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Zuckerberg, patrão do Facebook ouvido no Senado americano

13-04-2018 - João Matos

O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, trocou a sua habitual camiseta por fato e gravata para ser ouvido hoje pelas comissões de justiça e do comércio do Senado, tendo como pano de fundo o escândalo da empresa inglesa Cambridge Analytica que vendia dados pessoais de utilizadores da dita rede social. Antes da audiência, Zuckerberg, começou por pedir desculpas pelo que aconteceu.

O Presidente do Facebook, com os seus 2,2 mil milhões de utilizadores, Mark Zuckerberg, está a ser interrogado esta terça-feira por 44 senadores das comissões de justiça e do comércio do Senado americano, depois do escândalo da Cambridge Analytica que vendia dados pessoais a empresas ou a políticos.

Zuckerberg, especialista de e.reputação, começou por adoptar a táctica de pedir desculpas, ainda antes de começar a ser hoje interrogado no Senado e amanhã na Câmara dos representantes.

Essa questão da Cambridge Analytica, "foi um erro e peço desculpas, porque fui eu que lancei Facebook, que dirijo e sou o responsável por tudo que aqui se passa", declarou Zuckerberg à imprensa, antes de ser ouvido no Senado.

Mas, Facebook, assim como todas as empresas digitais, conhecidas por GAFA, Google, Appel, Facebook e Amazon, controlam e fazem negócios com dados pessoais dos seus utilizadores e clientes, em todo o mundo.

Empresas mais ricas do mundo, que fogem inclusivamente ao fisco, recusando, pagar impostos quer nos Estados Unidos, quer aqui na Europa, preferindo, estabelecer-se na Irlanda que tem uma política fiscal liberal para não pagar impostos nos restantes países da Europa.

Aliás a comissão europeia já multou várias vezes Google, Facebook ou Youtube e quer legislar para obrigar estas empresas bilionárias a pagar impostos à altura do volume de negócios do GAFA.

Facebook chegou a pagar uma multa de 1,2 milhão de euros o ano passado em Espanha por vender dados pessoais sem autorização de utilizadores da rede.

Congresso não pode legislar contra first amendment

Nos Estados Unidos, não existe praticamente nenhuma lei protegendo a utilização de dados pessoais que circulam nas redes sociais, como Facebook ou nos motores de busca, como Google.

O argumento é o direito constitucional do "first amendment", primeira emenda da constituição americana que garante as liberdades de expressão, de opinião, de crítica ou de religião sabendo que o Congresso está impedido de legislar sobre este princípio sagrado constitucional.

A autoridade de regulação, a FTC, a comissão comercial federal, fiscaliza, no entanto, e em 2011, chegou a multar Facebook por lacunas na gestão de dados pessoais e concluiu um acordo em 2013 com a Google por práticas anti-concorrenciais.

São estas questões que Mark Zuckerberg, vai ter que responder hoje no Senado americano, sabendo que há todo um debate para legislar Facebook e todas as empresas GAFA sobre a privacidade.

Mas, muitos dos senadores, quer democratas, quer republicanos, que questionam Zuckerberg, receberam cerca de 400 mil dólares em doações por parte do Facebook.

Estratégia política dos GAFA

Politicamente, o escândalo do Cambridge Analytica, forneceu informações estratégicas à equipa de campanha de Donald Trump, o que tem sido denunciado pelos democratas, jornalistas e políticos no mundo inteiro.

Mas o que não se diz é que globalmente as redes e mídias sociais, portanto, os GAFA e o Youtube, apoiaram com biliões de dólares a campanha de Hillary Clinton, igualmente, apoiada pelos maiores bancos do Wall Street.

Tradicionalmente, os GAFA, sempre apoiaram os democratas e Obama, foi tido como o primeiro presidente do mundo a ser "eleito pelas redes sociais" quer em 2008, quer em 2012, segundo a imprensa americana e mundial.

Toda a estratégia digital de Obama, copiada por Hillary Clinton, foi assessorada pelos GAFA, nomeadamente, Facebook, como se pode ver na fotografia que ilustra esta peça.

Obama primeiro presidente eleito pelas redes sociais

Obama foi apresentado pela imprensa internacional como o "candidato das redes sociais" e montou todo um "exército de voluntários", sobretudo jovens para fazer as suas campanhas nas redes sociais e porta-a-porta.

Obama, fez o lançamento das suas campanhas nas suas contas pessoais de Facebook e Twitter, que limpam assiduamente críticas que lhe são feitas e eliminam contas de utilizadores contra o ex-presidente ou Hillary Clinton.

O modelo Obama, foi, aliás, copiado em todo o mundo, nomeadamente, por Trump, que se tornou um especialista do Twitter, a sua arma preferida de ataque, contra políticos e jornalistas que ele acusa de veicularem "fake news" ou noticias falsas contra a sua pessoa.

Enfim, a estratégia digital de Obama, foi igualmente adoptada por vários políticos na Europa, nomeadamente, a ex-candidata presidencial socialista Ségolène Royal, que por ocasião das eleições presidenciais de 2007, em França, se deslocou, aos Estados Unidos, para "aprender" com o ex-presidente americano.

Fonte: rFI

 

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