| Ricardo Salgado é arguido na Operação Marquês, e fica em liberdade
20-01-017 - Carlos Rodrigues Lima e DN
Ex-banqueiro fica proibido de sair do país e contactar os outros arguidos
Ricardo Salgado foi, na quarta-feira, constituído arguido na Operação Marquês e o juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal, determinou que o antigo dono do BES não poderá sair do país nem entrar em contacto com os restantes arguidos do caso.
À saída do tribunal, Ricardo Salgado disse estar surpreendido por ter sido chamado e que está disponível para colaborar com a justiça.
"O arguido foi indiciado por factos suscetíveis de integrarem os crimes de corrupção, abuso de confianças, tráfico de influência, branqueamento e fraude fiscal qualificada", segundo um comunicado da Procuradoria-geral da República.
Salgado ???????foi interrogado no Departamento Central de Investigação e Ação Penal esta tarde, tendo o interrogatório terminado cerca das 17:20, hora a que o ex-presidente saiu das instalações do DCIAP.
O antigo líder do BES foi depois encaminhado para o Tribunal Central de Instrução Criminal, para ser ouvido pelo juiz Carlos Alexandre com vista à determinação da medida de coação a aplicar.
O Ministério Público, segundo comunicado às redações, pede para Ricardo Salgado "medida de coação diversa do termo de identidade e residência", a medida mais leve prevista para arguidos em processos-crime.
Ricardo Salgado esteve sempre acompanhado pelo seu advogado Francisco Proença de Carvalho.
O Ministério Público tem suspeitas relativamente a dinheiros encontrados nas contas de Carlos Santos Silva, amigo do antigo primeiro-ministro. Suspeita-se que grande parte desse dinheiro, mais de 17 milhões de euros, tenha tido origem em sociedade com ligações ao grupo Espírito Santo.
Ricardo Salgado, arguido noutros processos, estará a ser interrogado pelo procurador Rosário Teixeira e pelo inspetor da Autoridade Tributária Paulo Silva.
O processo Operação Marquês conta com 19 arguidos, entre os quais o antigo primeiro-ministro socialista José Sócrates, que esteve preso preventivamente mais de nove meses, e que está indiciado por fraude fiscal qualificada, branqueamento de capitais e corrupção passiva para ato ilícito.
Entre os arguidos contam-se o ex-ministro socialista Armando Vara e a filha, Carlos Santos Silva, empresário e amigo do ex-primeiro-ministro, Joaquim Barroca, empresário do grupo Lena, João Perna, antigo motorista do ex-líder do PS, Paulo Lalanda de Castro, do grupo Octapharma, Inês do Rosário, mulher de Carlos Santos Silva, o advogado Gonçalo Trindade Ferreira e os empresários Diogo Gaspar Ferreira e Rui Mão de Ferro.
A conclusão da investigação da "Operação Marquês" ficou agendada para março de 2017, depois de em setembro a PGR ter concedido mais 180 dias (seis meses) para a "realização de todas as diligências de investigação consideradas imprescindíveis".
Com Lusa
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