| Divisão do Partido Socialista abre caminho para novo governo conservador na Espanha
28-10-2016 - Flavio Aguiar
Com um governo interino desde dezembro de 2015, a Espanha agora terá um governo 'definitivo', mas frágil.
Ao contrário de Portugal, onde as forças de esquerda conseguiram se unir e formar um governo de coalizão (Partido Socialista, Comunistas e Verdes em coligação, e Bloco de Esquerda), na Espanha elas se fragmentam cada vez mais.
Socialistas, Podemos, Bascos, Catalães não conseguiram entrar em entendimento ao longo do ano. A principal resistência veio do PSOE, cujo setor mais conservador conseguiu agora a deposição, por um voto em seu Comitê de Direção de 132 x 107, do líder Pedro Sanchez. Este era favorável a uma coalizão de esquerda, mas também enfrentou resistências por parte do novo partido Podemos.
Agora o PSOE se dividiu: por 139 x 96 a mesma direção que depôs Sanchez votou que não mais bloqueará a formação de um governo minoritário por Mariano Rajoy, líder do PP.
Com um governo interino desde dezembro de 2015, a Espanha agora terá um governo “definitivo”, mas frágil. Rajoy não terá maioria no Parlamento. Pode contar, embora não de modo absoluto, com o apoio dos deputados do novo partido de direita, Ciudadanos. Assim mesmo não terá maioria, e vai depender do voto favorável ou da abstenção de pelos menos 11 socialistas para aprovar projetos ou sobreviver a votos de (des)confiança.
Na avaliação dos socialistas que votaram pela deposição de Sanchez e a abstenção quanto ao governo de Rajoy, do Partido Popular, se não houvesse a formação de um governo uma terceira eleição no prazo de um ano, que deveria ser realizada em dezembro, seria desastrosa para o partido.
Para os opositores, a abertura do caminho para Rajoy é que será danosa para o PSOE, porque o partido de Rajoy é, hoje, alvo de inúmeras denúncias de corrupção, tendo mais de 500 de seus membros sob investigação.
A maior dúvida, porém, é a de se a divisão do PSOE vai se transformar num “divisão” política. Neste caso, pelo menos uma parte dos seus militantes migraria para o Podemos. E o partido se veria fragilizado em regiões como a Catalunha, País Basco e até na capital, Madrid.
A formação do Podemos e do Ciudadanos levou ao fim da tradicional polaridade entre o PSOE e o PP no comando da Espanha. No caso do Podemos, resta saber também em que medida ele se beneficiará com a fragmentação do PSOE.
Outra dúvida é a do “prazo de validade” do novo governo de Rajoy. Em Portugal, quando os conservadores formaram um governo minoritário depois da última eleição em outubro de 2015, ele durou apenas 12 dias. Apesar de forte oposição por parte de alguns membros do Partido Socialista, seu líder António Costa conseguiu formar um novo governo de perfil à esquerda.
Porém o caso espanhol mostra que a tendência à desunião continua forte nas esquerdas.
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