| Toronto. Alek Minassian agiu deliberadamente
27-04-2018 - RTP
As primeiras perícias indicam que o condutor de 25 anos agiu de forma "deliberada" quando se lançou sobre uma multidão na cidade de Toronto, Canadá, esta segunda-feira. De acordo com o mais recente balanço, o atropelamento causou dez mortos e 15 feridos, cinco dos quais em estado grave.
"Este ato parece claramente deliberado", considerou Mark Saunders, chefe da polícia de Toronto, a maior cidade canadiana.
"Admitimos todas as possibilidades", acrescentou, sublinhando a necessidade de "trabalhar com o que temos".
A investigação não foi entregue à Real Polícia Montada do Canadá, sinal de que os investigadores consideram pouco provável um móbil terrorista.
O interrogatório deverá permitir apurar os motivos do condutor, detido 26 minutos após o início do atropelamento.
Foi identificado como Alek Minassian, oriundo do subúrbio de Richmond Hill e, até ontem, sem cadastro nem ligações conhecidas a qualquer grupor terrorista.
O presidente da Câmara de Toronto promete todo o apoio para se perceber o que se passou.
Quem é Minassian
A polícia fez buscas na casa de Minassian segunda-feira à noite mas até agora não revelou pormenores do que encontrou.
De acordo com a sua página da rede LinkedIn, Minassian estuda na Faculdade de Seneca em Toronto e desenvolveu várias aplicações, incluindo uma que permite encontrar estacionamento na cidade.
Há suspeitas de que sofra de problemas mentais e não lhe são conhecidos para já amigos nem relações próximas.
Ari Bluff, um antigo aluno da Escola Secundária de Thornlea em Thornhill, norte de Toronto, disse por seu lado à CBC News que partilhou com Minassian um computador nas aulas de ciência. Ambos se formaram em 2011.
"Não creio que tivesse amigos muito, muito próximos, pelo menos publicamente. Nunca o vi com um grupo de amigos, de forma geral", disse Bluff.
Minassian deverá ser presente a tribunal cerca das 10 da manhã locais (15h00 em Lisboa) e serão nessa altura divulgadas as acusações pendentes contra ele, revelou a polícia.
O inquérito prevê-se "longo" e a área onde decorreu a tragédia, deverá "permanecer encerrada vários dias", devido ao elevado número de testemunhas a questionar e às imagens das câmaras de vigilância que é necessário analisar, referem as autoridades.
O jornalista português em Toronto Jorge Neves avança o que já se sabe do sucedido.
Em torno do bairro de North York na zona norte de Toronto vão-se acumulando tributos do público às vítimas.
Ataque não ameaça "segurança nacional"
O ataque traz à memória os atentados com viaturas ocorridos em várias grandes cidades europeias e norte-americanas, como Nova Iorque, Barcelona, Londres, Nice, Paris, Berlim ou Estocolmo.
O Governo acredita contudo que este foi um ato isolado e que não existe qualquer ameaça à "segurança nacional" do Canadá, apesar do primeiro ministro Justin Trudeau ter dito em comunicado que ficou "profundamente triste ao saber do atentado trágico e insensato ocorrido em Toronto".
O termo "atentado" utilizado por Trudeau não sugere "uma conexão terrorista de natureza que ameace a segurança nacional", precisou depois o seu gabinete.
Igualmente, o ministro da Segurança pública, Ralph Goodale, referiu que "as informações disponíveis nesta altura, indicam que este não parece de forma alguma ligado à segurança nacional".
Conclusão partilhada pelas diversas agências de segurança e de informações do Canadá, precisou Goodale.
"Mate-me", gritou Minassian
O ataque começou pouco antes das 13h30 locais (18h30 em Lisboa). Minassian lançou a carrinha branca que conduzia sobre os passeios da rua Yonge, uma das mais frequentadas do país e cheia de pessoas àquela hora de um dia primaveril.
Andou aos ziguezagues durante mais de um quilómetro, galgando passeios e voltando à estrada, deixando atrás de si um rasto sangrento.
As testemunhas garantem que Minassian fez de propósito para atropelar quem lhe aparecia à frente.
A carrinha acabou por parar com a parte da frente destruída e Minassian, um homem corpulento vestido com roupas escuras, saiu, enfrentando um agente da polícia de Toronto.
De acordo com a polícia, Minassian terá ameaçado o agente com um objeto dizendo que estava armado. "Mate-me", gritou.
"Não me interessa. Deite-se no chão", respondeu o agente.
Minassian não estava armado e acabou por se deixar algemar, sendo detido sem ter sido disparado um tiro.
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