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Banco de Portugal sabia da falência do BES “17 meses antes da derrocada”

03-03-2017 - Zap

Os responsáveis do Banco de Portugal tinham conhecimento da situação de falência do Banco Espírito Santo mais de um ano antes de esta se ter confirmado. Um dado apurado numa investigação da SIC que começa a ser transmitida nesta quarta-feira.

A reportagem “Assalto ao Castelo”, que a SIC vai emitir no “Jornal da Noite”, entre 1 e 3 de Março, em três episódios, revela novos dados sobre o processo de  colapso do BES  e do Grupo Espírito Santo (GES).

O jornalista Pedro Coelho, que liderou a investigação, desvenda à Renascença alguns detalhes sobre o seu trabalho, revelando nomeadamente que o Banco de Portugal (BdP) já estava a par da falência do BES em 2013 , isto é, 17 meses antes do colapso do banco.

“A administração do BPI colocou um grupo de técnicos a investigar as contas do GES – e estamos a falar de Janeiro de 2013, portanto,  17 meses antes da derrocada  – e concluiu, avaliando as contas de 2010 e 2011, que o Grupo estava falido”, relata Pedro Coelho à rádio.

O jornalista sustenta que o GES “tinha uma  dívida de seis mil milhões de euros  nessa fase” e que “a dívida não parava de aumentar”.  “Tecnicamente, o GES estava falido em Janeiro de 2013 e o BdP ficou a saber, de uma forma muito transparente, estes dados”, acrescenta.

Pedro Coelho refere ainda que o principal problema do GES era a  Rioforte , cuja dívida chegava, naquela altura, “aos 1.500 milhões de euros”. O  BPI  “também estava exposto ao GES porque tinha aplicações na Rioforte no valor de 75 milhões”, explica.

“Fonte mistério” ligada ao BdP

A reportagem foi feita com base em documentos que uma “fonte mistério”, ligada ao BdP, facultou ao jornalista, depois de perceber que era “preciso revelar um conjunto de más práticas ao nível da supervisão “, salienta o jornalista à SIC Notícias.

Estes documentos internos do Banco, que serão revelados na reportagem, atestam, de acordo com o jornalista, que o governador  Carlos Costa não disse tudo o que sabia quando foi ouvido pelos deputados, em 2014, na Comissão Parlamentar de Inquérito ao colapso do BES.

Dubai no centro do esquema do BES

O trabalho de investigação da SIC permitiu ainda chegar ao Dubai, que terá também entrado nos esquemas do BES, através da filial do banco naquele país do Médio Oriente, que terá sido usada para a  fuga de capitais angolanos .

A SIC antecipa, no seu site, que “membros influentes da chamada elite angolana, alguns muito próximos de José Eduardo dos Santos, escolheram o ES Bankers Dubai para aplicarem milhões de dólares”, os quais terão sido distribuídos pelas diversas empresas do GES.

O treinador de futebol  Carlos Queiroz , que foi cliente da filial do BES no Dubai, surge na reportagem da SIC a lamentar a perda de 800 mil dólares da sua conta, depois da aplicação do dinheiro na Rioforte.

O técnico alega que nunca deu ordens para essa aplicação e conta a sua batalha para tentar recuperar o dinheiro que se esvaiu com a queda do GES.

“Fiz coisas de que me envergonho” , conta o ex-treinador da Selecção Nacional e do Real Madrid.

ZAP

 

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