| É preciso começar a reverter o gigantesco aumento de impostos feito pela direita
14-04-2017 - Esquerda.net
Segundo Catarina Martins, “o passo que vai ter de ser feito no próximo Orçamento do Estado” será “voltar a ter um IRS mais progressivo, com mais escalões”, para que os trabalhadores e pensionistas possam ter mais rendimento no final do mês.
Assumindo que o Bloco nem sempre tem “as mesmas posições do PS, que normalmente hesita sempre antes de ter coragem de dizer alguma coisa que a Comissão Europeia não goste”, a coordenadora bloquista sublinhou, contudo, que “a Comissão Europeia nunca quis aumento do Salário Mínimo Nacional e achava que os cortes nas pensões eram o único caminho”.
“A força para que houvesse a coragem dessa mudança é a força do Bloco de Esquerda”, destacou Catarina Martins durante a apresentação da candidatura autárquica do Bloco em Cascais.
Mas, para a dirigente do Bloco, “precisamos de mais”: "Precisamos de garantir a continuação da recuperação dos salários, das pensões de todas as pessoas e isso consegue-se tendo a coragem de mexer nos escalões do IRS para começar a reverter o gigantesco aumento de impostos que foi feito por Vítor Gaspar [ex-ministro das Finanças]”.
“Essa é a determinação do Bloco e esse é o caminho que fazemos, continuar a recuperação de rendimentos, parar o empobrecimento do país exige não parar sobre o que foi feito, mas ter a coragem de continuar”, acrescentou.
Combater o clientelismo e o presidencialismo
“Chegamos agora a uma nova fase das políticas autárquicas em que o essencial é combater o clientelismo e o presidencialismo para garantir que as nossas autarquias fazem parte de uma densidade da democracia, que é participada, que é transparente, que é exigente e que não aceita qualquer tipo de corrupção”, defendeu a coordenadora do Bloco.
“É difícil, mas sabem que é o Bloco a força mais capaz de o fazer”, avançou.
Para Catarina Martins, o que os portugueses exigem agora dos seus autarcas não é betão mas “efetivação de direitos”: “O que queremos é sustentabilidade, o que queremos é igualdade, o que exigimos é nada menos e nada mais do que cidadania por inteiro, e esse é o campo em que o Bloco sabe dar resposta”.
A dirigente bloquista destacou as qualidades de Cecília Honório enquanto cabeça de lista à Câmara Municipal de Cascais, sinalizando que a antiga deputada vive e trabalha no concelho e que foi a parlamentar do Bloco que “mais projetos-lei conseguiu aprovar”, mesmo sob uma então maioria de direita PSD/CDS.
“Não estamos nestas eleições para cumprir calendário”, garantiu Catarina Martins, defendendo que é importante que a mudança que o partido conseguiu no país seja agora transferida para “cada concelho, cada autarquia, cada freguesia”.

A direita está agarrada a uma visão elitista e ao presidencialismo
“A imagem de Cascais como concelho rico é um mito, como o demonstram a quebra do poder de compra abaixo da evolução nacional, a taxa de desemprego, os baixos salários, um concelho centrado no comércio e turismo e sem capacidade de fixação da mão-de-obra mais qualificada”, afirmou Cecília Honório, na apresentação da candidatura, que decorreu no Parque Urbano Quinta de Rana. A candidatura à Assembleia Municipal é encabeçada por Luís Salgado, atual deputado municipal.
Segundo a cabeça de lista à Câmara Municipal de Cascais, “agarrada a uma visão elitista e ao presidencialismo, a maioria de direita errou nas prioridades”.
“A população não precisa que eles privatizem os transportes e façam estacionamento pago por todo o lado. Não precisamos que façam estudos sobre mobilidade que vão ao nosso bolso para depois dizerem que, talvez seja para a próxima, terão de facto um plano de mobilidade. Mas o que é que eles andaram a fazer durante 16 anos? Andaram a estudar a mobilidade à custa do nosso bolso?”, adiantou Cecília Honório.
“Precisamos de transportes públicos de qualidade gratuitos para jovens e desempregados, precisamos de estacionamento gratuito, ciclovias e uma resposta articulada pelo direito à mobilidade das populações que aqui vivem, aqui trabalham e se deslocam diariamente para outros concelhos”, disse.
A dirigente bloquista teceu várias outras críticas ao atual executivo liderado por Carlos Carreiras, do PSD, referindo que a maioria de direita virou as costas aos mais jovens, dando o exemplo das dificuldades sentidas no acesso à habitação, e abandonou também os mais idosos, muitos deles a viverem sozinhos.
“PSD e CDS escolheram a austeridade, nós fazemos outras escolhas”, acrescentou, frisando que “ao discurso da resignação e da fatalidade respondemos que há caminho alternativo”.
“As vossas políticas públicas não desfizeram desigualdades mas alimentaram interesses”, acusou Cecília Honório, dando o exemplo do plano de construção para a Quinta dos Ingleses e a entrega do antigo Hospital de Cascais à Católica.
A candidata defendeu, em contraponto, um “programa para a transparência e pela democracia que passa também pelo registo de interesses de todos os eleitos e as eleitas”. “Não há regime de exceção!”, salientou.
Têm medo de deixar de governar esta terra como se fosse a sua quinta
“Aos dirigentes do PSD, que não têm nenhuma vergonha de dizer em voz alta que Cascais não é para toda a gente, respondemos que estão completamente enganados”, apontou Cecília Honório, referindo que a direita deixou de “governar o país e tem medo de deixar de governar esta terra como se fosse a sua quinta”.
“Andam nervosos ao ponto de o presidente da Câmara, responsável pelas autárquicas do PSD, dizer que é indiferente quem ganha, se é a sua candidata ou a candidata do CDS. Depois meteu os pés pelas mãos, dizendo que não era bem isso que queria dizer. E anda tão nervoso que, enquanto comentador, não vê diferenças entre Catarina Martins e Marine Le Pen, comparando-nos à direita radical populista europeia”, adiu.
“Onde é que está o extremista afinal, que faz comparações desta natureza?”, questionou a deputada, sinalizando que sim, o Bloco é radical, “mas a defender os direitos e os rendimentos do trabalho”.
“Estavam à espera que o diabo viesse para vos salvar do vosso desnorte e das eleições, mas o diabo não chegou, e agora inventam outros papões como o extremismo”, continuou Cecília Honório.
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