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Entre o centrão de nova roupagem e a extrema-direita populista

28-04-2017 - Abril

Foram Emmanuel Macron e Marine Le Pen que passaram à segunda volta das eleições presidenciais francesas. Num clima de desilusão, os franceses deixaram para trás os partidos do «arco da governação».

Depois de uma campanha com prognósticos difíceis, foi «só no fim» que os franceses e o mundo souberam que, entre os 11 candidatos, seria Emmanuel Macron, com 24% dos votos previsíveis, e Marine Le Pen, com 21,8% , a passar à segunda volta, que realizar-se-á no dia 7 de Maio. Estas são as primeiras projeções segundo a BFM tv.

O banqueiro e economista Macron candidatou-se sob a capa de independente, apesar de ter sido 15 anos militante do PS e ministro de Hollande até ao momento em que anunciou a intenção de se candidatar. Afirma que não é o candidato de direita nem de esquerda, mas que diz aproveitar «o melhor da esquerda, da direita e do centro». Com este estatuto, aproveitou para se distanciar das mesmas políticas que aplicou enquanto governante até há menos de um ano.

Emmanuel Macron diz-se o «único candidato pró-europeu» e promete aplicar uma política económica «amiga das empresas», em linha com a sua acção enquanto ministro da Economia. Demonstra defender a continuidade das políticas económicas e sociais da União Europeia, do aprofundamento de medidas federalistas, do reforço do eixo franco-alemão e de uma política de continuidade na cena internacional.

Opiniões vão no sentido de que Macron pode ter beneficiado da lógica do «voto útil», tendo em conta que a maioria das sondagens davam ao próprio e a Marine Le Pen o melhor posicionamento.

Já Marine Le Pen, líder da fascista Frente Nacional, a segunda mais votada, beneficiou da «suavização» do discurso da frente Nacional e da capitalização da desilusão dos franceses ao fazer críticas à União Europeia, com um discurso centrado na soberania nacional. Continuou, apesar de estrategicamente mais subtil, com a retórica xenófoba e securitária, aproveitando também o estado de emergência declarado, desde Janeiro de 2015. O fecho das fronteiras foi uma das grandes bandeiras.

Os dois mais votados não ficaram muito longe de outros candidatos, nomeadamente de Jean-Luc Mélenchon, do movimento França Insubmissa, com o apoio de vários partidos de esquerda, que prevê-se conseguir 19,3% (subida significativa relativamente às presidenciais de 2012, em que teve 11% da votação). Mélenchon é deputado no Parlamento Europeu, eleito pelo Partido da Esquerda (que fundou em 2008), em aliança com o Partido Comunista Francês e outras forças.

No seu programa político defendia «a renegociação dos tratados europeus para tentar recuperar a soberania para os cidadãos franceses» e o lançamento da «6.ª República», através de um processo de elaboração de uma nova constituição. É igualmente defensor de mais investimento, da criação de mais emprego e da subida de impostos para os mais ricos.

Desilusão com a alternância

O candidato conservador, François Fillon (Os Republicanos, direita gaullista), envolvido num escândalo relacionado com a contratação de familiares próximos para cargos públicos que nunca ocuparam e indiciado de uso indevido de dinheiros públicos, contou com 19,9% dos votos e assumiu-se como derrotado. Tal não estará desligado do seu programa.

Fillon, que foi primeiro-ministro sob a presidência de Nicolas Sarkozy e que é deputado desde 1981, defende, por exemplo, o aumento das 35 para as 39 horas de trabalho e o corte de 500 000 empregos na função pública, para além de se assumir contra o casamento entre casais do mesmo sexo ou contra a interrupção voluntária da gravidez.

Uma das maiores marcas destas eleições foi a baixa votação do candidato do PS francês, Benoît Hamon, de quem se prevê apenas 6,5 / 7% da votação. Demonstrando a crise no PS, é reflexo da desilusão com as promessas deixadas pelo actual presidente, François Hollande (PS) na sua eleição, em 2012.

Durante a campanha das últimas presidenciais, Hollande prometeu a reversão das reduções fiscais sobre elevados rendimentos, a reposição da idade da reforma nos 60 anos ou a retirada das tropas francesas do Afeganistão. Durante a sua presidência, a idade da reforma sem penalizações foi mantida nos 67 anos e, apesar da retirada do Afeganistão, a França interviu militarmente no Mali, na República Centro-Africana ou na Síria.

Tanto Fillon como Hamon já assumiram apoiar Macron na segunda volta.

Umas das grandes conclusões que se pode retirar dos resultados destas eleições é que existe uma desilusão dos franceses com os partidos que se alternaram no poder durante a 5.ª República. Elemento que podemos verificar também no facto destas eleições terem votações mais dispersas do que as de 2012.

 

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