| Corrupção: Cunha Ribeiro detido pela Polícia Judiciária
16-12-2016 - N.A. com Jornais
Ex-presidente do INEM também é suspeito de favorecer empresas de equipamentos informáticos.
Luís Cunha Ribeiro também está a ser investigado por ter beneficiado, entre 2003 e 2008, duas empresas do Norte em contratos de aquisição de equipamento informático para o INEM, conta o “Público” esta quarta-feira.
Para além das suspeitas de corrupção na concessão à Octopharma do monopólio do negócio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais públicos portugueses, pelas quais ficou detido esta terça-feira, Luís Cunha Ribeiro, ex-presidente do INEM e ex-responsável pela Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, também estará a ser investigado, por corrupção, por ter beneficiado, entre 2003 e 2008, duas empresas do Norte em contratos de aquisição de equipamento informático para o INEM. A notícia é avançada esta quarta-feira pelo “Público”.
Segundo o matutino, ao investigar as contas de Cunha Ribeiro a Unidade Nacional de Combate à Corrupção detetou transferências de dinheiro provenientes daquelas empresas da área informática, ambas geridas pelo mesmo responsável, que terá ligações a Cunha Ribeiro. Quando este assumiu a liderança do INEM, em 2003, desencadeou a reestruturação de todo o material informático, que na altura considerava obsoleto
Durante o dia de terça-feira, foram feitas mais de 30 buscas e foram constituídos quatro arguidos na operação “O negativo”, segundo um comunicado da Procuradoria-Geral da República. Além de Cunha Ribeiro, foram detidos dois advogados e uma representante da Associação Portuguesa de Hemofilia.
Segundo a PGR, o interrogatório judicial de Luís Cunha Ribeiro deverá começar esta quarta-feira à tarde. Os restantes três arguidos serão ouvidos posteriormente.
A sociedade de advogados PLMJ já confirmou que foi constituído arguido um advogado daquela firma durante as buscas de uma investigação sobre negócios de plasma na qual estará envolvido um seu cliente, tratando-se de Paulo Farinha Alves.
Após ter feito parte do júri do concurso no ano 2000, Luís Cunha Ribeiro é suspeito de ter entregue à farmacêutica Octapharma o monopólio do negócio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais públicos portugueses. Em causa está a apropriação indevida de cerca de 100 milhões de euros pertencentes ao Estado.
“No inquérito investigam-se suspeitas de obtenção, por parte de uma empresa de produtos farmacêuticos, de uma posição de monopólio no fornecimento de plasma humano inativado e de uma posição de domínio no fornecimento de hemoderivados a diversas instituições e serviços que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS)”, refere a nota da PGR
Cunha Ribeiro terá sido subornado por Lalanda de Castro, presidente da Octapharma, com dois apartamentos de luxo: um em Lisboa, outro no Porto. Ambas as casas eram propriedade da Convida, sociedade imobiliária que pertencia a Lalanda de Castro.
Para a primeira habitação em Lisboa, terá sido simulado um contrato de arrendamento a Cunha Ribeiro, mas na prática nunca pagou qualquer valor significativo enquanto lá viveu. Quanto à habitação no Porto, o ex-presidente do INEM adquiriu-a à Convida – mas por valores muito abaixo do mercado.
Paulo Lalanda de Castro, entretanto também detido ontem em solo alemão, um dia depois de ter apresentado a demissão como responsável da farmacêutica Octapharma em Portugal. É suspeito de corrupção activa no âmbito do processo relacionado com os negócios do sangue também arguido no caso que envolve José Sócrates e ainda no caso dos Vistos Gold.
Pulo Lalanda de Castro tem mais processos em curso, o antigo patrão de José Sócrates conheceu o ex-primeiro-ministro em 2012 e contratou-o para a multinacional farmacêutica Octapharma um ano mais tarde. Na chamada Operação Marquês é suspeito de simular pagamentos extra a Sócrates para justificar a proveniência do dinheiro abonado ao ex-governante através do seu amigo Carlos Santos Silva. Objectivo, segundo o Ministério Público: lavar parte do dinheiro de Sócrates que permanecia nas contas de Santos Silva. Além de branqueamento de capitais, sob Lalanda e Castro impendem suspeitas de falsificação, fraude fiscal e corrupção activa neste processo.
Está também relacionado com o caso dos vistos gold, também conhecido como Operação Labirinto, está em causa um negócio destinado a trazer para Portugal feridos de guerra líbios, para serem aqui tratados. O que não teria nada de mais, não se desse o caso de os investigadores suspeitarem de que conseguiu com um parceiro de negócios seu, Jaime Gomes, o reembolso pelas Finanças de 1,8 milhões de IVA a que não tinham direito, graças aos bons ofícios do então ministro Miguel Macedo, também arguido no mesmo processo. Aqui, o patrão da Octapharma foi acusado de dois crimes de tráfico de influência, por causa da facilitação dos vistos alegadamente propiciada também por Miguel Macedo.
Em comunicado, a Polícia Judiciária confirmou que, "com a colaboração das autoridades alemãs, procedeu à detenção de um ex-administrador de uma empresa farmacêutica". Acrescenta que "o detido está a ser presente às autoridades judiciais daquele país a fim de validarem a detenção e decidirem da entrega às autoridades portuguesas".
Voltar |