| May não cede soberania de Gibraltar (e está pronta para uma guerra com Espanha)
07-04-2017 - Lusa
O Conselho Europeu definiu que a aplicação do acordo para o Brexit a Gibraltar tem de ter a autorização de Espanha, mas Theresa May não cede a soberania da península sem acordo da população. Entretanto, um ex-líder dos conservadores garante que May iria à guerra por Gibraltar como Thatcher fez nas Falkland.
A primeira-ministra britânica, Theresa May, declarou este domingo que Londres não cederá a soberania sobre Gibraltar sem o acordo da população do território, situado no extremo sul de Espanha, indica um comunicado de Downing Street.
O debate sobre a questão regressou na sexta-feira com a apresentação do projeto com as orientações da negociação para o Brexit, a saída do Reino Unido da União Europeia, pelo presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk.
O documento estipula que Espanha deverá dar “luz verde” para que um acordo sobre o ‘Brexit’ possa ser aplicado àquele território britânico.
Segundo alguns analistas, Theresa May cometeu um erro estratégico quanto a Gibraltar, por se ter esquecido de mencionar o assunto na carta enviada a Bruxelas para iniciar as negociações sobre a saída da União Europeia.
Segundo o jornal espanhol La Vanguardia, Tim Farron, líder do Partido Liberal Democrata, opina que a omissão do problema pôs o Reino Unido em uma posição desfavorável.
O presidente da Comissão sobre a UE na Câmara dos Lordes, Timothy Boswell, acredita também que a falta de um claro compromisso de May “deixou a porta aberta para que a União Europeia considere Gibraltar um território em disputa“. A península tornou-se parte do Reino Unido em 1713, e Madrid tenta desde então recuperar a sua soberania.
Mas após contactos telefónicos com o chefe do Governo de Gibraltar, Fabian Picado, Theresa May garantiu que jamais aceitaria que um acordo sobre Gibraltar fosse decidido sem que a população local manifestasse a sua vontade livre e democrática.
“A primeira-ministra manifesta o seu total empenho em trabalhar com Gibraltar para obter o melhor resultado possível em relação ao ‘Brexit’ e que esse território continuará a participar plenamente no processo de negociações”, adiantou o comunicado de May.
Entretanto, em entrevista este domingo à Sky News, o antigo líder do partido conservador britânico Michael Howard não tem dúvidas: Theresa May seria perfeitamente capaz de levar o Reino Unido a uma guerra, à imagem do que fez Margaret Thatcher pelas ilhas Falkland, cuja soberania foi colocada em causa pela Argentina em 1982.
“Fez esta semana 35 anos, outra mulher primeiro-ministro do Reino Unido enviou uma frota militar ao outro lado do mundo para defender a liberdade de outro pequeno grupo de britânicos contra outro país de língua espanhola“, recorda Howard.
“Tenho a certeza de que May saberá mostrar a mesma determinação a defender os gibraltinos”, acrescenta o antigo líder dos Tories.
Segundo o jornal espanhol El Pais, o Brexit colocou Espanha numa posição de força inesperada em relação ao Reino Unido no seu litígio por Gibraltar, cuja população rejeitou em 2002, em referendo, a proposta de partilhar a sua soberania com Espanha.
O ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol, Alfonso Dastis, afirmou entretanto que Madrid “não tem a intenção de fechar a fronteira” com Gibraltar. Em declarações ao El Pais, o ministro espanhol diz que “a ideia é que os espanhóis que vivem em Cádis e que trabalham em Gibraltar possam continuar a fazê-lo“.
Cerca de 10 mil trabalhadores espanhóis vão trabalhar diariamente para Gibraltar, e acreditam que a situação não vai mudar por causa do ‘Brexit’.
A península, de 6,7 quilómetros quadrados, situa-se no extremo sul de Espanha e conta com 33 mil habitantes. Os pontos-chave da sua economia são os jogos ‘online’ e o setor financeiro, através das ‘offshore’ que captam capitais de toda a Europa.
Voltar |