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SALGADO CULPA PASSOS, BATAGLIA E SOBRINHO PELA QUEDA DO BES

07-04-2017 - Lusa

“Uma desgraça”, é o que Ricardo Salgado diz sobre a venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, lançando também críticas ao governo de Passos Coelho, ao Banco de Portugal e aos empresários Álvaro Sobrinho e Hélder Bataglia pelo descalabro do BES, a que presidiu.

O antigo presidente do BES e ex-líder do Grupo Espírito Santo (GES) não acredita que o Lone Star tenha competência para gerir o Novo Banco. É assim que Ricardo Salgado critica a decisão de vender 75% da instituição que nasceu das cinzas do BES aos Fundo norte-americano, notando que é “uma desgraça”.

Em declarações divulgadas pela TVI e recolhidas à saída do Tribunal Judicial da Comarca de Santarém, onde decorre o pedido de impugnação da contra-ordenação de 4 milhões de euros aplicada pelo Banco de Portugal, Salgado considera que “o banco foi entregue gratuitamente” a uma instituição que diz não conhecer, mas a quem não reconhece “cultura para o desenvolvimento e a manutenção das operações às pequenas e médias empresas portuguesas”.

E “o que está na origem de tudo isto foi a resolução [do BES]”, atira Salgado, notando que “foi um erro monumental do Governo anterior e do Banco de Portugal“, conforme declarações transmitidas pela RTP.

Salgado só assume “erros de julgamento”

Recuando à queda do BES, o ex-banqueiro refere que o banco a que presidiu foi “destruído” pelo governo de Passos Coelho e pelo BdP em conjugação com as directrizes da Comissão Europeia.

“Bruxelas não tem a mais pequena sensibilidade para as necessidades bancárias em Portugal”, considera Salgado que diz que está “a trabalhar para comprovar” que o BES “foi destruído pelo BdP e pelo governo anterior”.

“Não quero com isto dizer que não foram cometidos erros de julgamento durante o período da gestão, mas atravessámos uma crise terrível“, afiança ainda, assumindo muito vagamente a sua quota parte de culpas no descalabro do BES.

Sobrinho e Bataglia estão “milionários”

Salgado comenta também o que define como “fuga monumental de depósitos”, realçando que, no prazo de um ano, o Novo Banco perdeu 21% dos depósitos, 27% do crédito e 46% das receitas de serviços.

“O banco começou a desfazer-se”, critica o ex-banqueiro, frisando que “a maioria” da fuga de depósitos “vinha do BES” e que “foram transferidos para offshores“.

E neste capítulo, não duvida que as responsabilidades são de Álvaro Sobrinho, ex-presidente do BES Angola, e do empresário luso-angolano Hélder Bataglia.

“O banco foi arruinado com a colaboração do senhor Hélder Bataglia”, atira Salgado, frisando que, “segundo a imprensa”, tanto este empresário como Sobrinho estão “multimilionários”, enquanto que “o grupo foi destruído”.

Suíça bloqueou 150 milhões de euros suspeitos

Estas declarações de Salgado surgem depois de a Suíça ter bloqueado 150 milhões de euros de pessoas suspeitas de lavagem de dinheiro, no contexto do processo de desmantelamento do BES, conforme confirmou o Ministério Público daquele país.

A investigação suíça começou a partir de um pedido de cooperação judicial apresentado pelas autoridades portuguesas, indicou a entidade pública à agência de notícias daquele país, a ATS, citada pela EFE.

A comunicação social suíça publica informações a indicar que as autoridades seguem pistas relacionadas com o ex-director da filial do BES em Angola, de quem têm indícios de lavagem de dinheiro e de outras situações, como a aprovação de créditos a entidades insolventes.

Segundo aquelas informações, o responsável e a sua família ter-se-iam apropriado de 500 milhões de dólares (cerca de 470 milhões de euros).

Lusa

 

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