| Salgado terá pago 40 milhões a Sócrates e Bava para “enterrar a PT”
27-01-2017 - ZAP
Ricardo Salgado, ex-presidente do BES, é a figura central na teia de corrupção que envolve José Sócrates, na tese do Ministério Público. A investigação da Operação Marquês coloca o ex-banqueiro como a fonte das “luvas” alegadamente pagas ao ex-primeiro-ministro.
Esta ideia é avançada pelo jornal Sol que teve acesso a dados do processo e que constata que o Ministério Público (MP) suspeita do pagamento de alegadas contrapartidas, entre 2006 e 2011, com vista a “ obter decisões favoráveis ao Grupo Espírito Santo ” e a “ enterrar” a Portugal Telecom (PT).
O Sol refere, em particular, quatro negócios marcados por “decisões polémicas” de José Sócrates – o chumbo da OPA da Sonae à PT, em 2006, a autonomização da PT Multimédia, em 2007, a venda da Vivo à Telefónica, em 2010, e a compra da Oi.
Estes processos garantiram ao Grupo Espírito Santo (GES) “dividendos milionários” e contribuíram para o “colapso” da PT, aponta o semanário, notando que Sócrates terá recebido 21 milhões de euros e Zeinal Bava cerca de 18,5 milhões de euros em “luvas”.
A investigação apurou que há “coincidências temporais” entre a tomada daquelas decisões e as transferências de dinheiro para as contas de Carlos Santos Silva , na Suíça – este empresário é encarado pelo MP como o “testa-de-ferro” de Sócrates, sendo que este dinheiro seria de facto do ex-primeiro-ministro.
Estes supostos pagamentos de Salgado a Sócrates e Bava terão sido feitos através do chamado “saco azul” do GES , a Espírito Santo Enterprises, uma das offshores apanhadas no caso dos “Panama Papers”.
Esta investigação internacional ajudou o MP a traçar a rota do dinheiro de Sócrates que terá passado por offshores e contas de Hélder Bataglia, administrador do BES Angola e figura próxima de Salgado, de José Paulo Pinto de Sousa, o primo do ex-governante, e de Joaquim Barroca, administrador do Grupo Lena.
Marques Vidal quer acusação até Março
Ricardo Salgado e o Grupo Lena são agora, encarados pelo MP como “os corruptores activos de Sócrates” , conforme nota o Correio da Manhã, sublinhando que a acusação vai centrar-se nesta relação de factos.
A investigação está prestes a chegar à última data prevista para a conclusão do inquérito, precisamente Março, mas já se especula que esse prazo pode, de novo, ficar comprometido, à luz dos novos dados e desenvolvimentos.
O CM garante, porém, que a Procuradora-Geral da República, Joana Marques Vidal , “manifestou-se inflexível quanto ao prazo estipulado em Setembro” e que quer ver acusação deduzida até 15 de Março .
“Tudo o que ainda está por analisar – factos novos e indícios relativamente a suspeitas que necessitem de ser consolidadas – serão remetidos para certidões, com vista à abertura de novos inquéritos autónomos”, sustenta o CM.
ZAP
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