| Inquérito contra Dias Loureiro e Oliveira e Costa arquivado “com insinuações”
07-04-2017 - Lusa
O Ministério Público informou que arquivou esta terça-feira o inquérito contra Dias Loureiro e José de Oliveira e Costa relacionado com o caso BPN.
O Ministério Público justifica o despacho de arquivamento com o facto de não ter sido possível identificar, “de forma conclusiva, todos os factos suscetíveis de integrar os crimes imputados aos arguidos”, após análise de “informação bancária relativa às operações e aos sujeitos intervenientes”.
O ex-ministro e ex-deputado do PSD Dias Loureiro e o antigo presidente do BPN e ex-secretário de Estado José de Oliveira e Costa estavam indiciados pelos crimes de burla qualificada, branqueamento e fraude fiscal qualificada.
“Não obstante as diligências realizadas, não foi possível reunir prova suficiente, suscetível de ser confirmada em julgamento, da prática dos crimes imputados a estes arguidos e ao cidadão libanês, suspeito Abdul al-Assir “, adianta a comunicação do Ministério Público.
O arquivamento do inquérito, que decorreu no Departamento Central de Investigação e Ação Penal, abrangeu um outro arguido, Luís Caprichoso , ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios, com o Ministério Público a entender que “não praticou” o crime de fraude fiscal qualificada “que lhe foi imputado”.
A investigação visou a “prática de factos conexos com o Grupo BPN/SLN, com o negócio de venda da sociedade REDAL, de Marrocos, e com a aquisição de uma participação de 25% do capital da sociedade BIOMETRICS, de Porto Rico”.
Dias Loureiro está estarrecido “com insinuações”
Em declarações ao DN, o antigo ministro de Cavaco Silva e ex-dirigente do PSD afirma-se “ estarrecido e preocupado ” com o despacho de arquivamento do Ministério Público.
Dias Loureiro sublinha que esteve “oito anos sob suspeita, e tudo devido a um inquérito”. “Estamos a falar do arquivamento de um inquérito”, sublinha o antigo ministro social-democrata, lembrando que foi ouvido pelas autoridades numa única ocasião , há oito anos, altura em que lhe apresentaram os factos e os crimes de que era indiciado.
“Fico estarrecido com isto. Estarrecido e preocupado”, diz Dias Loureiro, lembrando que nestes oito anos sempre manteve o silêncio , e que foi nesse estado que foi assistindo a “fugas de informação sistemáticas, para agora se fazer um arquivamento com insinuações”.
O antigo dirigente do PSD, ainda em declarações ao DN, estranha que a acusação tenha passado oito anos a investigar, “oito anos em que viram tudo o que tinham para ver” da vida dele, para agora arquivarem o processo mantendo dúvidas .
“Se tinham dúvidas deviam ter usado o contraditório, se tinham dúvidas perguntavam “, diz Dias Loureiro.
Lusa
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