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Segunda-feira 16 de Julho de 2018  
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Ministério convoca professores. Fenprof prevê “mau sinal”

06-07-2018 - Lusa

O Ministério da Educação convocou, na passada terça-feira, todos os sindicatos de professores para uma reunião negocial a decorrer no próximo dia 11 de julho. O líder da Fenprof disse que a resposta do Ministério mostra inflexibilidade do Governo, considerando ser um “mau sinal”.

Em resposta à carta aberta que os sindicatos endereçaram à tutela na segunda-feira, o ministério anunciou em comunicado que se trata de uma “ demonstração da boa-fé negocial do Governo” no processo que tem oposto governo e sindicatos.

A convocatória para uma nova ronda negocial  surge um mês depois  das negociações terem chegado a um impasse. Os docentes   reclamam a contagem de todo o tempo   de serviço, no âmbito do descongelamento das carreiras da administração pública.

Várias iniciativas têm reiterado que  não aceitam o “apagão” de nove anos , quatro meses e dois dias de serviço, uma posição que leva o ministério a acusar os sindicatos de não apresentarem qualquer proposta nova para desbloquear o impasse.

Na nota enviada o Governo  congratula-se pela disponibilidade  demonstrada pelos sindicatos acrescentando, no entanto, que “tais estruturas sindicais persistem em não adiantar qualquer nova proposta”.

O Ministério não mostra abdicar da posição que tem mantido relativamente ao descongelamento das carreiras. A tutela volta a frisar que a  proposta de recuperar dois anos, nove meses e 18 dias de tempo de serviço dos docentes é “fundada nos princípios de justiça e de equidade “.

Acrescentando que a iniciativa “representa a  recuperação de 70% de um escalão   de quatro anos da carreira docente, ou seja, dois anos, nove meses e 18 dias. Nas carreiras gerais, sete anos são 70% de um escalão; logo, da mesma forma, a proposta apresentada pelo Governo representa 70% do referido escalão.”

Ambas as partes tinham   manifestado publicamente a disponibilidade   para voltar a negociar, chegando agora a convocatória necessária para retomar o processo.

Mário Nogueira considera “mau sinal”

Em resposta à convocatória do Governo,  Mário Nogueira , secretário-geral da Fenprof, defendeu esta terça-feira que a convocatória para a reunião mostra  inflexibilidade  do Governo   que insiste nos 70% do tempo de carreira , o que é  “um mau sinal” .

“Parece-nos, pela convocatória que recebemos, que o senhor ministro da Educação já pretende estabelecer balizas   sobre aquilo que quer discutir, nomeadamente, em relação ao tempo de serviço, e o que já tem feito, que é uma  reinterpretação do compromisso  de novembro”, disse Mário Nogueira em declarações aos jornalistas, após uma reunião com a presidente do CDS, Assunção Cristas.

Para o líder sindical, e de acordo com “uma primeira apreciação”, esse enquadramento da convocatória para o encontro  é “um mau sinal” , com o Governo “numa posição de alguma inflexibilidade dizer que são 70% dos nove anos, quatro meses e dois dias e, portanto, o seu tempo são dois anos, nove meses e 18 dias, desrespeitando a lei e até o compromisso”.

“Confunde, como tem feito sempre, aliás, as chamadas três variáveis da recomposição da carreira com as variáveis da negociação. O compromisso que assinamos estabeleceu para a recomposição da carreira dos professores  três variáveis: o tempo, o prazo e o modo . E vem identificar as duas variáveis que são de negociação, que são o prazo e o modo, que são vertidas para o Orçamento, para o 19.º, como objeto de negociação”, sustentou.

Brandão Rodrigues, o “ministro inexistente”

Assunção Crista s, presidente do CDS-PP, acusou Tiago Brandão Rodrigues de ser um ministro inexistente   e reiterou que foi o Governo que criou expectativas aos professores, criando um  problema que só ao Executivo compete resolver .

“Vemos um  ministério liderado por um ministro que é inexistente . Já tive oportunidade de perguntar ao senhor primeiro-ministro, num debate quinzenal, se não ponderava encontrar um negociador, uma vez que nós não víamos o senhor ministro da Educação em lado nenhum. Ficámos sem resposta”, afirmou Assunção Cristas.

“Houve  expectativas criadas desde o início , o Governo entendeu criá-las, agora tem a braços um problema que é do Governo e só do Governo”, defendeu Assunção Cristas quando questionada sobre a justeza das reivindicações de contagem do tempo de serviço.

“O Governo  teima em não querer ter uma discussão transparente,   rigorosa, objetiva, com dados sustentáveis”, declarou Assunção Cristas após ter recebido na sede do partido os representante das organizações sindicais.

Nesta  reunião “inédita” , estiveram presentes, além da presidente do CDS, as deputadas Ana Rita Bessa e Ilda Araújo Novo.

 

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