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MODERNICES! PARA-MINISTRO?

05-06-2020 - José Janeiro

Estes políticos nunca deixam de nos surpreender, pela negativa, claro. Já tínhamos para-deputados, os tais que deviam estar mas não estão, já tínhamos para-competentes, aqueles que são especialistas em tudo, já tínhamos os para-habilidosos, que se movimentam entre o poder para a chulice, já tínhamos para-toda-a-trampa, que é a generalidade dos que se assumem políticos, mas agora damos um passo em frente para o abismo e temos um para-ministro. Fantástico!

O António Costa nomeou um homónimo, outro António Costa como para-ministro, tendo como para-objectivo negociar em seu nome, o para-plano de recuperação da economia, já tínhamos um António Costa agora temos dois, isto para os interlocutores não se confundirem quando falam, inteligente! (aqui o inteligente será o gajo que toca o cornetim para entrada dos toiros na corrida).

Com 20 ministros e com 50 secretários de estado, todos com elevados padrões académicos (não se riam), não conseguem ter um só indígena, um-zinho, que consiga ter uma ideia valida para um plano estratégico que permita a aplicação do guito de Bruxelas sem ser para novos Ferraris e Maisons, é obra! Há um dizer popular que espelha bem esta situação: “quando não se sabe f%%$r até os co%$#ões atrapalham”, é bem verdade o que o nosso povo diz...

E o António Costa II, engenheiro de minas, ou seja licenciatura e experiência adequada, em Petróleos, já definiu os grandes eixos estratégicos: Mais estado na Economia; infraestruturas físicas do país; qualificar rede viária; intervir no sistema de portos, com criação de um hub portuário; infraestruturas que têm a ver com energia e ambiente (rede elétrica e aquíferos); acelerar a transicção digital; qualificar o SNS e reverter a galáxia que é o sistema de ciências da saúde; Tudo isto em entrevista á TSF. Perante isto ocorre-me um comentário: o gajo tem andado a cavar umas minas e descobriu a pólvora, só que a branca a que não explode, a negra ainda não. O convite veio, porque o dito segundo, mandou umas bocarras sobre o país em diversos momentos e isso granjeou fama ao olhar sagaz do primeiro e há que aproveitar a sapiência para uma década, segundo palavras do dito segundo, sendo que a década é os próximos 4 anos mais 7, ou seja uma década de 11 anos, começamos bem, não sabe fazer contas, estamos bem entregues. E tudo isto “pro bono” estes tipos que gostam de trabalhar sem receber para o Estado têm alguma na manga... eu acho!

Um plano destes é muita construção civil, pouca industria, zero especialização nacional e nenhuma imaginação, a par do desconhecimento gritante do pais e suas vantagens estratégicas, ou seja uma mão cheia de nada para uns quantos Ferraris e umas quantas Maisons, como no tempo do Cavaco.

Olhemos por momentos para os países de sucesso na Europa e o que conseguimos ver SÃO PAISES QUE SE ESPECIALIZARAM EM ALGO E QUANDO PENSAMOS NELES, PENSAMOS NOS PRODUTOS QUE OFERECEM.

A Alemanha tem uma industria pungente e altamente especializada sendo reconhecida pela sua industria pesada e recentemente evitou que os Chineses a comprassem; A França tem massa critica na aeronáutica e espaço com o programa Ariane, a par dos champanhes e queijos; A Itália a industria automóvel e o grande design de produtos; A Espanha que protegeu fortemente a sua industria ao longo das décadas, tem no reconhecimento de cosmética (é verdade), agricultura, vinhos, industria pesada a Norte, a aeronáutica militar e automóvel; Sem querer esgotar a lista, podíamos continuar com a relojoaria e banca Suíça e tantos outros países europeus que se identificam pelas suas particularidades económicas. Portugal, era reconhecido, pela têxtil (teve um novo impulso com a pandemia), as pescas, os moldes, construção naval e o sol e praia, tem um conjunto de mais valias que nas ditas linhas estratégicas, estão inexistentes. Senhor Engenheiro de minas e segundo na dinastia António Costa, as suas linhas estratégicas são uma merda, não valem o papel aonde foram escritas, lá vamos perder, uma vez mais, a oportunidade de ouro de sermos um pais rico, equilibrado e desenvolvido, por estarmos entregues a I-N-C-O-M-P-E-T-E-N-T-E-S.

Vai uma ajudinha senhor Doutor e senhor Engenheiro? Então vamos lá.

Falemos primeiro dos vectores estratégicos:RELOCALIZAR A INDUSTRIA E RECEBE-LA EM PORTUGAL

A pandemia pôs a nu a capacidade da industria portuguesa de readaptar e rapidamente, parece assim evidente que o principal vector será transformar Portugal numa fabrica da Europa recebendo a relocalização da industria, retirando-a da China, que deve ser um desígnio europeu como já alguns países o referem e o Japão já o pôs em pratica. Talvez estes construtores do plano de recuperação não saibam, mas na ultima década do século passado foi criada uma extensa rede de centros tecnológicos em Portugal, como nas áreas têxtil o CITEVE, (que fui um dos responsáveis da sua instalação), o CITIC para o couro, o CENFIM da metalomecânica, o CENTIMFE dos moldes, CTIMM da madeira e mobiliário, CTC da cortiça, pelo menos os que me recordo no imediato, ora assim sendo parece que existe a necessária “massa critica” sem necessidade de inventar historias como as que parece virem a resultar do já celebre plano em curso.

O segundo vector estratégico é indiscutível: A TECNOLOGIA.

Na sua generalidade e procura de liderança aproveitando algo que decorre da web summit, mas sem os unicórnios e restantes arlequinadas que soam a falso. Sim, a aposta numa verdadeira investigação tecnológica utilizando os centros tecnológicos e agências de inovação que têm o know how necessário e ligá-los á universidade.

O terceiro vector estratégico: REFORMULAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DE INFRAESTRUTURAS.

Com especial incidência nas “portas de saída” para exportações, portos, ligações viárias a Espanha, ligações ferroviárias com reformulação de bitola em linhas dedicadas a carga e aeroportos dedicados também eles a receber aviões de carga, tal como Beja e talvez Tancos.

O quarto vector estratégico: O TURISMO.

A abertura ao mundo, demonstrado o bom que temos e como podemos explorar ainda mais, as mais valias do país com soluções inovadoras que passam por explorar a nossa historia rica, enquanto país, que é mais do que sol e praias. Os Espanhóis neste campo são exímios, na região de La Mancha, aproveita-se o livro de Cervantes, Dom Quixote de La Mancha, para incentivar o Turismo, ou seja um romance que o autor ali colocou como acção, é hoje uma polo de turismo, pois o D. Quixote nunca existiu.

O ultimo vector estratégico: AS PESSOAS.

A importância da educação, da justiça, da saúde e da formação séria de qualificação individual, para aumentar a capacidade da sociedade em acreditar nela própria. Valorizar as condições de vida é essencial e fundamental, via aumento do salário mínimo e verificarão algo surpreendente: a produtividade aumentará.

Não aproveitar, uma vez mais, (lembram-se do PEDIP do Cavaco?) os fundos para o desenvolvimento em investimento valido, sem ser betão e alcatrão, como parece vir a ser o plano do “pro bononista” Costa II será mais um erro estratégico que vamos pagar muito caro, ainda que se preveja que a concentração de Ferraris aumente e que as Maison sejam reformuladas, é uma nova vergonha, contra a qual o Costa I já se tinha insurgido com a nomeação do António Borges pelo malfadado Passos Coelho, que fez algo semelhante no tempo da Troika e ele imita-o depois de o criticar.

E continuamos, com este pseudo plano, a deixar tudo na mesma como a lesma, a China, continua a deixar-nos dependentes da sua industria, apesar da oportunidade de ouro de nos conseguirmos impor na Europa com o nosso saber e capacidade. Antevejo mais uma oportunidade perdida pelas ideias vazias do “pro bonoista” Antonio Costa II, uma vergonha!

Até para a semana.

José Janeiro

 

 

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