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REFLEXÃO SOBRE O “POPULISMO”

03-07-2020 - Francisco Garcia dos Santos

Antes de mais, cabe fazer uma breve introdução aos fenómenos ideológicos e de tomada de poder por movimentos ou partidos totalitários na Europa nos primeiros 30 ou 40 anos do Séc. XX.

Tais ideologias passadas à prática, ou seja, tendo os seus criadores e defensores chegado ao poder, de forma pacífica ou violenta, nos respectivos países, são fundamentalmente o Bolchevismo Comunista marxista-leninista no Império da Rússia, o que ocorreu de forma violenta em 25/10/1917 (07/11/1917 no calendário gregoriano), com a “Revolução de Outubro”, e o Fascismo no Reino de Itália em28/10/1922, aquando do culminar da “Marcha sobre Roma” que, partindo de Milão e liderada por Benito Mussolini, pacificamente alcançou o poder, sendo este nomeado chefe do Governo pelo Rei Vítor Emanuel III.

Depois, cronologicamente, tais ideias foram “exportadas” para outros países: no caso do Fascismo ante II Guerra Mundial e durante a mesma, enquanto nos primeiros anos da mesma a Alemanha nacional-socialista/hitleriana conheceu victórias; no do Comunismo, apenas seexpandiu a partir da Rússia bolchevique comunista, já denominada de URSS - União das Repúblicas Socialista Soviéticas, chefiada por Stalin, após ser uma das potências vitoriosasdessa Guerra, mediante instalação de “governos fantoches” nos países da Europa Oriental, ou de Lestepor si ocupados (atrás da “Cortina de Ferro”, como a denominou Winston Churchill), bem como para a China, Coreia (a do Norte desde 27/07/1953), Cuba e vários países árabes/Médio Oriente -dando origem ao nacionalismo socialista árabe, como a Síria de Hafez al-Assad, o Egipto de Gabal Abdel Nasser, o Iraque de Saddam Hussein, a Argélia de Ahmed Bem Bella, a Líbia de Muammar al-Gaddafi, etc., e a própria OLP – Organização de Libertação da Palestina de Yasser Arafat -inicialmente terrorista anti-Israel e anti-Europa Ocidental, responsável por centenas ou milhares de mortos em vários países da Europa, como o tristemente famoso assassinato de membros da delegação desportiva israelita nos Jogos Olímpicos de 1972 de Munique, Alemanha, pela organização integrante da OLP “Setembro Negro”,com excepção da França, que sempre teve uma política dúbia ou dúplice com os regimes socialistas árabes, mas que sofreu as consequências da sua “abertura” e “tolerância” face aos mesmos, pois Paris, pela sua enorme visibilidade mundial, sempre foi um apetecível cenário de ataques bombistas. E sei do que falo, pois em Agosto de 1986 passei 15 dias de férias na Cidade Luz, e quase todos os dias explodiam bombas em locais frequentados por meros civis, como a estação de correios da Îlle de France, Ferroviária Gare de Lyon ou nos famosos “armazéns” Galeries Lafayettte, que provocaram vários mortos e outros tantos feridos, e que levou o então Primeiro Ministro Jacques Chirac a proferir em directo na RTF a frase “La France estenguerre!”.E por último vários países da Indochina, como o Laos e o Vietnam, ou de África, tal como as ex-Provícias Ultramarinas portuguesas de Angola, Guiné Bissau, Moçambique, entre outros; bem como, para além de Cuba, da América Latina, como, a título de exemplos, Chile de Salvador Allende, Nicarágua de Daniel Ortega e, mais recentemente, a Venezuela socialista bolivarista de Nicolás Maduro.

Tanto o Comunismo marxista-leninista russo, como o Fascismo italiano e seu congénere mais radical, por racista biológico, Nacional-Socialismo alemão de Adolf Hitler, só emergiram em termos sócio-políticos e alcançaram o poder devido à Grande Guerra, ou I Guerra Mundial, e à Grande Depressão de 1929 com origem nos EUA, que afectou todo o Mundo à data dito civilizado, ou seja, sobretudo a Europa, o que num cenário de destruição e pobreza que sucedeu à Guerra de 1914-18, sobretudo na Alemanha e Áustria devido ao humilhante Tratado de Versalhes de 18/01/1919,bem como gravíssimos prejuízos humanos e materiais para Itália, ainda que vencedora (sobretudo no Norte -áreas de Milão, Veneza, etc.-vide o romance auto-biográfico “Adeus às Armas” de Ernest Hemingway, para muitos a sua melhor obra), permitiu que as populações mais afectadas pela mesma aderissem massivamente a ideologias e movimentos políticos nacionalistas de origem socialista mas não bolchevique, ditatoriais e totalitários que, segundo o actual rótulo em voga, poderiam ser designados de “populistas”.

Mas afinal o que significa “populismo”!?

Segundo o dicionário de significados Priberam, “populismo”, em termos políticos, corresponde a uma

“Doutrina ou prática política que procura obter o apoio popular através de medidas que, aparentemente, são favoráveis às massas” .

Deste modo, todas e quaisquer doutrinas ou práticas políticas, independentemente de conotadas com direita ou esquerda, sejam elas objectivas e praticáveis, ou pura e simplesmente demagógicas, desde que destinadas a agradar às massas -no caso português vide tantos discursos e propostas do BE–Bloco de Esquerda e PCP, muito agradáveis à grande maioria da população, mas que os próprios dirigentes bem sabem ser inexequíveis, o mesmo valendo para André Ventura/Chega.

Porém, estando já “estafados” e sem qualquer credibilidade os rótulos de “extrema-direita”, “fascista”, “racista”, “xenófobo”, etc., os “senhores do sistema” e seus subservientes jornalistas (jornaleiros), comentadores (comentadeiros), pesudo-intelectualóides de esquerda e ou “politicamente correctos”, bem como representantes e titulares dos mais altos cargos do Estado Português,resolveram substituir os ditos e velhos rótulos em que já ninguém acredita por “populismo”, subliminar ou sub-repticiamente associando-oà direita radical, como se eles próprios não fossem os maiores e mais desavergonhados populistas demagogos do “sistema”, mediante afectose promessas de bodo aos pobres, ou na expressão latina clássica panem et circenses (pão e circo -no caso portugês, selfies, profuso anúncio de subsídios que nunca chegam aos destinatários e futebol), o que ocorria sempre que o Povo Romano estava descontente com o imperador e este, para contrariar o descontentamento, promovia “jogos” no Coliseu de Roma, ou seja, lutas de gladiadores, e mandava atirar para as bancadas pão para a populaça.

Ora, parafraseando o famoso Presidente americano Abraham Lincoln,

pode-se enganar alguém por muito tempo; alguns por algum tempo; mas não todos por muito tempo”.

Portanto, o “famigerado” populismo “pseudo-extremista de direita”, qual “papão”de que este sistema decadente, corrupto, globalista e plutocráticocentralizado em Bruxelas,incapaz de se regenerar e de governar os Povos europeus, face ao despertar dos mesmos para a realidade -e sentindo-a na “pele”-, procurando soluções políticas verdadeiramente defensoras dos seus direitos e legítimos interesses de cariz patrióticas, usa e abusa, alertando para “fantasmagóricas” novas ditaduras, tem-se mostrado à saciedade absolutamente ineficaz.

Ainda recentemente, em artigo/entrevisva de RiccardoMarchi a um jornal de referência, este cientista político italiano radicado em Portugal, investigador e autor de vários livros sobre a história e realidade da direita edas direitas portuguesas desde a última década do salazarismo a nossos dias, deu a conhecer conceitos de extrema direita e dedireita radical fixados jurisprudencialmente pelo Tribunal Constitucional germânico para permitir ou proibir organizações e partidos ditos de “extrema-direita” ou de inspiração nacional-socialista.

Assim, para esse insuspeito Tribunal,

“extrema-direita é aquela que, mediante procedimentos ilegais e até terroristas, pretende mudar o sistema político vigente de forma violenta” ;

e

“direita radical é a que procura mudar o mesmo sistema político mas dentro da legalidade democrática e recorrendo aos meios legais ao seu dispor”.

Portanto, desde este “Cantinho à beira mar plantado”,com André Ventura e seu “Chega”, como por essa Europa fora, a partir de Espanha com o VOX de Santiago Abascal, em França com a Union Nacionale (ex-FrontNacionale) de Marine lePen, em Itália com o Lega de Matteo Salvini, e na Alemanha com o Alternative fur Deutschland-AdF (Alternativa para a Alemanha) de JorgMeuthen Tino Chrupalla-só para citar, além de Portugal, os países que têm as maiores economias europeias (excluindo já o Reino Unido)-,bem que os arautos do “perigoso populismo extremo-direitista” podem continuar no registo dos “papões”, pois quanto mais tentarem amedrontar os Povos de forma gratuita e sem argumentos, os factos “falam” pela realidade objectiva, e esses até o mais iletrado consegue constatar, contribuindo para que os “demonizados” tenham cada vez mais apoiantes e seguidores.

Depois queixem-se!...

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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