| Documentos revelam como Manuel Pinho recebeu 2 milhões do GES
04-05-2018 - Zap
Manuel Pinho, ex-ministro da Economia, terá recebido 2,1 milhões de euros do “saco azul” do Grupo Espírito Santo, entre 2002 e 2014, segundo novos documentos do processo de investigação ao caso EDP, onde o ex-governante é arguido.
A SIC Notícias teve acesso a documentos do caso EDP que apontam que Manuel Pinho recebeu 2,1 milhões de euros do “saco azul” do Grupo Espírito Santo, a offshore ES Enterprise, com sede no Panamá.
A estação refere que consultou folhas de cálculo de Jean-Luc Schneider, um alto quadro do GES, que “recebia as ordens de Ricardo Salgado” e registava todas as entradas e saídas do “saco azul”. Numa dessas folhas consultadas pela SIC, relativa ao ano de 2012, o nome de Pinho surge à cabeça da lista de pagamentos de Ricardo Salgado , só sendo superado por duas ordens de pagamento para dois membros da família de Ricardo Salgado.
Esses pagamentos, que terão sido efectuados entre 2002 e 2014, terão sido feitos para sociedades offshore de Pinho. E dos 2,1 milhões do “bolo”, Pinho terá recebido 793 mil euros enquanto desempenhava funções de ministro da Economia no Governo de José Sócrates.
A SIC Notícias aponta, ainda, que foram detectadas outras transferências do “saco azul” do GES para uma conta de Pinho na filial suíça do BES , no valor de mais de 300 mil euros, entre 2013 e 2014. Estes valores podem respeitar a remunerações pelo cargo que desempenhou de vice-presidente do BES África, aponta a SIC, frisando que, como foram depositados fora de Portugal, escaparam ao crivo do fisco.
Ainda segundo a SIC Notícias, os investigadores do caso EDP recorreram a escutas telefónicas entre Pinho e José Sócrates que foram interceptadas no âmbito da Operação Marquês. Numa dessas conversas, “Pinho pede ao antigo primeiro-ministro que interceda junto de Lula da Silva para arranjar um financiador brasileiro para um programa de formação na Universidade de Columbia”, nos EUA, refere o canal de televisão.
Pinho é suspeito de ter beneficiado a EDP em cerca de 1,2 mil milhões de euros por decisões tomadas enquanto ministro da Economia. Como contrapartida, o ex-governante terá recebido o patrocínio para dar um curso na Universidade de Columbia.
Antes de ter sido nomeado para o Governo, em 2005, Pinho trabalhava no Grupo BES que foi um dos accionistas de referência da EDP.
Pinho vai ao Parlamento, mas não fala
O Bloco de Esquerda entregou nesta quarta-feira, no Parlamento, um projecto de resolução para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) à actuação de Manuel Pinho no âmbito das rendas excessivas no sector da energia.
A proposta do BE visa averiguar “o pagamento de rendas e subsídios aos produtores de electricidade, sob a forma de Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual ou outras”, cita o Diário de Notíciasque publica o documento.
Os bloquistas pretendem também analisar “a existência de corrupção de responsáveis administrativos ou titulares de cargos políticos com influência ou poder na definição destas rendas”.
A CPI deverá abranger os governos de Durão Barroso, de Santana Lopes, de José Sócrates e de Pedro Passos Coelho, ou seja, “ todo o período de vigência dos CMEC , de 2003 a 2014″, refere o DN.
Manuel Pinho ficará, assim, obrigado a comparecer nesta CPI, caso contrário, pode ser emitido um mandado de detenção . Mas se essa presença for solicitada antes de o ex-ministro prestar declarações no Ministério Público, Pinho vai manter-se em silêncio perante os deputados.
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