| Ataques jihadistas fizeram 543 mortos na UE desde o 11 de Setembro
23-12-2016 - José Fialho Gouveia
Suspeito do atentado em Berlim é Anis Amri, um cidadão tunisino de 24 anos cujo pedido de asilo foi recusado pelas autoridades alemãs em junho. Não foi deportado porque não tinha papéis de identificação válidos.
Está lançada uma caça ao homem a nível europeu. O principal suspeito do atentado de segunda-feira em Berlim é Anis Amri, um tunisino de 24 anos cuja documentação foi encontrada no interior do camião que abalroou um mercado de natal causando 12 mortos. As autoridades alemãs oferecem uma recompensa de 100 mil euros pela captura do alegado terrorista.
Este foi mais um atentado reivindicado pelo Estado Islâmico (EI). Através da agência de notícias Amaq, o Daesh afirma que o perpetrador era um soldado da organização e que atuou em resposta aos apelos para visar cidadãos das nações que fazem parte da coligação internacional que combate o EI.
Desde o 11 de setembro já morreram 543 pessoas na Europa vítimas de ataques terroristas com a assinatura do Estado Islâmico, da Al-Qaeda e de outras organizações jihadistas (ver infografia). O mais mortífero foi o de Madrid, a 11 de março de 2004. Dez explosões praticamente simultâneas no interior de vários comboios resultaram em 192 vítimas mortais.

No ano seguinte, em 2005, foi a vez de Londres, com a morte de 56 pessoas numa sequência de atentados nos transportes públicos. Em termos de ataques islamitas na Europa, seguiram-se depois anos de acalmia até à proliferação de ataques nos últimos dois anos.
O ressurgimento em força deste tipo de terrorismo está intimamente relacionado com a proclamação do Califado do Estado Islâmico em junho de 2014. À medida que o Daesh foi sendo combatido, os líderes da organização - percebendo que estavam a perder cada vez mais terreno no Iraque e na Síria - passaram a ver os ataques na Europa e no Ocidente como uma forma de manter viva a jihad.
Neste contexto tornaram-se cada vez mais úteis os lobos solitários. Tal como explica Felipe Pathé Duarte (ver entrevista), estando as suas principais bases logísticas a ser atacadas fica debilitada a capacidade do Estado Islâmico para organizar ataques em larga escala. Inspirar lobos solitários através de propaganda não implica uma cadeia de comando.
Apesar de a investigação estar ainda no início, parece ter sido esse o caso de Berlim. Foi já emitido um mandado de captura europeu, que sublinha o facto de Amri utilizar seis identidades diferentes e três nacionalidades: tunisina, egípcia e libanesa. O suspeito, que vivia em Berlim desde fevereiro, estava referenciado pelas autoridades e era visto como "perigoso".
"Em junho o seu pedido de asilo foi rejeitado. Não foi deportado porque não tinha papéis de identidade válidos. Inicialmente a Tunísia negou que ele fosse um cidadão tunisino. Os seus documentos de identificação chegaram hoje [ontem], mas não quero tecer mais comentários sobre este facto", afirmou ontem em conferência de imprensa Ralf Jäger, ministro do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestefália.
Acredita-se que Anis Amri tenha ligações a Abu Walla, pregador do ódio, detido em novembro, que alegadamente dava sermões encorajando pessoas a ir para a Síria para combater.
Fonte: DN
Voltar |