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Portugal: Mulheres ganham menos 16,7 % do que os homens

10-03-2017 - Esquerda.net

Apesar de terem mais qualificações, as mulheres ganham em média menos 16,7% do que os homens, o que significa que têm de trabalhar mais dois meses por ano, revela a Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego (CITE).

A Presidente do CITE, Joana Gíria afirmou em entrevista à Lusa que “se compararmos os dados disponíveis com os anteriores, relativos a 2013, as mulheres em Portugal ganhavam menos 17,9 % de remuneração média mensal de base que os homens, face aos 16,7 em 2014” tendo acrescentado que “há uma pequeníssima diferença, sim, mas que deveremos encarar com expetativa de melhoria e progresso”.

A percentagem acima referida significa que, para um mulher ter o mesmo ordenado do que um homem, tem de trabalhar mais 61 dias durante o ano ou, visto de outra forma, é como se uma mulher não recebesse os vencimentos relativos a novembro e a dezembro e o homem recebesse o ano por inteiro.

A responsável da CITE referiu-se ainda às qualificações profissionais tendo adiantado que “o diferencial salarial entre homens e mulheres é proporcional aos níveis de qualificação”, ou seja ”quanto mais elevado o nível de qualificação, maior o diferencial salarial, sendo especialmente elevado entre os quadros superiores”.

“Embora em Portugal as mulheres detenham, na atualidade, mais qualificações - licenciaturas, mestrados e doutoramentos - e, consequentemente, a qualificação adequada para o exercício de cargos de chefia e de topo, continuam a ser os homens o ocupar predominantemente tais cargos”, sublinha Joana Gíria, considerando ainda que “esta opção pelos pares, em detrimento das mulheres, corresponde em muito à inadequada e teimosia persistência do estereótipo socialmente enraizado: mulher/cuidadora da família versus homem/provedor do agregado familiar”.

Por seu turno, dados estatísticos divulgados pelo Eurostat indicam que a diferença salarial entre mulheres e homens que ocupam cargos de chefia é de 25,9% em Portugal o que coloca o nosso país no 19º lugar no   ranking   da disparidade salarial entre os países que foram alvo da análise daquele organismo europeu.

A média nos países da União Europeia é de 23,4 por cento sendo na Roménia que se regista menor diferença salarial entre gestores (5%). Na Eslovénia essa percentagem sobe para os 12,4 por cento e na Bélgica atinge os 13,6 por cento.

No pólo oposto encontramos a Hungria (33,7%) e a Itália com 33,5 por cento.

Para Sara Falcão, professora do Instituto Superior de Economia e Gestão da Universidade de Lisboa a desigualdade é tanto maior quanto mais qualificado for o cargo.

Para a especialista em Sociologia do Trabalho e do Género os números revelados pelo Eurostat abrangem empresas com mais de 10 trabalhadores e dessa forma “85% das nossas empresas escapam a essas estatísticas”.

Desta forma, os dados dos “Quadros de Pessoal” do Ministério do Trabalho indicam uma disparidade de 16%7 entre as remunerações base mas se a análise tiver em linha de conta os ganhos relativos a prémios e bónus esse diferencial dispara para os 20 % e até aos 28% ao nível dos quadros superiores.

“Ainda há muitos condicionalismos que impedem as mulheres de ascenderem a lugares de topo”, afirma Sara Falcão, notando que o “modelo de organização do trabalho é muito tradicional e ao nível da vida privada as assimetrias são grandes, a partilha ainda não existe”.

 

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