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Manifestação em Lisboa exige libertação imediata dos presos políticos catalães

30-03-2018 - Esquerda.net

Dezenas de pessoas concentraram-se em frente ao consulado de Espanha, em Lisboa, para manifestar a sua solidariedade com a luta do povo catalão. Bloco vai apresentar voto na Assembleia da República pela libertação dos presos políticos.

Várias dezenas de pessoas concentraram-se esta segunda-feira junto ao Consulado de Espanha em Lisboa para exigir a “libertação dos presos políticos” da Catalunha, considerando que existe uma “judicialização” dos acontecimentos.

“Defendemos a libertação dos presos políticos, pelo facto não ter fundamento jurídico nas acusações e o nosso comité nasce da indignação de catalães e portugueses com ligações à Catalunha. Depois do que aconteceu na sexta-feira, resolvemos convocar esta concentração”, disse Catarina Oliveira, do recém-criado Comité de Defesa da República Catalã em Lisboa.

Os manifestantes concentraram-se junto ao consulado com uma faixa e vários cartazes a defender a “Liberdade dos Presos Políticos”, entoando vários cânticos de apoio aos dirigentes independentistas, contra a repressão espanhola e a pedir a demissão de Mariano Rajoy.

“O crime de rebelião no regime jurídico espanhol implica violência, o que não ocorreu. Todo o movimento independentista catalão tem sido um movimento pacífico. Houve uma judicialização destes acontecimentos e nunca houve uma tentativa de resolver este conflito de forma política”, afirmou a porta-voz do comité.

A responsável referiu que “compreende” a posição do governo português, mas lembra que a Constituição portuguesa defende a “autodeterminação dos povos”. Presentes na concentração estiveram também vários dirigentes e deputados do Bloco de Esquerda, referindo que estão solidários porque está é uma questão de “autodeterminação e do direito de os cidadãos decidirem o rumo da sua região”.

“Existem 13 presos políticos em território europeu. É inaceitável e inacreditável que não exista uma tomada de posição séria sobre o que o Estado espanhol está a fazer e temos visto muita violência da polícia sobre manifestações pacíficas. Foram eleitos livremente, só podemos estar solidários e fazer pressão para que existe uma posição dos vários governos e parlamentos”, defendeu a deputada bloquista Isabel Pires.

A deputada acrescentou que a União Europeia e o Parlamento Europeu “ainda não tiveram uma palavra forte” sobre o que se está a passar na Catalunha, anunciando que na quinta-feira vão apresentar um voto no parlamento para “apelar à libertação dos presos políticos”.

O líder independentista catalão Carles Puigdemont, detido na Alemanha no domingo, vai permanecer em prisão preventiva, indicou hoje à agência AFP uma porta-voz do tribunal.

O tribunal de Neumunster, no norte da Alemanha, tinha que decidir se Puigdemont permanecia ou não em prisão preventiva enquanto está em análise o pedido de extradição para Espanha.

Puigdemont vai “continuar em detenção, até que seja tomada uma decisão sobre o processo de extradição”, indicou, por seu lado, em comunicado, o tribunal regional de Kiel, também na região do norte da Alemanha. Esta decisão “não tem recurso”, acrescentou-se no texto.

Na sexta-feira, o Supremo Tribunal espanhol acusou de delito de rebelião 13 separatistas pela sua participação no processo de independência da Catalunha, entre os quais o ex-presidente do executivo regional Carles Puigdemont.

 

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