| Marcelo pede "nacionalismo" mas que seja "patriótico". BE, PCP e PEV não aplaudem
28-04-2017 - João Pedro Henriques
Os discursos de celebração da Revolução dos Cravos revelaram um país político estranhamente pacificado.
Num registo oposto ao que tem marcado todos os debates parlamentares desta legislatura, PSD e CDS inibiram-se de ataques diretos à maioria de esquerda. Teresa Leal Coelho, pelo PSD, fez da batalha da transparência e pela defesa da criminalização do enriquecimento ilicito - uma velha bandeira sua - o principal tema do seu discurso.
Já o CDS, que fez avançar Isabel Galriça Neto, que reafirmou o compromisso do partido com o Estado Social. Galriça Neto destacou-se, aliás, por ter sido a primeira deputada nesta sessão solene a recordar a memória de Mário Soares - este é o primeiro 25 de Abril depois da morte do "pai fundador" da democracia. Os oradores anteriores - do PAN, PEV e PCP - não o tinham feito.
O próprio Presidente da República - aliás como prometido - planou sobre a atualidade política, preferindo-se concentrar-se em temas como o populismo, talvez por influência dos resultado das eleições presidenciais francesas. Denunciando o "empobrecimento ético e doutrinário" dos dias de hoje, quando se diz o que é "aprazível ao ouvinte" e não "o que deve ser dito", pediu aos portugueses "nacionalismo patriótico" (por oposição a "nacionalismo egocêntrico"). Ao Governo deixou uma incumbência: que haja mais crescimento económico.
Ferro Rodrigues, pelo seu lado, preferiu sublinhar como o "novo tempo político" dos entendimentos à esquerda têm contribuído para melhorar a imagem pública do Parlamento - agora com "uma nova centralidade".
À esquerda, a nota dominante foram críticas à UE. Embora em tons diferentes e revelando diferentes graus de dramatismo, essa foi uma marca comum aos discursos de Jorge Machado (PCP), Joana Mortágua (BE) e do próprio PS, que fez subir à tribuna um deputado há muito silencioso, Alberto Martins (que hoje celebra 72 anos).
Fonte: DN
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