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Tancos. Lista enviada ao Parlamento confirma material em falta

02-11-2018 - RTP

A relação do material de guerra furtado aos Paióis Nacionais de Tancos e posteriormente dado como recuperado pela Polícia Judiciária Militar, em outubro do ano passado, confirma que estão em falta 1.450 munições de calibre nove milímetros, cinco granadas e três dezenas de cargas de explosivos. Estes números constam das listas remetidas pelo Ministério Público à Comissão Parlamentar de Defesa Nacional.

Em causa está documentação enviada ao Parlamento pela Procuradoria-Geral da República, à data ainda tutelada por Joana Marques Vidal.

Filipa Dias Mendes, Sandra Felgueiras, Pedro André Esteves, José Rui Rodrigues - RTP

O Ministério Público sublinha, no documento em causa, que “nada obsta a que seja divulgada” pelos deputados da Comissão Parlamentar de Defesa “apenas a informação que consta nas listagens”.

“Considerando que parte da informação já foi divulgada em meios de comunicação social, com base num acórdão a que alguns jornalistas terão tido acesso, entendemos que neste momento nenhum prejuízo causa à investigação a confirmação dos dados objetivos conhecidos de tais listagens”, refere o mesmo documento.

A lista do material de guerra por recuperar elenca “1.450 munições de 9mm, um disparador de descompressão, duas granadas de gás lacrimogéneo, uma granada ofensiva, duas granadas ofensivas de corte para instrução, 20 cargas lineares de corte CCD20 e 15 cargas lineares de corte CCD30”.

Recorde-se que fonte da Polícia Judiciária Militar havia já referido a falta de munições de calibre nove milímetros a 18 de outubro do ano passado, dia do anúncio da recuperação de material levado dos Paióis Nacionais de Tancos, estrutura entretanto desativada.

A Judiciária Militar indicou, por outro lado, que foram recuperados explosivos “a mais”, nomeadamente “136 velas PE4A”.

A Procuradoria-Geral da República enviou a São Bento outros dados da Operação Húbris, que investiga a alegada encenação da recuperação do armamento de Tancos. Contudo, estima que, no caso destes documentos, “deve ser mantido o segredo de justiça”.

Lista de material furtado

  • 1.450 munições de 9 mm;
  • 22 bobines de tropeçar;
  • 1 disparador de descompressão;
  • 14 disparadores de tração lateral multidimensional inerte;
  • Seis granadas de mão de gás lacrimogénias CS/MOD M7;
  • Dez granadas de mão de gás lacrimogénias CM/Anti-motim - M/968;
  • Duas granadas de mão de gás lacrimogénias Triplex CS;
  • 90 granadas de mão ofensivas M321;
  • 30 granadas de mão ofensivas M962;
  • 30 granadas de mão ofensivas M321 (em corte - para instrução);
  • 44 granadas foguete anti-carro, 66 mm, com espoleta M412A1, com lançador M72A3 - M/986 LAW;
  • 264 velas PE4A;
  • 30 CCDIO;
  • 57 CCD20;
  • 60 iniciadores IKS;
  • 30,5 Lâminas KSL.

Lista de material recuperado

  • Granadas de corte (28 unidades);
  • Granadas ofensivas (119);
  • Granadas de gás lacrimogéneo (16 unidades);
  • Rocket HE 66 m anti-tank LAW (44 unidades);
  • PE-4A (380 unidades);
  • Carga linear de corte CCD20 (37 unidades);
  • Carga linear de corte CCDIO (30 unidades);
  • Carga linear de corte CCD30 (10 unidades) - valor rectificado constando inicialmente a referência a cinco unidades);
  • Iniciadores IK (60 unidades);
  • Lâmina explosiva KSL (dez unidades + 0,5 unidades);
  • Disparador multidirecional (inerte) (14 unidades);
  • Bobines de fio (22 unidades);
  • Rolo de Cordão detonante (dois rolos);
  • Cordão lento (quatro rolos);
  • Lâminas de KSL (20 unidades).

CDS exige explicações
Perante estes dados, o líder parlamentar do CDS, Nuno Magalhães, veio já sublinhar, numa tomada de posição por escrito, que a “lista do material furtado em Tancos divulgada em outubro pelo Governo não coincide com a lista do material recuperado, entregue ontem ao Parlamento pelo Ministério Público no seguimento de um requerimento” do partido. 

“Hoje sabemos que o Ministério Público e a Procuradoria-Geral da República veio dar razão ao CDS e à necessidade dessas mesmas listas poderem ser fornecidas ao Parlamento.” 

“Ficam mais do que reforçados os alertas e as críticas feitos pelo CDS à forma pouco transparente e politicamente irresponsável como o Governo socialista tem tratado deste assunto”, acentua o dirigente democrata-cristão.  

“O primeiro-ministro, que publicamente falou na recuperação de todo o material furtado, deve explicações aos portugueses e ao Parlamento pela falsidade dessas mesmas declarações. A comissão de inquérito proposta pelo CDS terá um papel central no esclarecimento de todo este caso”, conclui.

c/ Lusa

 

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