| Manuel Alegre diaboliza reedição de bloco central
04-05-2018 - Lusa
Antigo candidato à Presidência da República considera que a geringonça foi uma revolução pacífica na democracia portuguesa e alerta que uma viragem à direita será um grande retrocesso político para o seu partido de sempre. Alegre defende convergência à esquerda mesmo que o PS vença as legislativas com maioria absoluta.
Manuel Alegre avisa que uma “reedição do bloco central” seria um “grande retrocesso e colocaria em risco o PS”, salientando que, mesmo com uma maioria absoluta, os socialistas devem “manter a convergência de esquerda”. “Uma viragem à direita, ou uma reedição do bloco central, ou uma inversão destas políticas seria um grande retrocesso e colocaria em risco, não tenho dúvida nenhuma, o Partido Socialista, tal como aconteceu àqueles partidos socialistas e sociais-democratas que se aliaram à direita para fazer a política da direita”, alertou o antigo candidato à Presidência da Republica, em Braga, esta sexta-feira à noite, num jantar evocativo do 25 de Abril.
Para aquele que foi um dos fundadores do PS, a atual solução governativa “foi uma revolução pacífica” na democracia portuguesa: “Havia aqui um mito, que era o mito do arco da governação e isso mutilava a democracia porque retirava da responsabilidade do Governo forças politicas que representavam uma parte significativa da sociedade”, explicou.
Manuel Alegre, que durante o discurso repetiu várias vezes que António Costa (primeiro-ministro) teve “a coragem e o mérito” de avançar para uma solução inédita, considerou que a apelidada “geringonça acabou por restituir ao Parlamento a centralidade da democracia, democracia que deixou de estar mutilada, deixou de estar coxa e mostrou que é no Parlamento que se fazem e desfazem os governos”.
No entanto, depois de enaltecer aquela solução governativa, o também antigo deputado lembrou que "não é fácil manter a "geringonça", deixando de passagem um recado aos bloquistas. “Eu pedia ao Bloco de Esquerda que moderasse por vezes a linguagem em relação ao PS”, alertou.
Entre elogios a António Costa e àquela que chamou a “nova geração socialista”, Manuel Alegre foi deixando também alguns avisos: “Não temos que nos deslumbrar com o poder, o poder não é um fim em si mesmo, fico sempre um bocado desconfiado quando vejo o PS deslumbrar-se consigo mesmo ou com o poder, espero que isso não aconteça”.
Por isso, salientou, que mesmo que os socialistas tenham maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, não devem deixar cair a "geringonça".
“É claro que o PS pode vir a alcançar uma maioria absoluta, isso é normal, mas mesmo que tenha deve manter esta política, deve resistir à tentação centrista, resistindo ao 'canto de sereia' da direita e mantendo esta convergência à esquerda, esta fidelidade aos valores do socialismo, da liberdade e da igualdade”.
O ex-dirigente socialista lembrou que “as coisas correram bem, repuseram-se rendimentos, salários, a economia subiu, o défice mais baixo de sempre" e que Portugal "conseguiu até que o ministro das Finanças fosse para presidente do Eurogrupo”, mas alertou que isso não chega.
“Temos que ir mais longe, dar consistência a este programa e o essencial agora é o Estado Social, investirmos nos serviços públicos”, afirmou, dando um exemplo: “Queria deixar aqui este recado. Em nome do camarada Arnaut, é um imperativo nacional, patriótico e de Estado salvar o Serviço Nacional de Saúde, é uma obrigação do PS, de toda a esquerda e de toda a democracia”.
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