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Quem vai suceder a Angela Merkel?

02-11-2018 - César Avó

Em dezembro, o congresso da União Democrata-Cristã vai escolher o novo dirigente máximo do partido. Há três candidatos, mas podem surgir outros.

Angela Merkel ascendeu à liderança da União Democrata-Cristã (CDU) em abril de 2000, tendo sucedido a Wolfgang Schäuble. O agora presidente do Parlamento alemão demitiu-se devido a escândalo sobre o financiamento do partido.

Mais de 18 anos depois, a líder alemã anunciou o fim de uma era. Merkel informou que a decisão não foi tomada agora, mas antes das férias de verão do Bundestag.

O facto é que os últimos meses foram marcados pela sucessão de resultados abaixo das expectativas (legislativas, Baviera e Hesse) e desavenças na coligação CDU-CSU/SPD.

No entanto, a mulher que os alemães chegaram a chamar de mamã (Mutti Merkel) pretende completar a legislatura, até 2021.

"Chegou a hora de abrir um novo capítulo", afirmou em conferência de imprensa a dirigente de 64 anos. Após explicar a sua decisão de se manter no poder mas fora dos círculos partidários, sentiu necessidade de se justificar:"Sei que isto nunca foi feito antes, que é inédito, mas acredito que traz mais oportunidades do que riscos para o país, para o governo alemão e para o meu partido."

Sobre quem irá suceder-lhe no congresso de dia 2 de dezembro em Hamburgo, disse apenas: "Irei aceitar qualquer decisão democrática tomada pelo meu partido."

A Mini-Merkel

Annegret Kramp-Karrenbauer
© EPA/Felipe Trueba

Contudo, não é segredo que Angela Merkel tem uma preferência. Chama-se Annegret Kramp-Karrenbauer, tem 56 anos, e é também conhecida como AKK ou mini-Merkel. Em fevereiro foi promovida a secretária-geral da CDU - uma jogada com a marca de Merkel e que foi vista como fazendo parte do plano de sucessão.

Para se dedicar ao partido, Annegret Kramp-Karrenbauer deixou o Sarre, estado que governava desde 2011. AKK é considerada centrista e pragmática.

Socialmente é conservadora - opõe-se ao casamento gay -, mas, por outro lado, defende a ordenação de mulheres na Igreja Católica. No campo dos direitos sociais podia ser confundida com uma militante do SPD: defende o acolhimento dos imigrantes, o salário mínimo, os direitos dos trabalhadores e tem como máxima que o desenvolvimento económico não deve deixar ninguém para trás.

AKK é casada com um engenheiro de minas que abdicou da carreira para cuidar dos três filhos do casal.

O opositor da chanceler

Jens Spahn
© Reuters/Hannibal Hanschke

É dentro do governo que Angela Merkel tem alguns dos seus mais fortes adversários. Além do ministro do Interior Horst Seehofer (do partido irmão bávaro, CSU), que confronta a chanceler em público sempre que pode, o ministro da Saúde também não esconde as suas divergências. Aos 38 anos, Jens Spahn é o candidato mais à direita.

De tal modo que Alexander Gauland, o líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), partido de extrema-direita cuja retórica anti-imigração e eurocética tem sido coroada com um aumento de popularidade, se mostrou preocupado com a hipótese de o ministro da Saúde chegar à liderança da CDU e do país. "Se no futuro Spahn chegar a chanceler isso vai ser mais difícil para nós", reconheceu Gauland.

Jens Spahn chegou ao Parlamento em 2002, proveniente de Ahaus, localidade perto da fronteira com a Holanda. Considerado uma estrela em ascensão de alguns anos para cá, fez parte do círculo de Wolfgang Schäuble, do qual foi secretário de Estado entre 2015 e 2018, tendo a seu cargo a pasta do Orçamento.

Apesar de conservador e dotado de um discurso contra as elites globais, é um católico casado com outro homem (um jornalista).

Em 2015, face à crise dos refugiados e migrantes, foi um dos críticos mais ferozes ao discurso pró-acolhimento de um milhão de pessoas por parte de Angela Merkel. Um momento decisivo, ao deixá-lo marcado entre os aliados da chanceler e, claro, a marcar pontos perante os seus adversários.

A vítima de Merkel

Friedrich Merz
© EPA/Armando Babani

O mais velho candidato (62 anos) a perfilar-se como sucessor de Merkel veria como uma vingança receber o partido das mãos de quem o afastou do poder. Falamos de Friedrich Merz, um advogado que saiu do Parlamento há uma década para se dedicar aos negócios.

Neste momento, Merz é presidente do conselho fiscal da filial germânica da empresa de gestão de ativos BlackRock, entre outras posições não executivas em conselhos de administração de empresas. É também presidente da associação Atlantik-Brücke, que tem como objetivo promover as relações germano-americanas e o atlantismo.

Em abril de 2000, Merkel e Merz comemoram a ascensão da física à liderança da CDU
© REUTERS/Reinhard Krause

A carreira política de Merz levou um tombo em 2002. Angela Merkel, para cimentar o seu poder e em resultado de um acordo com Edmund Stoiber (foi o social-cristão quem concorreu a chanceler), tomou a Merz o cargo de líder da bancada parlamentar da CDU-CSU. Entre 2005 e 2009 foi crítico do governo da Grande Coligação, até acabar por sair da política ativa. Mas nunca deixou o partido.

As ideias de Merz estão mais próximas das de Spahn do que de Kramp-Karrenbauer. A ele deve-se o conceito de Leitkultur, "cultura dominante", em oposição ao multikulti (multiculturalismo). Ou seja, que os imigrantes, em especial os muçulmanos, devem assimilar e adotar os valores e a cultura alemã em detrimento do comunitarismo.

A quarta opção

Armin Laschet
© EPA/Omer Messinger

Outros candidatos podem aparecer entretanto. Um deles é Armin Laschet. O ministro-presidente da Renânia do Norte-Vestfália afirmou que antes de decidir se é candidato tem de saber qual é a direção que o partido quer tomar.

Laschet ganhou o estado mais populoso da Alemanha no ano passado ao SPD. Europeísta convicto, considerado mais liberal do que conservador, é um ex-jornalista de 57 anos.

Fonte: DN.pt

 

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