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REFLEXÃO SOBRE O 25 DE ABRIL DE 1974

08-05-2020 - Henrique Pratas

Sobre o que vos vou escrever já há muito tempo dei conta, ou tenho tentado investigar factos e eles vão surgindo, não podendo em meu entender conhecermos tudo sobre o 25 de abril de 1974, dado que ainda não decorreu o tempo necessário e suficiente para que se faça uma análise de todo o processo.

Primeiro tenho para mim que o 25 de abril de 1974 não foi uma revolução foi apenas uma transmissão de poderes, motivada pelo facto dos oficiais do quadro não estarem a ser promovidos como achavam que deviam ser. O Governo na altura atreveu-se a promover militares que regressavam de uma comissão com a patente de tenente a major, por causa da falta de quadros, foi isto que despoletou a movimentação dos oficiais que fizeram a Academia Militar e consequentemente optaram pela carreira militar.

Depois há um outro aspeto que gostava de vos recordar, quando o capitão Salgueiro Maia sitiou o quartel do Carmo onde se encontravam alguns Ministros do antigo regime e o Presidente do Conselho de Ministros, Marcello Caetano, este último exigiu que lhe fosse presente um oficial mais graduado para poder entregar o poder para que este não caísse na rua como ele alegou.

Eu que assisti ao vivo e a cores a este episódio e sem beliscar ou tecer qualquer tipo de consideração sobre a atitude digna do capitão Salgueiro Maia, militar que sitiou o Quartel da GNR no Largo do Carmo, pelas razões que lhes indiquei e com um poder de fogo que dava para arrasar o mesmo, após três pedidos de rendição, apenas se fez uma rajada de metralhadora do carro de combate contra a fachada do edifício, que por sorte ou pontaria, nem um vidro partiram. Eu provavelmente teria usado uma peça de fogo com maior capacidade e arrasava completamente o Quartel do Carmo com quem estava lá dentro e não se quis render, estarei certamente errado e a minha posição não será a mais correta, mas o então Presidente co Conselho, Marcello Caetano, não estava em condições de exigir nada como o fez e ao indicar o general Spínola como o homem para receber dele a transmissão do poder, na minha opinião o Movimento das Forças Armadas deu o flanco, porque o Spínola, militar como era defensor da Guerra Colonial, não iria dar uma continuidade consequente ao Programa do MFA e assim foi assim que assumiu as funções de Presidente da República, alegando a falta de generais, “recuperou” a maior parte dos que estavam comprometidos e eram fieis ao anterior regime e que eram designados por brigada do reumático. Neste momento e no meu entender dá-se logo muitos passos atrás no designado processo revolucionário em curso cujo programa estava consubstanciado no Programa do MFA.

Os generais recuperados pelo então Presidente da República António de Spínola, dado que não se reviam nas mudanças revistas tentaram e conseguiram repor o anterior estado de coisas onde eles desempenhavam um papel importante. Novos generais que vieram substituir os destituídos e recuperados generais, como Garcia dos Santos e outros só surgiram mais tarde quando os “velhos” generais já tinham recuperado a maior parte do terreno perdido.

Mais tarde em 25 de abril de 1975, emerge o general Ramalho Eanes, apoiado pelo PS, pelo seu Secretário-Geral e pelo embaixador americano Frank Carlucci, com ligações à CIA e acabaram com o sonho do Movimento das Forças Armadas em nome da construção de uma sociedade democrata, o então Secretário-Geral do PS ia mais longe dizendo que queria que Portugal fosse um País democrata onde imperasse o socialismo há portuguesa que é uma coisa que eu até aos dias de hoje não sei o que era, mas enfim.

Por ora não esmiuçando mais estava bem de ver que a nossa sociedade não viria a sofrer alterações substantivas, tinha-se realizado apenas a transferência de poderes de uma sociedade que estava em vias de perder tudo, incluindo a Guerra Colonial, coisa que Spínola sempre afirmou que a mesma não estava perdida, por razões de carácter militarista que como sabem que era.

Portugal estava há beira da rutura a todos os níveis, militar, social e politico, havia que proceder há alteração do atual estado de coisas e de uma forma muito subliminar, em meu entender realizou-se a transferência de poderes sem que se causassem as alterações tão desejadas ao tempo.

Uma última nota, que é simultaneamente uma chamada de atenção e que incide sobre a forma foram tratados os militares que realizaram o 25 de abril de 1974 e que pretendiam que o mesmo constituísse de facto uma mudança, alguns dos militares foram enviados para quarteis bem longe do Continente uns foram para a Madeira, outros, incluindo Salgueiro Maia, para os Açores, isto com a intenção de deixar o caminho aberto aos generais entretanto recuperados e fieis ao anterior regime, que esfrangalharam as pequenas mudanças introduzidas entretanto, alguns após o 25 de novembro de 1975, chegaram mesmo a estar presos, tendo sido destratados e desconsiderados pela Corporação Militar, apesar dos excelentes serviços que prestaram há Pátria, ainda hoje não foi reconhecido o seu mérito e desempenho enquanto oficiais, foram renegados pelo designado regime democrático.

Salgueiro Maia, nem do dia da sua morte foi tratado com a dignidade que lhe era merecida, porque o então primeiro-ministro, algarvio de nascença não se fez representar invocando razões de agenda, para enviar o ministro da defesa que se viu “obrigado”a comparecer, mas na sua cara era notável o frete que estava a fazer. Convém aqui também recordar que foi este ex-primeiro ministro já no desempenho de funções de Presidente da República se recusou a atribuir a Salgueiro Maia, uma pensão e condecoração pelos serviços prestados há pátria, mas não se esqueceu de condecorar os PIDEs.

Por fim uma última nota, a maior parte dos militares que intervieram no 25 de abril de 1974 não obtiveram para si ou para familiares seus qualquer tipo de vantagem, enquanto que por exemplo um dos filhos do ex-Presidente da República, Ramalho Eanes e participante ativo no 25 de novembro de 1975, vê o seu filho ser colocado como Presidente Executivo na NOS, isto pouco depois de ter terminado o ensino superior, enquanto que a filha de Salgueiro Maia, é uma modesta e simples varredora das ruas do Luxemburgo, certamente orgulhosa do pai do pai que teve e mais feliz por saber que ele nunca se vendeu.

Henrique Pratas

 

 

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