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PANDEMIA E PANTOMINICES

17-04-2020 - José Janeiro

Mesmo em pandemia a humanidade não consegue deixar de surpreender com o elevado grau de estupidez, é mais forte que o ser humano demonstrar a sua total e “natural” propensão para o disparate.

Essa estupidez vem tantas vezes dos que menos se esperam.

Os padres, os acólitos e outras estripes fanáticas de cariz religioso, não quiseram saber da gravidade do problema e alguns, sobretudo no norte, o local mais castigado pelo numero de infectados, decidiram dar um bocado de pau a beijar sem qualquer preocupação sobre os efeitos colaterais e riscos de evolução pandemica, em agravamento nos idosos. A eles, e a outros, sem qualquer preocupação de higienização, a não ser um trapo ranhoso que limpa a baba de todos os que se lambuzavam no crucifixo, foi em nome de uma tradição, oferecida a hipótese de abreviarem a sua existência e irem mais cedo conhecerem o símbolo adorado.

Mesmo sem crise pandemica esse acto era de uma nojice inexplicável, agora agrava-se.

Será isto, o apelo a um passo de fé? Ou a procura para avidamente conhecerem o mito que adoram? Não sei se haverá alguma promessa de virgens, ou de posições sentadas á direita de um pai eterno, ou como disse o bispo do Porto em cima da Ponte D. Luís, um apelo para o recebimento no reino dos céus dos que morreram infectados. Fraca compensação, os Muçulmanos pelo mesmo sacrifício oferecem mais, muito mais.

Mas a verdade é que a crendice provocou todo um conjunto de actos ignóbeis, irrefletidos e de uma perfeita estupidez. Não sei o que estas pessoas esperam obter com isto, mas se gostam de brincar com a vida, e não nos devemos esquecer que são exactamente os mesmos que são contra a eutanásia, então façam um favor aos demais, se ficarem contaminados, rezem uns pais nossos, e não entupam o SNS, morram com a dignidade da fé, pois serão recebidos condignamente num qualquer paraíso eterno.

E entretanto o ti Marcelo, azeiteiro de serviço, ficou uma vez mais excitado quando soube que o PM Britânico tinha agradecido a um enfermeiro que emigrou para Inglaterra, por não ter trabalho em Portugal, o facto de ter cuidado dele.

Imediatamente quis canibalizar a fama do rapaz e vampiristicamente apareceu a dar conta que tinha falado com o jovem e não satisfeito com isso, a casa civil emite um comunicado no mesmo sentido e ainda o publica na pagina oficial da Presidência. O exagero e a estupidez da ânsia da ribalta e o populismo, não deixam a figurinha parar um pouco para pensar de forma refletida.

Já não bastava a parvoíce da pseudo auto infligida quarentena que se prolongou para além dos resultados negativos, a visita aos tomates e agora o elogio a um acto profissional, quando tantos outros profissionais de saúde, lutam invisivelmente contra a invisibilidade de um “bicharoco” que resiste a tudo e a todos.

A pequenez destas atitudes é de uma falta de de bom senso atroz, qualquer referencia a um português seja o Luís, ou o cão do Obama, é logo o paradigma da necessidade de uma demonstração de controlo emocional do hospício em que a classe política e os midia se transformaram e querem transformar o país. São actos vergonhosos de aproveitamento escabroso e o mais interessante é que o Luís veio para a fama por rotação de escala de serviço, não tendo feito nada mais que a sua função e foi obrigado a emigrar resultado das políticas erradas deste país, no tempo daquele que muitos elogiam, como um grande salvador da pátria, o inarrável Passos Coelho, e tudo isto é resultado de um triste paradoxo.

“Ele mandou mais de 200 curriculum em 2014”, confidenciou a mãe, e cá não tinha lugar e foi fazer vida para outras paragens, esta é a explicação de um sistema falhado que financia a formação de jovens e não aproveitam a sua capacidade, sendo atirados para servir noutras paragens a custo zero, ao nível de formação, entenda-se, para aqueles países que os recebem. É a falência do sistema! É disto que o Presidente se orgulha?

E os que por cá ficaram e tratam tantos anónimos e que lhes foi proposto 6,42€/hr, pouco mais que o valor de uma empregada de limpeza, para arriscarem a vida e são tanto ou mais competentes que o Luís? A esses, o Sr. Presidente não demonstra orgulho por arriscarem a vida por uma miséria, e em breve também eles irão, por certo, engrossar as listas dos novos Luises que abandonam o país, por falta de oportunidades. Esses não contribuíram para curar um qualquer famoso, esses convivem com a miséria humana do SNS, esses são apenas um numero no meio da pandemia. Sr. Presidente vá-se f&%$er!

E uns chicos espertos decidiram migrar, apesar da proibição, para paragens de ferias e ou de tradições. A policia não teve mãos a medir e teve que decifrar as mentiras que lhes contavam para incumprirem com o seu dever de confinamento. Quase necessitaram de um curso acelerado para decifrarem mensagens subliminares e micro expressões de aldrabice tal a qualidade das desculpas para contornarem a lei. As mais evidentes foram detetadas, mas tantos e tantos conseguiram passar e tantos vão contribuir para o sucesso do “bicharoco” em nós como hospedeiros, nos tempos mais próximos. Muitos conseguiram enganar os menos atentos, ou os menos capazes na leitura da parvoíce humana e o Algarve encheu-se através das casas de ferias e a pandemia irá ganhar um novo folgo. Espero que me engane.

E a China continua a facturar e propõe-se comprar a Brisa, viva a estupidez.

Até para a semana.

José Janeiro

 

 

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