| EM URRA – PORTALEGRE PELA DEFESA DE UMA CIDADANIA PLENA
26-10-2018 - N.A.
No passado sábado, dia 20 de Outubro decorreu na Casa da Urra - Urra – Portalegre, o Fórum Mais Cidadania+Democracia.
Entre oradores e outros participantes, estiveram presentes largas dezenas de representantes de movimentos cívicos, autarcas, representantes de partidos políticos, individualidades e oradores.
Na abertura do evento a Drª Adelaide Teixeira, Presidente da Câmara Municipal de Portalegre, enalteceu a realização do Fórum e reafirmou a Cidadania como um valor e exemplo de aproximação dos Cidadãos aos seus Representantes Eleitos, reconhecimento que existe de facto na interacção dos Cidadãos com a proximidade das decisões públicas, que se reflecte numa melhoria da qualidade da Democracia. Sublinhou o investimento privado feito em Portalegre pelo Empresário Dr. Cândido Ferreira (que foi candidato à presidência da República) com a criação de uma unidade de Turismo de qualidade e também da aposta na actividade Vinícola com a produção de Vinhos Casa da Urra.

Adelaide Teixeira manifestou o seu agrado pela cedência de um magnífico espaço para a promoção da cidadania e desejou aos presentes uma excelente jornada de trabalho e de convívio cívico e social.
A segunda intervenção coube ao Sr. Jaime Fitas, Presidente da Junta de Freguesia da Urra, que desejou também votos de sucessos e bom trabalho a todos os participantes, tendo reforçado a importância destes encontros em torno da Cidadania e da promoção do Interior do País.
Dado início aos trabalhos do encontro, foi feita a apresentação dos oradores presentes com tempo intervenção. Foram apresentados os moldes das intervenções, de moderação e tempo de uso da palavra, bem como das inscrições para questões ou intervenção dos cidadãos presentes.
Destaque para a intervenção do Prof. Doutor Engº. Hermínio Duarteramos sobre "Nanotecnologia e nanocidadania", (mestre em Engenharia Electrotécnica e de Computadores; mestre em Engenharia de Energias Renováveis; doutorado em Engenharia Electrotécnica de Computadores; presidente do Conselho Científico da Universidade Nova de Lisboa nos anos 90; autor do livro "Os robôs também nascem"; membro honorário fundador do movimento cívico Sinopse.
A uma dada altura da sua intervenção, Duarteramos afirmou que "A ideia de nanocidadania é uma interpretação simbólica, entendida como cidadania nacional incorporada nos objectivos mínimos de cada movimento de cidadãos, por mais pequeno que seja.
Porque este é o conceito de nanotecnologia na intimidade da matéria, como pretendo evidenciar. Todos nós, humanos, vivemos à escala macroscópica, que tem como unidade principal de medida o metro (repartido em mil partes milimétricas), bem maior do que a dimensão micro e muito mais do que o nível nano...
Mas o desenvolvimento no mundo de nanomateriais tem dado origem a inovações muito variadas, quer industriais (bactérias de elevada densidade energética) quer sociais (sobretudo em medicina).
De facto, antevê-se um mundo novo a partir do corrente século XXI, que elevará a ciência a um grau superior e também aumentará a sofisticação democrática, pela introdução de novos usos e costumes nas comunidades humanas, em redes mais finas da complexidade.
É aqui que chego à cidadania actual.
Estamos num processo de mudança paradigmática da sociedade, estruturada com o funcionamento de mecanismos desenvolvidos pelas tecnologias tradicionais das três revoluções industriais (mecânica, eléctrica e electrónica), que cultivaram o pensamento mecanicista, através da eficaz aplicação do método de raciocínio criado pelo matemático francês René Descartes (1596-1650) no século 19 e que ainda hoje se usa vulgarmente.
Mas agora a tecnologia digital procede à integração dos algoritmos que caracterizam a 4.ª revolução tecnológica, tipificada na construção dos vulgares computadores e estendida a muitas outras aplicações societais (como telecomunicações, televisão, finanças, comércio, robótica, transportes, lazer), que estão a mudar bastante os comportamentos e as mentalidades das novas gerações.
Por isso, as coordenadas políticas têm de seguir orientações diversas daquelas que satisfaziam o passado.
Todavia, a inércia dos partidos (direi melhor, dos políticos partidários) é muito grande, porque cresceram demasiado fechados, sobretudo preocupados com a sua auto-sustentabilidade e engrandecimento partidário.
Na presente evolução societal, os movimentos de cidadania despontam para exercer um vantajoso efeito de redução desses valores de inércia, substituindo a dinâmica inútil e prejudicial das grandes concentrações por pequenos engenhos motrizes e de controlo, à semelhança da filosofia nanométrica na ciência moderna.
A pulverização partidária será uma realidade necessária (como Santana Lopes demonstra actualmente, em 2018, no PSD com o partido Aliança), desfazendo hegemonias e criando consensos, tal como se observa na "geringonça" do PS, BE e PCP mais os Verdes e o PAN.
Nesta tendência de pulverização política consensual, muito desejável do meu ponto de vista sistémico, a caminho da complexidade pela abrangência social da cidadania, torna-se indispensável mudar as mentalidades políticas...

Em conclusão, é necessário inovar na política, por intermédio de um partido que se proponha inovar e cumpra institucionalmente a intencionalidade de inovação política, nem que motive simplesmente efeitos pedagógicos.
Neste princípio, a união dos múltiplos movimentos de cidadãos espalhados por todo o território nacional, formando uma verdadeira nanocidadania, poderá conjugar forças e contribuir para promover a abertura das políticas nacionais ao mundo que aí vem, em todos os níveis autárquicos, localmente, e também à dimensão nacional, sob pena do atraso societal se intensificar nesta tranquila ponta ocidental do continente europeu e ficarmos todos a olhar apenas para o sol ao lado dos turistas que vierem cá passear.
Não é isto que queremos para o nosso futuro, pois a coragem dos portugueses já demonstrou, quando descobrimos novos mundos para o mundo, que conseguimos enfrentar o mistério do fogo de Santelmo, disrupções visíveis nas pontas dos mastros das caravelas durante as tempestades, que Luís de Camões (c.1524-1580) identificou no poema épico "Os Lusíadas", ou seja, não somos feitos para adormecer à soalheira, nem temer as disrupções provocadas pelo poder das pontas.
Realmente, pela união das pequenas raízes de múltiplos cidadãos activos em todo o território nacional, agregados em estruturas nanocidadãs, a macrocidadania portuguesa pode alcançar mais, mas mais para todos."
No final do Fórum resultaram uma série de ideias e sugestões, bem assim como de mensagens de esperança no desenvolvimento da Cidadania e da sua forma participada e mais acessível aos órgãos de gestão pública quer ao nível Local, quer Nacional.
De entre as mensagens e ideias apresentadas pelo Movimento Cívico Sinopse, salientamos as seguintes:
1 - Realização de Fóruns num formato diferente, onde o Cidadão seja o principal interveniente, pela interpelação e obtenção de respostas e soluções dos oradores convidados, para que as suas dúvidas resultem na obtenção do conhecimento em relação às suas necessidades e carências quotidianas;
2 - A necessidade de agir no sentido de unir e procurar consensos que agreguem os cidadãos, correspondendo às suas expectativas sociais e políticas de forma a criar uma mudança nos Órgãos Públicos de governação;
3 - Empreender um conjunto de medidas que assegurem uma maior qualidade da democracia e do acesso ao poder de representação política, que aposte na aproximação dos eleitores aos eleitos;
4 - Compreender as diferenças entre Interior e Litoral e apostar em políticas económicas e sociais públicas responsáveis que possam incidir não só no emprego como na mobilidade dos serviços públicos centrais de forma a dinamizar o investimento e o incremento na fixação das populações com a criação de medidas continuadas de estabilidade social;
5 - Crescer em dimensão nacional com o objectivo de capacitação para a intervenção da cidadania de forma estruturada e continua, numa abertura ao diálogo construtivo e consequentemente saber ouvir a voz da sociedade, por forma à integração plena dos cidadãos na vida democrática para um Portugal melhor.
Nestes cinco pontos foi definida a perspectiva desta associação cívica sobre as actividades e acções a desenvolver.
O presidente do Movimento Cívico Sinopse, José Paz, frisou que tem sido prática da mesma escutar com atenção todas as sugestões, ideias e propostas que lhe têm sido transmitidas por cidadãos que nas mais diversas áreas da sociedade portuguesa tem contribuído para o aprofundamento da Cidadania e da Democracia em Portugal.
Foi concluído pela organização do encontro que “Seremos mais livres e mais capazes se à nossa força social juntarmos o conhecimento científico da Universidade e a vivência de cada cidadão dos mais diversos e díspares campos de actuação individual e colectiva a favor das comunidades locais e do conjunto da sociedade, por uma maior e melhor qualidade de vida”.

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