Explorer 5.0 ou superior e Google Chrome