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Vale a pena bater no ceguinho?

17-04-2020 - Cândido Ferreira

Muito cedo, logo em janeiro, se percebeu que o Covid-19 iria saltar a muralha da China e alastrar a todo o mundo.

Altamente contagioso e mortífero, também cedo se lançou a discussão sobre a estratégia de combate: deixar andar e, na lógica dos terramotos, enterrar rapidamente os milhões de mortos e relançar a economia; ou, retardando a progressão, evitar contágios e picos catastróficos, preparando arsenais e salvando o máximo de vidas humanas.

Como humanista e médico, logo antecipei o segundo cenário, mais tarde adotado por quase todos os países: o último terá sido a Suécia, que já foi um bom exemplo, mas que hoje, em descontrolo, já nem partes do seu território tutela.

Num previsível cenário de “guerra biológica”, havia, pois, que estabelecer um comando central e organizar as “tropas” em sucessivas linhas de defesa: a proteção civil, depois as polícias e as forças armadas e, por fim, o SNS, a “torre de menagem do castelo”.

Três meses depois, é inegável que, à semelhança do que aconteceu por quase todo o mundo, Portugal também não fez como devia o seu trabalho de casa:

- o comando foi confiado a gente incapaz de definir ações, desde as escolas aos lares, das prisões à proteção civil, dos hospitais… ao Palácio de Belém.

- a formação sanitária das populações foi totalmente desprezada pela comunicação social, apagada pela “invasão” de políticos inconscientes que nos preveniam contra alarmismos;

- antes do “primeiro tiro” já havia “munições” esgotadas, como as obrigatórias máscaras, durante semanas desvalorizadas;

- e mais o impasse na declaração da emergência e o caos a regulamentar, com as forças policiais e os bombeiros completamente descoordenados e expostos.

Apesar destas falhas, algumas entretanto corrigidas – e ou por que também a estirpe do nosso Covid-19 é “branda” ou temos outros hábitos sociais –, parece ter-se evitado o pior, em Portugal. Em vez de um catastrófico “pico”, assiste-se a um “planalto” que, embora teime em baixar, limita muitos estragos.

O Covid-19 é um assassino imprevisível, pelo que interessa explorar as estratégias de ataque aos casos de maior gravidade. Até por que também a vacinação é uma miragem e o esforço na ventilação artificial, embora indiscutível, se revela frouxo.

Com os melhores centros hospitalares do mundo envolvidos, ainda nenhuma opção foi claramente definida. Também a ciência médica e a Medicina terão de ser repensadas, evitando que “cientistas” de todos os matizes surfem ondas de fama.

Mas como poderia não ser assim se, por cá, ainda há “iluminados políticos” a papaguear asneiras sobre asneiras, demonstrativas de que ainda nem entenderam questões elementares?

Não quero “bater mais em ceguinhos”, e António Costa até está a fazer um bom trabalho, mas não posso deixar de registar que, ainda ontem, um alto responsável anunciava solenemente ao país que não contraíra a doença… porque, por sorte, “não contatara nenhum infetado”.

Santa ignorância, como pode ele desconhecer que podemos contatar com infetados e não sairmos contagiados e que podemos adoecer, tocando simplesmente num objeto contaminado? Por exemplo, quando vamos às compras...

Resta ainda acrescentar que a mesma personalidade também fez questão de informar que “não estaria imunizado contra o Covid-19”. Desconhecerá que essa é a realidade comum a todos os mortais, que ainda não se safaram da doença?

Cândido Ferreira

 

 

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