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Marine Le Pen tem “exército de trolls” para ganhar eleições em França

03-02-2017 - Ryan Broderick

O título parece saído de um filme de fantasia ou ficção científica, mas o problema é real: Marine Le Pen terá a lutar por si um verdadeiro batalhão de trolls da internet.

Segundo o Buzzfeed, vêm com artilharia pesada: milhares de perfis falsos, notícias fraudulentas e disponibilidade para todo o tipo de campanha negra. Os principais dinamizadores são norte-americanos e apoiantes de  Donald Trump .

Ambicionam vencer as presidenciais francesas deste ano com uma tática semelhante à que elegeu o multimilionário nos Estados Unidos.

De acordo com os dados revelados pelo portal ,   este grupo é internacional e tem um objetivo claro –  querem que a Frente Nacional pareça a única voz legítima  da política francesa. Para isso, a tática passa por disseminar um discurso em que se apresentam os outros concorrentes como inimigos dos valores nacionais e tradicionais.

Estes  trolls  ganharam força com a vitória de  Trump  nos Estados Unidos e, revela o Buzzfeed,   estão organizados através da app Discord, tradicionalmente orientada para conversações entre  gamers.  A Grande Libertação da França , é o nome que dão à campanha virtual que vão levar a cabo.

Querem parecer autênticos, verdadeiramente franceses. Têm como objetivo inundar as contas de  Facebook  dos outros candidatos com comentários de perfis falsos – idealmente, de  jovens, raparigas bonitas, judeus e gays   – todos os que normalmente não se associam à Frente Nacional.

Os espaços dos leitores nos jornais também são um alvo e o  Twitter  já começa a ser invadido com  hashtags  a favor da extrema-direita e contra  François Fillon , o conservador que é o principal oponente de  Marine Le Pen .

“Idealmente, isto precisa ser feito pelos nossos utilizadores franceses e francófonos, de modo a que pareça autêntico e não apenas americanos a tentar levar o ‘comboio Trump’ para a Europa. ‘ (…)

Influência pode estender-se a outros países

O grupo apresenta alguma complexidade de organização, com uma distribuição de tarefas clara e metódica. A produção de  memes  e o apoio a outros movimentos populistas internacionais também constam nos seus objetivos.

Ter-se-ão mobilizado para o Referendo Italiano, para as Presidenciais Austríacas e, depois de França, tudo aponta estarem a preparar-se para as Eleições legislativas holandesas e as federais da Alemanha.

É pedida ainda a colaboração dos participantes de cada um dos países para que possam dar indicações úteis na produção de materiais que possam adequar-se de forma clara às especificidades culturais de cada nação.

A preparação para os próximos atos eleitorais com participação de partidos populistas.

O  Buzzfeed  revela que  A Grande Libertação de França  é apenas uma face visível de um grande conjunto de salas de  chat  privadas em que é feita a partilha de  links  e informações. Uma perfeita rede colaborativa de contra-informação, consubstanciada numa robusta sofisticação tecnológica e especialistas em  social media .

O utilizador que revelou ao  site  toda a informação agora publicada prefere ficar anónimo. Teme represálias. Refere que este processo se iniciou imediatamente a seguir às eleições norte-americanas. “ Um gajo   veio invadir um monte de posts no 4chan a convidar malta para se juntar ao seu pequeno ‘exército de trolls’ e lançar a próxima revolução em França “.

Conspiração pró-russa?

A mesma fonte suspeita que, além dos americanos e franceses envolvidos, existe neste momento “ uma aliança frouxa, um casamento de conveniência entre neo-fascistas russos, como o politólogo Alexander Dugin, e a alt-right internacional “.

A agenda que eles têm em comum é a de levar políticos pró-Rússia a serem eleitos em todo o mundo. Não é tanto uma conspiração, é mais uma colaboração “, declara o utilizador.

Entendimento diferente tem o utilizador  @Das Krout . “ Eu estive aqui desde o início e não temos russos envolvidos, é só um bando de americanos. Não há trolls russos. Nós somos os trolls. Somos só pessoas normais e estamos fartos .”

Com 16 anos de idade e natural do Minnesota, nos Estados Unidos, este rapaz não se considera um “ supremacista branco ou neo-nazi “, mas defende que as pessoas “ têm o direito de preservar a sua identidade genética, racial e cultural “.

Sublinha que grupos como ‘ A Grande Liberação de França ‘ estão a desenvolver-se de forma rápida, massiva e orgânica por envolverem os utilizadores numa “ forma divertida de romper com o modelo social dominante “.

Fernando Moreira de Sá , especialista em comunicação digital, assume que o uso das redes sociais “ como instrumentos de comunicação de massas ” é inevitável e essencial e que, “ obviamente, estas também são usadas nas chamadas ‘campanhas negras’, a exemplo do que já existia antes “.

Este perito aproveita ainda para contextualizar este tipo de movimento de forma histórica. “ Antes da existência das redes sociais já existiam campanhas negras – do folheto anónimo distribuído nas caixas de correio às “fontes anónimas” do jornalismo”.

“Evidentemente, o folheto anónimo foi substituído (ou nalguns casos acrescentado) pelos perfis falsos. As fontes anónimas tradicionais do jornalismo passaram para uma forma mais sofisticada, que são as fake news , considera o especialista.

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