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Quinta-feira 1 de Outubro de 2020  
Notícias e Opinião do Concelho de Almeirim de Portugal e do Mundo
 

IDEOLOGIAS, FACTOS E ESTUPIDEZ

26-06-2020 - Francisco Garcia dos Santos

Sem pretender usar de qualquer rigor científico ou filosófico-político, direi que uma ideologia, necessariamente política, visa organizar uma comunidade a partir de postulados, princípios ou valores base axiomáticos, isto é, indiscutíveis, e com base nos mesmos construir todo um sistema social, cultural, económico e de segurança/defensivo comunitário, tendo por cúpula o próprio poder político.

Basta ter um conhecimento mínimo da História e das ideias,sociologia e instituições políticas para se ter a noção de que desde há milénios se têm sucedido teorias, regimes e sistemas políticos de organização e governação de sociedades (a mero título de exemplos, e por serem dos mais antigos e “completos” e substantivos, vide “A República” do filósofo grego Platão -428/7 a. C. – 348/7 a.C.- e “Tratado da Política”, do também filósofo grego Aristóteles -384 a. C. – 322 a. C.-, discípulo do primeiro.

Para o efeito, tome-se como exemplo, ainda que muito simplista,a sucessão de regimes da Roma clássica.

Segundo a lenda, Roma terá sido fundada na colina ou monte Palatinoem 21 de Abril de 753 a. C.(hoje situado no centro de Roma, onde se encontram as ruínas dos Fóruns Imperiais e junto ao famoso Coliseu), por Rómulo (um dos míticos irmãos - o outro Rémo-recém nascidos abandonados e alimentados por uma loba).

Só pela precisão da data definida pelo historiador romano Marco Terêncio Varrão (116-27 a. C.), apoiado em estudos astrológicos de Lúcio Tarúcio Firmano -tudo durante o Principado do grande Octaviano Augusto (23-09-63 a. C. – 19-08-14 d. C.), sobrinho-neto, filho adoptivo e herdeiro político de Júlio César-, se pode verificar tal data ser lendária. Porém, segundo os últimos conhecimentos histórico-arqueológicos, a fundação da “Cidade Eterna”, segundo Tim Cornell, terá ocorrido no decurso do Séc. VIII a.C., i.e., entre 900 e 800 a.C..

De início, como era usual à época, Roma (pequena Cidade-Estado) foi governada sob um regime monárquico, o qual terá vigorado entre 753 a. C e 509 a. C, data da instauração da República“democrático-aristocrática”, que se prolongou até ao início do Principado de Octaviano Augusto em 27 a. C. (por sinal o regime mais duradouro e militarmente mais glorioso e construtor do Império Romano), seguindo-se a este o regime imperial monárquico, que durou desde a morte de Octaviano em 14 d. C., tendo por primeiro imperador Tibério, até à “queda” de Roma e seu Império do Ocidente às mãos dos Bárbaros germânicos em 476 d. C..

O grande filósofo Aristóteles estabeleceu os seguintes regimes políticos, cujos primeiros serão positivos e os segundos negativos. Assim temos:

1 – Monarquia: governo de um só a bem da comunidade; v/s tirania, governo de um só em seu próprio benefício;

2 – Aristocracia: governo de uns quantos (os melhores) a bem de todos; v/s oligarquia, governo de poucos em benefício de si próprios, familiares e amigos (não sei porquê tal faz-me lembrar algo que recorrentemente se passa em Portugal);

3 – Democracia: governo de todos a benefício de todos; v/s. anarquia, desgoverno de todos em total prejuízo de todos.

Assim, ainda que cerca de século e meio antes de Aristóteles ter definido tais regimes políticos,acusado e “encaixando” noexercício tirânico do poder, o último rei de Roma, Lúcio Tarquínio Soberbo, foi deposto e expulso da Cidade em 509 a. C., tendo sido instaurada a República, governada, em princípio, por dois cônsules eleitos pelas centúrias, ou bairros de Roma, sendo que os primeiros terão sido Lúcio Júnio Brutoe Lúcio Tarquínio Colatino. Os cônsules, por norma 2, exerciam os seus mandatos pelo período de 1 ano, tudo com vista à não perpetuação no poder e eventualmente não prejudicarem a Cidade devido a possíveis defesas de interesses próprios e ou familiares, de “classe”, etc. -note-se que os cônsules, ainda que na sua maioria pertencessem à classe dos Cavaleiros (nobreza), também podia ser plebeus (e foram muitos!).

Não se podendo definir os sucessivos regimes romanos (monarquia, república, principado e império monárquico) como ideologias políticas, as quais, em bom rigor, e tal como hoje as conhecemos, apenas terão surgido embrionariamente no final do Séc. XVIII, sobretudo a partir do grande filósofo político alemão Georg Hegel (27-08-1770 – 14-11-1831) e início do XIX (sobretudo após a Revolução Francesa de 1789), antes apenas tivemos formas de governo -uns monárquicos e outros republicanos; neste último caso recordemos apenas as Cidades Estado de Florença, governada por banqueiros, donde ressalta a Família Medici, e a de Veneza dos Doges, grandes comerciantes/mercadores, em ambos os casos eleitos.

Contudo, esses regimes ou formas de governo, ou de exercício do poder político, tal como as ideologias, tiveram sempre na sua génese (e continuarão a ter) um ideal benéfico ou positivo com vista a uma melhor organização social, bem-estar e progresso cultural e material dos povos e sua segurança/defesa, assim como um mais legítimo e bom exercício do poder político em prol do bem comum.

O problema reside na sua tradução em termos práticos!

Se por um lado alguns regimes, sistemas de governo, ideologias e exercício do poder político se revelam positivos para as respectivas comunidades, outros tantos degeneram em tudo quanto de negativo e prejudicial pode haver relativamente às populações sob seu domínio (escuso-me de dar exemplos por serem por demais conhecidos).

E alguns desses aspectos negativos, sobretudo em nossos dias, são a demagogia,a manipulação perversa e sub-reptícia das massas menos informadas e ou “letradas”,assim como das próprias crianças e juventude nos estabelecimentos de ensino, sonegando informação que “não interessa” ao poder político ser divulgada, comentários tendenciosos e destorcedores de factos segundo conveniências políticas e, pior do que tudo isso, procurar, por ignorância e ou má fé, fazer interpretações de factos e realidades históricas à luz de ideologias (portanto pré concebidas), e segundo conceitos sócio-políticos dos Sec. XX e XXI -portanto descontextualizadas do seu circunstancialismo histórico e social e nada objectivas; antes pelo contrário -tudo com vista a desvirtuar a realidade pretérita e presente, levando a conflitos sociais e políticos absolutamente dispensáveis e até criminosos, que em nada contribuem para a paz e progresso social, mesmo em termos de organização e legitimação do poder político.

Vem tudo isto a propósito da reacção da turba multa face ao homicídio, a todos os títulos condenável, do cidadão áfro-norte-americano George Floyd pelo ex-polícia branco de Minneapolis DerekChauvin no passado dia 25/05/2020, polícia esse de imediato demitido, detido, e acusado de homicídio em “2º grau” (tipo de crime sem equivalência directa no Código Penal português), mas punido com pena de prisão até 40 anos no Estado de Minnesota, acusação essa deduzida pelo próprio Procurado-Geral desse Estado e assessorado pelo FBI e por um Procurador Federal nomeados para o caso pelo Presidente Donald Trump.

Ora, tanto quanto se sabe, embora com todas as deficiências que lhe possam ser apontadas (mas qual o Estado que as não tem?), os EUA são um Estado de direito, bem como Bélgica, Espanha, França, Portugal, Espanha, entre outros.

Portanto, fará sentido, será admissível e justificável que nestes países se tenham efectuado manifestações com elevado grau de violência, destruição de património público e privado, pilhagens, derrubamento e vandalização de estátuas e outros monumentos, a que acrescem declarações de políticos, pseudo-intelectuaisdo costume, comentadores dos media, etc. absolutamente “incendiárias”!?

Que o racismo existe, existe, e é condenável, é!

Mas tanto há racismo de brancos contra pretos, como de pretos contra brancos, e de outras etnias contra outras etnias e, parafraseando um grande amigo preto (que a si próprio se chama preto), pessoade grande inteligência e experiência de vida,enorme cultura e currículos académico e profissional notáveis, profundo conhecedor da história e realidade étnico-social e política africana, direi ipsis verbis:

Os pretos são os maiores racistas do Mundo, pois até escravizam e matam outros pretos por serem de etnias diferentes”.

Face ao exposto, todo este “movimento” anti-racistas, mas racista anti-brancos e anti Civilização e História Euro-Ocidental, tendo por resultado acções de grave alteração da ordem pública e outras indubitavelmente de natureza criminal, só pode compreender-se à luz da ignorância e estupidez das massase sua sub-reptícia manipulação por gente culta, bem formada académica e politicamente, tudo segundo agendas políticas concretas e pré-definidas.

Parafraseando uma estrofe da célebre cantiga de “católicos progressistas” portugueses ante 25/Abr./1974:

Vemos, ouvimos e lemos, não podemos ignorar!”

Porém, a contrário direi:

Só quem não vê, não ouve e não lê, pode ignorar!

Francisco Garcia dos Santos

 

 

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