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PJ detém skinheads que agrediram um grupo de membros do Partido Comunista

11-11-2016 - Valentina Marcelino

A Unidade Nacional de Contra terrorismo da PJ volta a atingir a cúpula da extrema-direita em Portugal. Foram detidas 20 pessoas.

Logo às sete da manhã 17 cabeças rapadas foram acordados nas suas casas, na zona de Lisboa, Albufeira e Braga pelos inspectores da Unidade Nacional de Contra-terrorismo (UNCT) da PJ. Eram visados em diversos mandados de captura e são suspeitos de terem participado em várias agressões violentas, com motivações racistas, de discriminação religiosa e político-ideológicas. Segundo a Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) foram realizadas 35 buscas domiciliárias e apreendido diverso material de prova, incluindo armas. O inquérito é conduzido pela 11ª secção do DIAP de Lisboa e investiga crimes de discriminação racial, religiosa e sexual, homicídio qualificado, ofensa à integridade física qualificada, roubo e dano.

Um dos casos que faz parte da investigação foi o das agressões a um grupo de membros do Partido Comunista na rua das Portas de Santo Antão, em setembro de 2015. As vítimas, pelo menos quatro, de acordo com o que foi na altura divulgado, saíam de um comício da CDU no Coliseu dos Recreios quando foram confrontadas por um grupo de neonazis. Foram espancados e um deles - um sindicalista -, ficou inconsciente, sofreu vários hematomas que obrigaram ao seu internamento no hospital de S. José.

Um dos agressores fugiu deixou cair a sua carteira, através da qual a polícia conseguiu proceder à sua identificação. Os outros foram também sendo identificados pelas vítimas, até porque alguns deles já estavam referenciados pelas autoridades em envolvimento em outros atos de violência.

Esta foi a maior operação da UNCT relacionada com os designados crimes de ódio e contra a humanidade, desde 2007, quando esta unidade da PJ conduziu uma investigação que levou à detenção de 30 elementos conotados com a extrema-direita, comandados por Mário Machado, na altura líder dos Portuguese Hammer Skins, a fação mais violenta dos cabeças rapadas. O grupo de skinheads que agrediu os comunistas tinha participado numa concentração anti-refugiados e anti-migrantes, junto à Assembleia da República.

No Relatório de Segurança Interna relativo a 2015, o Serviço de Informações de Segurança (SIS), que colabora com a PJ na monitorização destes movimentos extremistas, salientou que "as mais recentes crises de refugiados introduziram uma maior pressão nalguns países da Europa, levando ao crescimento de afirmações e manifestações xenófobas" e que "os temas anti-islão, anta-asilo e anti-imigrantes foram centrais no discurso e nas práticas de extrema-direita em muitos países europeus".

As secretas portuguesas diziam que "estas dinâmicas tiveram, direta ou indirectamente, reflexos no território nacional, expressos na organização de inúmeras iniciativas de protesto que juntaram militantes de diferentes tendências da extrema-direita".

O SIS realçava nesse relatório a "intensificação do ativismo político e social de contestação às políticas migratórias, ao acolhimento de refugiados e ao que designa a 'islamização da Europa". No momento dessa análise, no entanto, as secretas não tinham informação sobre actos violentos. Mas registaram " um elevado dinamismo ao nível das actividades do movimento skinhead neonazi (concertos, encontros) situação que tem impacto directo no crescimento do número de militantes desta matriz ideológica".

A PGDL diz que os crimes em causa neste processo "foram praticados no período compreendido entre 03 de Novembro de 2013 e 20 de Setembro de 2015, os suspeitos, motivados pela referida discriminação".

Segundo o seu comunicado, estes suspeitos "actuam no seio de uma organização fortemente hierarquizada, de âmbito internacional, os Sinkheads neonazis liderados pela Hammer Skin Nation- o mais violento e organizado grupo de extrema-direita, formado em Dallas, em 1988, e que se expandiu pelos EUA, Canadá, Austrália e Nova Zelândia - com o propósito de fomentarem ações violentas contra indivíduos de raça negra, indianos, de orientação sexual diferente da deles e refugiados, usando as redes sociais da internet para o incitamento ao ódio, discriminação racial, perseguição e violência física, perfilhando a ideologia nazi e exaltando a superioridade da raça branca, e que, nosso país, pretendem, além do mais, expulsar ou impedir a entrada em Portugal de todas as minorias étnicas"

Fonte: D.N.

 

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