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Sábado 15 de Agosto de 2020  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

Racismos, ismos e mais ismos…

31-07-2020 - Francisco Pereira

Começando pelo início, impõe-se a resposta a uma questão prioritária e de resposta fácil; É Portugal um país racista? De caras vos respondo, com um anafado NÃO!

No entanto é óbvio que existe racismo em Portugal, claro que sim, até pelo passado histórico dá para perceber que tal sentimento humano, essa repulsa pelo Outro, por aquele que é imaginariamente diferente, existe. Como existe, infelizmente em todas as sociedades do Mundo, o que importa então é continuar afincadamente a combater essa mácula com Educação, ensinando a tolerância e o respeito pela dignidade humana, fomentando a empatia mas exigindo igualmente o respeito pelos deveres e Leis nacionais.

Quando cumpri o serviço militar, pertencia ao pelotão que eu comandava um rapaz preto morador num daqueles bairros ditos problemáticos da grande Lisboa, esse rapaz, o soldado Teixeira, oitavo de doze irmãos, todos nascidos em Portugal apesar dos pais serem oriundos de São Tomé, foi a pessoa que melhor me conseguiu explicar o racismo, numa conversa a propósito do que era viver num bairro periférico e mal conotado de Lisboa, a propósito das “raças”, o Teixeira com a sua simplicidade bem disposta resumiu-nos a sua visão, que até hoje e baseada na minha vivência de meio século tenho por mais ou menos acertada, disse o Teixeira quando lhe perguntei sobre como é que se davam as pessoas lá pelo bairro.

“- Hum, isso é fácil alferes, tem uns pretos que não gostam de brancos, tem uns brancos que não gostam de pretos e depois tem os ciganos que não gostam de ninguém, é assim, tirando isso, dá-se tudo bem.”

Está pois resumida a situação do racismo em Portugal. E trago este assunto hoje à baila, depois daquele infausto acontecimento em Moscavide onde um homem de 76 anos branco, antigo combatente da Guerra colonial, mata a tiro um homem de 39 preto, por um motivo que permanece incerto.

Entornou o caldo, porque logo se levantaram as costumeiras carpideiras, motivadas por agendas políticas, a gritar racismo, racismo... É vergonhoso, que assim se fale, querem à força um “George Floyd”, querem à força um país racista, querem à força extremar as pessoas sem pensar naquilo que os seus actos podem provocar, ademais gente que supostamente se diz contra o racismo, como podem associações alegadamente contra o racismo ser tão racistas, como podem partidos políticos motivados pela avidez dos votos querer capitalizar este tipo de questões sem antes e de forma serena e equidistante tentar perceber o que realmente aconteceu sem rótulos intempestivos, não com este tipo de discurso que se combate o racismo, bem antes pelo contrário, este tipo de atitudes racistas ainda mais o fomenta.

Desde início que digo e afirmarei sempre que o que ali se passou, sem prejuízo de poder ter tido uma componente de ódio racial, não foi um crime de racismo, foi apenas um hediondo homicídio em que um ser humano perdeu a vida e isso é que deve ser lamentado.

E afirmo isso baseando-me numa coisa muito simples, o facto do homem de 76 anos ser um antigo combatente, de ter alegadamente utilizado as expressões "vai para a tua terra" e "volta para a sanzala", típicas de quem fez aquela Guerra e de quem por ela foi formatado e afectado de tal modo que deixa de ter realmente percepção da realidade, e aqui subjaz um ainda maior crime, que foi o abandono de todos aqueles milhares de homens que foram formatados para matar “pretos”, que eram os “turras” eram aqueles que punham em causa o tal Império quimérico do Minho a Timor, coisa que nunca existiu.

Desses homens, que saíram daqui para combater, ninguém mais quis saber, são homens de quem poucos falam, quase ninguém fala dos seus traumas, medos e desesperos, quase ninguém os tenta entender, é assim fácil a associações claramente racistas e a grupelhos partidários, uns e outro sobejamente ignorantes, apontar tão prontamente o dedo, essa gente politiqueira é a mesma que nunca fez nada para evitar esse tipo de crimes, gente que se resguarda nas suas agendas miseráveis. Aquele homem de 76 anos representa um país que abandonou os homens que mandou para longe para matarem outros homens em nome de uma quimera que nunca existiu.

E mais vos digo ainda, que o que me espanta é não terem existido muitos mais casos destes desde 1974, o que me espanta é que muitos mais destes homens não terem perdido a tramontana e de não terem cometido mais actos desta igualha, o que corrobora a minha teoria de que de facto não somos um país racista, como essas associações e partidos racistas e miseráveis querem fazer acreditar, tentando replicar em Portugal uma realidade que não é a nossa, tentando colar todo um país a uma realidade que quiçá, e não digo que seja, só exista em Lisboa.

De facto foi perpetrado um hediondo crime, não nego até que existam algumas possíveis motivações de ódio racial produto de décadas de recalcamento e de problemas psicológicos nunca resolvidos, existiu um crime hediondo com motivos fúteis ou menos fúteis que ainda desconhecemos, mas uma coisa estou certo mesmo que venham a concluir o contrário, ali não há nenhum crime de racismo daqueles que os manuais forenses registam como tal.

Estes “nazis” dos novos tempos, encapotados de libertários e de antifascistas, encapotados de amantes das liberdades, socorrem-se dos velhos métodos que os regimes totalitários dos anos 40 do século passado utilizaram, Himmler recebê-los-ia de braços abertos nas SS, Beria inclui-los-ia com agrado no NKVD.

Esta nova máfia “nazi” quer fazer do meu país um antro de racismo, escondidos atrás de associações, de partidos e até de deputados, querem “incendiar Roma”, querem por pretos contra brancos, querem dividir para reinar, é vergonhoso que nada se faça, o pior é que poucos tenham a coragem de se lhes opor, a esses novos “nazis”.

P.S. – A todos os que acusam Portugal de ser um pais racista, eu propunha um exercício interessante, um mês a viverem no Alabama, seguido de um mês em Pequim, depois mais outro mês em Moscovo e para terminar um mês em Paris, depois regressavam para nos contar...

Francisco Pereira

 

 

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