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Engenheiro recebeu meio milhão em luvas e denuncia corrupção generalizada na ARS-Norte

05-05-2017 - Lusa

Um engenheiro civil da Administração Regional de Saúde do Norte admitiu, em tribunal, ter recebido perto de meio milhão de euros em luvas de empreiteiros, e denunciou um esquema de corrupção generalizada na instituição.

João Carlos Roseiro, engenheiro civil que está suspenso das suas funções no Departamento de Instalação e Equipamentos da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-Norte), começou a ser julgado na quarta-feira, no Tribunal de S. João Novo, no Porto.

Acusado de   crimes de corrupção e falsificação de documentos , o engenheiro assumiu ter recebido perto de   meio milhão de euros em luvas , conforme reporta o JN.

O arguido disse aos magistrados que   ficava com 10% do valor das obras   em centros de saúde e que o coordenador do Departamento à data dos factos, José Rodrigues, também ficava com uma parte, tal como os restantes engenheiros da estrutura da ARS-Norte.

Roseiro denunciou assim, um “ esquema generalizado de corrupção   na adjudicação de obras”, conforme refere o JN, notando que “todos os engenheiros, incluindo o coordenador do Gabinete de Instalações e Equipamentos, recebem luvas de empreiteiros para garantir novas obras”.

O diário sustenta que a Polícia Judiciária (PJ) do Porto está já a investigar esta alegada “prática estabelecida na ARS” do pagamento de “favores”, por parte de empreiteiros.

O engenheiro civil disse em tribunal que recebia as “luvas” em envelopes com o dinheiro, quando as obras terminavam, conforme frisa o Correio da Manhã (CM).

“O valor era entregue na obra ou nos carros dos empreiteiros”, terá dito o arguido em tribunal.

Roseiro terá garantido que o   “plano” de corrupção “já existia”   quando chegou à instituição. “Quando reunimos com o novo coordenador, estipulámos que ele receberia metade do valor dado pelos empreiteiros”, afiançou em tribunal, conforme cita o CM.

O arguido também salienta que os cadernos de encargos dos trabalhos “não eram cumpridos na totalidade”, notando que havia facturas pagas por obras nunca realizadas em Unidades de Saúde.

O processo tem ainda, outro arguido, um empreiteiro, que está acusado do crime de corrupção activa.

 

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